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O homem que morreu ao ser atacado por leão que criava no quintal de casa

Um homem morreu ao ser atacado por um dos leões que criava no quintal de casa na cidade de Zechov, no leste da República Tcheca.

Michal Prasek, de 33 anos, era dono de dois leões - um macho de nove anos, autor do ataque, e uma fêmea mais nova -, o que era motivo de preocupação dos vizinhos.

O pai encontrou o corpo do filho dilacerado dentro da jaula na manhã de terça-feira e contou à imprensa local que ela estava trancada por dentro.

Os animais - que viviam em compartimentos separados - foram mortos a tiros pela polícia, que alegou ser a única maneira de recuperar o corpo. De acordo com o site de notícias Novinky.cz, a fêmea estava grávida.

O corpo de Prasek foi levado para autópsia, que vai confirmar a causa da morte.

Polêmica

Prasek adquiriu o primeiro leão em 2016 e, um ano depois, comprou uma leoa pensando na reprodução dos animais. Ele próprio construiu as jaulas no quintal da casa onde morava com a família.

A criação desses animais gerou preocupação por parte dos vizinhos e resultou em uma intervenção fracassada das autoridades, que não encontraram razões legais para forçá-lo a desistir da ideia.

As licenças para construção das jaulas foram negadas e, consequentemente, Prasek foi multado pela criação ilegal de animais.

Mas o embate chegou a um impasse depois que ele se recusou a permitir que entrassem em sua propriedade.

Como não havia instalações alternativas para realocar os leões, tampouco provas de que estavam sendo maltratados, as autoridades não podiam levá-los à força.

O caso ganhou as manchetes dos jornais locais no verão passado, quando um ciclista colidiu com a leoa enquanto Prasek passeava com ela amarrada a uma corrente.

A polícia interveio, mas o incidente foi considerado um acidente de trânsito.

Notícia publicada na BBC Brasil, em 6 de março de 2019.

Glória Alves* comenta

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.” (Gênesis 1:26)

Um homem morreu ao ser atacado por um dos leões que criava no quintal de casa na cidade de Zechov, no leste da República Tcheca; assim começa a matéria da BBC News.

Quantos são os casos na Internet sobre animais silvestres (ou selvagens) que são criados como animais domésticos pelos seus donos e que têm um final trágico.

Em 2018, um urso pardo mata e come um caçador russo. Sergey Grigoriyev foi morto e devorado pelo urso que ele adotara ainda filhote e o tratara como animal de estimação. Segundo a investigação, o urso, chamado Vorchun, escapou da jaula e atacou Sergey. Ele também comeu um dos cães do caçador. Esses são alguns dos muitos de casos relatados pelas mídias.

Nessa matéria, o fim de Michal Prasek não foi diferente, acreditando poder criar leões como se fossem pets, terminou sendo morto por um deles. Prasek era dono de dois leões, um macho de nove anos, que o atacou, e uma fêmea mais nova, que ele levava para passear pelas redondezas, e que foi morta pela polícia local.

As autoridades competentes de Zechov nada puderam fazer contra Prasek porque não havia um local apropriado para receber os animais, e tampouco provas de que os animais estavam sendo maltratados, então, ficou o dito pelo não dito, e a tragédia anunciada veio logo em seguida.

De acordo com o Ministério de Meio Ambiente da República Tcheca, existem no país vários criadouros privados, nos quais vivem 44 leões, 49 pumas, 20 tigres e oito leopardos.

Contudo fica uma dúvida no ar, será mesmo que não seriam provas de maus tratos, manter um animal de vida livre na floresta em espaço e ambiente físico e social empobrecido, fora de seu habitat natural, podendo levar esses animais ao estresse? Segundo Ceres Berger Faraco, médica veterinária e doutora em psicologia, o “estresse devido a manipulação humana pode desencadear agressões inesperadas, e isto ocorre, mesmo em animais reconhecidamente dóceis como os pandas e coalas.”

Tudo em a natureza terrestre seguem ciclos, a nossa vida como a vida dos animais tem seus ciclos naturais, os que os animais fazem está dentro da lei do determinismo, do instinto; um predador quando destrói o outro é para comer e não pelo prazer de destruir; enquanto que o homem, dotado de livre-arbítrio, destrói sem necessidade. Manter animais que nasceram livres nas florestas em cativeiros, causando danos em seu desenvolvimento pelo prazer de tê-los a sua disposição, ao seu bel-prazer, fora de seu habitat natural, é uma violação das leis de Deus.

Nenhum de nós tem o direito ilimitado de destruição sobre os animais, como a caça, por exemplo; o abuso nunca foi ou será um direito; os Espíritos Benfeitores da Humanidade, em “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, esclarece que, ao homem, “esse direito é regulado pela necessidade de prover ao seu sustento e à sua segurança.”(1)

Dessa forma, elucida o Espírito Erasto, que “Deus pôs os animais ao nosso lado como auxiliares para nos nutrir, vestir, acompanhar. Deu-lhes certa dose de inteligência porque, para nos auxiliar, necessitavam compreender, e lhes dimensionou a inteligência aos serviços que estão chamados a prestar.”(2)

Temos inúmeros exemplos de animais auxiliares do homem, porém os dos cães guias são emocionantes. Adoráveis, inteligentes (inteligência da vida material) e companheiros, como o labrador e o golden retriever ou o pastor alemão e o border collie, que são verdadeiros companheiros. Principalmente dos deficientes visuais.

O que leva o homem a buscar o convívio doméstico dos animais silvestres, buscando neles companheiros ou criando-os em cativeiros? Na Arábia Saudita virou moda entre jovens ricos ter animais selvagens.

Conheço algumas pessoas que dizem preferir conviver com os animais do que com o ser humano, elas confiam mais nos animais do que nas pessoas, porque não traem e não são falsos, não ficam magoados e não guardam rancor.

O escritor e orador espírita Divaldo Franco, em um artigo publicado no jornal A tarde, coluna Opinião, de 29 de novembro de 2018, Amor aos Animais, e republicado no site da Federação Espírita Brasileira (FEB), diz: “Não me parece feliz a troca afetiva, porque o instinto de preservação da vida também se encontra nos animais e, graças ao instinto, em algumas vezes sucedem graves acontecimentos entre esses e os seus cuidadores.”(3)

Os animais têm a sua linguagem, os seus afetos, a sua inteligência rudimentar, com atributos inumeráveis. São os nossos irmãos mais próximos, merecendo, por esse motivo, a nossa proteção e amparo.

Retornando ao início do nosso comentário: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.”

O homem está para o animal simplesmente como um superior hierárquico; “a inteligência do homem e a dos animais emanam de um mesmo princípio, mas no homem a inteligência passou por uma elaboração que a coloca acima da que existe no animal.”(4)

A lei maior divina é a lei de amor. Esse amor deve se estender não só ao próximo como a nós mesmos, mas também ao Planeta e a todas as criaturas que nele vivem. Temos a obrigação sagrada e o dever de amparar nossos irmãos menores na escala progressiva de suas posições variadas do Planeta, esse é o domínio dado por Deus ao homem. Agindo desse modo estaremos cumprindo o Maior mandamento da Lei: “Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito.”

Referências Bibliográficas:

(1) O Livro dos Espíritos - Da Lei de Destruição - Q. 734;

(2) Revista Espírita 1861 - Agosto - Dissertações e ensinos espíritas - Os animais médiuns;

(3) <https://www.febnet.org.br/blog/geral/colunistas/artigos-espiritas/amor-aos-animais/>;

(4) O Livro dos Espíritos - Os Três Reinos - Q. 606a.

* Glória Alves nasceu em 1º de agosto de 1956, na cidade do Rio de Janeiro. Bacharel e licenciada em Física. É espírita e trabalhadora do Grupo Espírita Auta de Souza (GEAS). Colaboradora do Espiritismo.net no Serviço de Atendimento Fraterno off-line e estudos das Obras de André Luiz, no Paltalk.