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"Os que menos contribuem para mudanças climáticas são mais afetados"

1º de janeiro de 2017



“As pessoas que menos contribuem para mudanças climáticas são as mais afetadas"



Conversamos com David Gelber, criador da série ‘O Planeta em Perigo’, sobre mudanças climáticas e como o governo Trump pode influenciar as políticas ambientais ao redor do mundo


por Isabela Moreira


Jack Black vai até Miami, no estado americano da Flórida. O ator, conhecido por filmes como Escola de Rock e Trovão Tropical, não está lá para interpretar um de seus personagens atrapalhados ou para curtir as férias, e, sim, entender como as mudanças climáticas podem afetar a cidade — cientistas estimam que ela fique submersa no futuro, possivelmente nas próximas décadas.


Essa é a premissa de O Planeta em Perigo, série documental da Nat Geo: fazer com que celebridades conhecidas participem de reportagens sobre o meio ambiente e incentivem o público a se engajar com o assunto. “As celebridades não especialistas, e, sim, cidadãos interessados em entender o que está acontecendo com o meio ambiente”, explicou o criador e produtor-executivo da série, David Gelber, à GALILEU.


Após ganhar um Emmy de melhor série de não ficção, a série retorna com uma segunda temporada. Desta vez, astros como o apresentador David Letterman, os atores Don Cheadle, Arnold Schwarzenegger (que também é um dos produtores do programa), Joshua Jackson, America Ferrara, e a modelo Gisele Bündchen, participam de reportagens nas quais apresentam como diferentes partes do mundo estão sofrendo com mudanças climáticas.


No terceiro episódio, por exemplo, Thomas Friedman, repórter especialista em meio ambiente do The New York Times, vai para a Nigéria e o Senegal conhecer os ‘refugiados climáticos’, pessoas que estão saindo de onde moram pelas temperaturas extremas. “Falamos muito sobre os refugiados políticos, mas cerca de seis milhões de africanos terão que deixar seus países de origem porque o solo deles, que antes era fértil, está se transformando em areia por conta da desertificação”, explica Gelber. “Não há dúvida de que as pessoas que menos contribuem para mudanças climáticas são as mais afetadas por elas.”


A série ganha uma importância ainda maior no contexto político atual dos Estados Unidos: o presidente eleito, Donald Trump, não acredita na ciência por trás das mudanças climáticas. Em diversas ocasiões, o ex-apresentador e empresário afirmou que o conceito de aquecimento global foi criado pelos chineses para deixar a produção industrial dos Estados Unidos menos competitiva.


“Nunca pensamos que isso fosse acontecer”, afirma Gelber, sobre a eleição de Trump. “Agora que aconteceu, a nossa série se tornou ainda mais importante.”


O produtor relembra ainda que o presidente eleito escolheu Myron Ebell, uma figura conhecida na mídia por negar pesquisas científicas, aquecimento global e mudanças ambientais, para liderar a transição para a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA). “Não duvido que veremos o crescimento de um movimento bem poderoso nos Estados Unidos para expor a falta de noção do governo Trump em relação a questões ambientais”, diz. “Este será um dos principais temas de discussão no país ao longo dos próximos anos, e acho que O Planeta em Perigo será de grande ajuda em contar qual é a verdade sobre essas questões.”


A segunda temporada de O Planeta em Perigo estreia no domingo, dia 27 de novembro, às 23h45 no Nat Geo.


Matéria publicada na Revista Galileu, em 26 de novembro de 2016.



Jorge Hessen* comenta


Pesquisas indicam que a “mudança climática tem matado cerca de 315 mil pessoas por ano, de fome, de doenças ou de desastres naturais, e o número deve subir para 500 mil, até 2030”.(1) Quase 25% da população mundial estão ameaçados pelas inundações, em consequência do degelo do Ártico, segundo um estudo publicado há 8 anos, pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF). À medida que a extensão do gelo diminui, e que a superfície dos oceanos aumenta, a quantidade de energia solar absorvida, também, aumenta.


Urge que se crie uma mentalidade crítica, que permita estabelecer novos comportamentos com foco na sustentabilidade da vida humana. A sociedade deve formatar novos modelos de convivência, lastreados na fraternidade e no amor. A falta de percepção, da interdependência e complementaridade, entre os indivíduos, gera, cada vez mais intensamente, o desequilíbrio da natureza. O cientista Stephen Hawking, em seu livro "O Universo numa Casca de Noz", expõe, de forma curiosa, que: "Uma borboleta batendo as asas em Tóquio pode causar chuva no Central Park de Nova Iorque”.[2] Hawking explica que "não é o bater das asas, pura e simplesmente, que gerará a chuva, mas a influência deste pequeno movimento sobre outros eventos em outros lugares é que pode levar, por fim, a influenciar o clima.”[3]


Desde o início da revolução industrial, em 1750, os níveis de dióxido de carbono (CO2) aumentaram mais de 30% e os níveis de metano cresceram mais de 140%. A concentração atual de CO2 na atmosfera é a maior registrada nos últimos 800 mil anos. Quais serão as consequências disso? A escala do impacto pode levar à escassez de água potável, trazer mudanças grandes nas condições para a produção de alimentos e aumentar o número de mortes por decorrência de ondas de calor e secas.


As nações, frequentemente, lutam para ter ou manter o controle de matérias primas, suprimento de energia, terras, bacias fluviais, passagens marítimas e outros recursos ambientais básicos. "Esses conflitos tendem a aumentar à medida que os recursos escasseiam e aumenta a competição por eles".[4] Precisamos nos adaptar ao meio como os demais entes vivos neste momento.


Realmente, a consciência de proteção ambiental cresce com o nosso desenvolvimento intelectual e moral. Os recursos “renováveis” que se consomem e o impacto sobre o meio ambiente não podem ser relegados a questões de menor importância, principalmente levando-se em consideração a utilização da água potável, cuja posse no futuro pode ser o motivo mais explícito de confronto bélico planetário.


"A Natureza é sempre o livro divino, onde a mão de Deus escreveu a história de sua sabedoria, livro da vida que constitui a escola de progresso espiritual do homem evoluindo constantemente com o esforço e a dedicação de seus discípulos".[5]


A vida no planeta depende da convivência pacífica entre o homem e a Natureza. E nós, espíritas, o que fizemos, ou o que pretendemos fazer? Mahatma Gandhi afirmou certa vez que toda bela mensagem do Cristianismo poderia ser resumida no Sermão da Montanha, que nos serve de exemplo quando diz: sejamos nós a mudança que nós queremos ver no mundo.



Referências:


(1) Trecho é encontrado na página 325 do relatório BRUNDTLAND, de 1988, da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, no livro "Nosso Futuro Comum";


(2) Cf. Instituto Goddard de Estudos Espaciais, da Nasa-EUA;


(3) Texto de Marcos Tadao Mendes Murassawa. Aquecimento Global - Ficção x Realidade, acessado em 01/01/2008;


(4) Trecho é encontrado na página 325 do relatório BRUNDTLAND, de 1988, da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, no livro "Nosso Futuro Comum";


(5) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, questão 121.


* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal aposentado do INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.