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Nossos QIs nunca estiveram tão altos - mas nem por isso somos mais espertos

9 de janeiro de 2017



Por que nossos QIs nunca estiveram tão altos - mas nem por isso somos mais espertos



David Robson
Da BBC Future


James Flynn está preocupado em deixar o mundo nas mãos de seus alunos. Professor da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, ele regularmente se depara com estudantes de enorme potencial, mas descobre que muitos deles não têm noção da história complexa do mundo que os cerca.


"Eles dispõem de todas as habilidades modernas, mas saem da universidade de um jeito não muito diferente do camponês medieval que vivia em seu mundinho. Estão ancorados em mundo maior - o do presente -, mas sem dimensão histórica", explica o professor.


Para Flynn, o resultado é que as pessoas hoje têm uma visão simplista de assuntos vigentes, o que as deixa mais abertas à influência de políticos e da mídia.


Em seu mais novo livro, Does Your Family Make You Smart? (Sua família te deixa mais inteligente?, em tradução livre), ele discute as maneiras como o pensamento humano mudou ao longo dos tempos, incluindo um aumento misterioso no quociente de inteligência (QI) - devidamente batizado de Efeito Flynn - e as várias influências que moldam nosso intelecto durante nossas vidas.


Aos 82 anos, Flynn é um nome muito reconhecido no campo de pesquisas sobre a inteligência. Como parte de seus estudos filosóficos sobre a natureza da objetividade, ele notou que os resultados médios em testes de inteligência vêm aumentando em todas as raças humanas de forma consistente, à razão de três pontos por década - entre 1934 e 1964, por exemplo, holandeses ganharam 20 pontos de QI.


Mas poucos pareciam ter notado.


"Fiquei pensando por que diabos os psicólogos não estavam dançando pelas ruas. Os dados diante de seu nariz e eles não viam", explica Flynn.



Genética


Psicólogos há tempos sabem que genes têm influência sobre nossa inteligência, e que ela cresce à medida que envelhecemos.


No jardim de infância, a genética não importa tanto: o mais importante é se os pais falam conosco, leem para nós e treinam nossa habilidade para contar, por exemplo. Estudos mostram que nossos genes são responsáveis por apenas 20% da variação de QI nessa faixa etária.


Quando começamos a pensar por nós mesmos, a influência dos pais diminui. Passamos a maior parte do tempo na escola e, se temos potencial, nossos cérebros vão se desenvolver com estímulo extra.


Os genes também pode ajudar você a encontrar novas maneiras de estimular a mente - como frequentar clubes de leitura ou de matemática, por exemplo, o que normalmente resulta em um aumento do QI. Você começa a criar um nicho que reflete seu potencial genético.


Isso não quer dizer que a situação da sua família não conta - ainda importa se você frequenta uma escola melhor ou se seus pais compraram muitos livros. E há fatores aleatórios, como o desemprego ou tragédias pessoais, que podem afetar seu QI.


Mas, no geral, genes podem prever 80% das diferenças entre você e outras pessoas quando adultos.


Ainda assim, o Efeito Flynn parece ser muito acentuado e rápido para ser explicado apenas pela genética. A seleção natural ocorre vagarosamente ao longo de milhares de anos, por exemplo.


Na verdade, a resposta não é tão enigmática quando comparamos a evolução do QI à da altura corporal. Em uma mesma geração, você verá que pais mais altos têm crianças mais altas, e que pais mais baixos têm filhos mais baixos. Isso mostra um componente genético.


Mas se você comparar gerações diferentes, verá que somos mais altos que nossos avós. Isso não é por causa de mudanças genéticas, mas porque a vida moderna, com melhor dieta e remédios, permitiu que nossos corpos crescessem.


Flynn e o colega William Dickens lançaram a tese de que o mesmo processo está ocorrendo com nossas mentes graças a mudanças nas demandas cognitivas de nossa sociedade. O QI mede uma variedade de qualidades, como vocabulário, raciocínio espacial e raciocínio abstrato. Juntos, formam uma inteligência geral.


Nossa educação também contribui para esse processo: lições do ensino primário sobre diferentes elementos e forças da natureza nos ajudam a agrupar coisas em categorias, classes e regras lógicas, centrais para muitas questões no teste de QI.


Quanto mais as crianças enxergarem o mundo com esses óculos científicos, mais altos serão seus resultados, na opinião de Flynn.



Tecnologia


Mas não é apenas a educação. Alguns pesquisadores argumentam que nosso mundo é agora inteiramente encaminhado para que pensemos dessa maneira por causa de uma crescente dependência da tecnologia.


Nossos bisavós podem ter sofrido com máquinas de escrever e nossos pais com o primeiro videocassete, mas nossas crianças hoje aprendem a usar um tablet ainda pequenas.


Ficamos melhores na tarefa de pensar de forma abstrata, o que resultou em aumentos médios de 30 pontos percentuais no QI ao longo do último século. Esse aumento não significa que temos mais capacidade cerebral - estamos, na verdade, fazendo a sintonia fina de nossa maquinaria mental para os dias de hoje em vez de fazer um upgrade completo.


Mas Flynn diz que as melhorias são significativas sociologicamente, refletindo mudanças reais no processo de pensar.


O pesquisador compara isso ao exercício físico - somos moldados de acordo com o esporte que escolhemos. "O cérebro é um músculo, e mudanças em exercícios mentais influenciam o cérebro da mesma forma que se você trocasse a natação pelo halterofilismo".


O QI é maleável ao longo da vida. Isso significa que idosos podem ainda ganhar terreno graças a melhorias na saúde geral e ao fato de que carreiras profissionais hoje duram mais tempo e são mais exigentes intelectualmente.


"Uma pessoa de 70 anos hoje é muito mais inteligente que uma de 70 há 15 anos". "Meu pai nunca correu após os 12 anos de idade e se aposentou aos 70. Eu me exercito mais e nunca me aposentei", diz Flynn.



Estímulos


Em seu mais recente livro, Flynn apresenta uma nova análise que o permite analisar o efeito de diferentes aspectos no QI de uma pessoa.


O vocabulário, por exemplo: quem tem pais mais educados, que usam uma linguagem mais variada e erudita, terá mais estímulo à inteligência, mesmo que tenha menor potencial genético.


Ao mesmo tempo, pessoas com vantagens genéticas podem ser atrapalhadas por aqueles a seu redor - no mundo dos desenhos animados, por exemplo, Lisa Simpson é super talentosa, mas sofre com a ignorância do pai, Homer.


A análise de Flynn mostra que poucos pontos a mais no QI podem determinar o caminho de alguém na vida. Para um adolescente americano razoavelmente inteligente, viver em uma casa com ambiente ligeiramente mais acadêmico pode elevar de 500 para 566 pontos o resultado no SAT, o equivalente dos EUA ao Enem.


Essa diferença pode valer uma vaga em uma universidade mais prestigiada.


"As universidades americanas usam o SAT como medida da viabilidade de um estudante, e se você tiver uma pontuação ruim você não conseguirá entrar em uma universidade boa", explica Flynn.


Mas o cientista mantém-se convicto de que, independentemente dos antecedentes familiares, todos nós temos o poder de cuidar de nosso próprio desenvolvimento intelectual. Afinal, estudos mostram que circunstâncias atuais influenciam nosso QI no presente mais do que nossa história. Flynn diz que isso é aparente em seus estudantes mais velhos.


"Muitos deles vêm de ambientes que parecem ter proporcionado pouco estímulo intelectual, mas eles crescem loucamente em comparação com a média de nossos estudantes", explica o acadêmico.


Apesar dos ganhos em QI, o cientista teme que nós não estejamos usando nossas mentes para as coisas que importam. "Não quero parecer sombrio, mas as pessoas jovens hoje estão lendo menos sobre história e bem menos ficção séria do que costumávamos fazer."


Ele argumenta que deveríamos ter uma compreensão das crises que moldaram a história do mundo antes de opinar na política contemporânea, por exemplo. E acredita que "a leitura é a única forma de capitalizar sobre os ganhos de QI no século 20 e torná-los politicamente relevantes".


Se Flynn vai ou não persuadir os mais jovens a pegar em um livro é outra história. Mas não há dúvidas de que ele já mudou nossa visão sobre a inteligência.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 18 de dezembro de 2016.



Jorge Hessen* comenta


Será que há uma tarefa especializada da inteligência no orbe terrestre?  Emmanuel ilustra que “assim como numerosos Espíritos recebem a provação da fortuna, do poder transitório e da autoridade, há os que recebem a incumbência sagrada, em lutas expiatórias ou em missões santificantes, de desenvolverem a boa tarefa da inteligência em proveito real da coletividade. Todavia, assim como o dinheiro e a posição de realce são ambientes de luta, onde todo êxito espiritual se torna mais porfiado e difícil, o destaque intelectual, muitas vezes, obscurece no mundo a visão do Espírito encarnado, conduzindo-o à vaidade injustificável, onde as intenções mais puras ficam aniquiladas”.(1)


Há aqueles que possuem o chamado QI elevado, entretanto que desconhecem os cruciais problemas sociais. James Flynn, professor da Universidade de Otago, Nova Zelândia, pesquisador no campo de investigações sobre a inteligência, afirma que os resultados médios em testes de inteligência vêm aumentando em todas as raças humanas, todavia, em que pese o enorme potencial intelectual, muitos “inteligentes” não têm noção da história complexa do mundo que os cerca. Em seu mais novo livro, Does Your Family Make You Smart?, Flynn discute as maneiras como o pensamento humano mudou ao longo dos tempos, incluindo um aumento misterioso no quociente de inteligência (QI).


Alguns pesquisadores argumentam que “aumento misterioso no quociente de inteligência” reflete a completa educação atual sob a crescente dependência da linguagem e inteligência tecnológica. Tempos atrás, lembram, nossas bisavós padeceram com máquinas de escrever e nossos pais com o primeiro videocassete, mas as crianças atuais aprendem a usar com extrema facilidade um tablet, smartphone, android, ainda em tenra idade. Com isso, a atual geração talvez pense de forma rápida e abstrata, o que pode resultar em aumentos médios de percentuais no QI, mas esse aumento não significa perspectiva de melhora social.


Nesse debate, cientistas se apresentam convictos de que, independentemente dos antecedentes familiares, as pessoas têm o poder de cuidar do próprio desenvolvimento intelectual. Pois os estudos mostram que circunstâncias tecnológicas atuais influenciam o QI no presente mais do que a tradicional e histórica experiência educatica da família. Dizem! Porém, James Flynn não concorda com isso. Seguimos o pensamento de Flynn, pois cremos que a família é o fator principal para o desenvolvimento da inteligência.


“Temos no instituto familiar uma organização de origem divina, em cujo seio encontramos os instrumentos necessários ao nosso próprio aprimoramento para a edificação do Mundo Melhor.”(2) Destacando aqui que “de todos os institutos sociais e educacionais  existentes na Terra, a família é o mais importante, do ponto de vista dos alicerces morais que regem a vida”.(3) Porquanto, no sagrado instituto da família há a base mais elevada para os métodos de educação, das noções religiosas, com a exemplificação dos mais altos deveres da vida.


Considerando que colégio familiar tem suas origens sagradas na esfera espiritual, preponderam nesse instituto divino os elos do amor, fundidos nas experiências de outras eras. Obviamente os valores intelectivos representam a soma de muitas experiências, em várias vidas do Espírito, no plano material. Uma pessoa de QI elevado significa um imenso acervo de lutas planetárias. Atingida essa posição, se o homem guarda consigo uma expressão idêntica de progresso espiritual, pelo sentimento, então estará apto a elevar-se a novas esferas do Infinito, para a conquista de sua perfeição.(4)


Lamentavelmente a inteligência humana sem desenvolvimento moral e sentimental tem sido arma letal, porque nesse desequilíbrio do sentimento e da razão é que repousa atualmente a dolorosa realidade do mundo de guerras. O grande erro das criaturas humanas foi valorizar historicamente apenas o intelecto, olvidando os valores legítimos do coração nos caminhos da vida.



Referências bibliográficas:


(1) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, pergunta 208, RJ: Ed. FEB, 2000;


(2) Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo, Cap. 2, RJ: Ed. FEB, 2006;


(3) Idem, Cap. 17;


(4) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, pergunta 42, RJ: Ed. FEB, 2000.


* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal aposentado do INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.