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Pesquisadores belgas descobrem proteína capaz de prevenir obesidade e diabete


29 de janeiro de 2017


Pesquisadores belgas descobrem proteína capaz de prevenir obesidade e diabete


Márcia Bizzotto
De Bruxelas para a BBC Brasil

Pesquisadores da Universidade Católica de Lovaina (UCL), na Bélgica, descobriram uma proteína capaz de prevenir o desenvolvimento da obesidade e da diabete tipo 2 em ratos.

A descoberta foi publicada nesta segunda-feira na revista especializada Nature e abre caminho para o desenvolvimento de um medicamento contra as duas doenças que afetam, respectivamente, 600 milhões e 400 milhões de pessoas em todo o mundo.

Batizada de Amuc_1100, a proteína faz parte da membrana externa da bactéria Akkermansia muciniphila, que vive exclusivamente na flora intestinal de animais vertebrados, como o homem.

A equipe liderada pelo professor Patrice Cani descobriu que, administrada em grande quantidade, essa proteína bloqueia completamente o desenvolvimento de intolerância a glicose e de resistência a insulina, tanto em um regime normal como em um regime rico em gordura.

Ela atua como uma espécie de barreira protetora, diminuindo a permeabilidade do intestino e impedindo que toxinas presentes na massa fecal entrem na corrente sanguínea.

"A permeabilidade intestinal é responsável pela passagem ao sangue de determinadas toxinas que contribuem para o desenvolvimento da diabete, de inflamações, para o fato de que algumas pessoas obesas sintam fome constantemente e para várias desordens metabólicas", explicou Cani em entrevista à BBC Brasil.

Essa barreira também reduz a absorção de energia pelo intestino, resultando em menor ganho de massa corporal.


Acaso

Foi por acaso que Hubert Plovier, doutorando da equipe de Cani, descobriu a proteína Amuc_1100.

A bactéria Akkermansia muciniphila é conhecida por sua capacidade de reduzir em entre 40 e 50% o ganho de massa corporal e de resistência a insulina em ratos, comprovada em 2013 também por Cani.

Mas o teste em humanos esbarrava na dificuldade de reproduzir sinteticamente a bactéria, sensível ao oxigênio.

Para resolver o problema, Plovier optou pela pasteurização, um processo no qual uma substância é aquecida a 70 graus.

"Descobrimos não só que a bactéria produzida dessa maneira conserva suas propriedades, mas também que dobra em eficácia, detendo totalmente o desenvolvimento da obesidade e da diabete tipo 2, independente do regime alimentar", afirma Cani.

Ao investigar as razões do ganho em eficácia, os pesquisadores observaram a presença da proteína Amuc_1100 ainda ativa na bactéria pasteurizada.

"Quer dizer, a pasteurização elimina o que é desnecessário na bactéria e preserva a proteína, o que explica essa eficácia multiplicada."

A equipe testou os efeitos da proteína isolada em três séries de testes com ratos e obteve, em todas elas, os mesmos resultados do tratamento com a bactéria Akkermansia muciniphila pasteurizada.

Submetidos a um regime rico em gordura e altamente calórico, os animais que receberam a bactéria viva ganharam menos peso e desenvolveram menos resistência à insulina que os que receberam um placebo.

No caso dos que receberam a bactéria pasteurizada ou a proteína isolada, o tratamento deteve totalmente o ganho de peso e a resistência à insulina.


Futuro remédio

O tratamento com Akkermansia muciniphila pasteurizada já foi submetido a uma primeira fase de testes em humanos e a conclusão é que sua administração não apresenta riscos para a saúde.

A prova foi realizada com quatro grupos de dez voluntários, em alguns casos durante 15 dias, em outros durante três meses, seguindo os procedimentos habituais para esse tipo de pesquisas.

Um grupo recebeu uma dose diária de um bilhão de bactérias vivas, outro 10 mil bactérias vivas, o terceiro um bilhão de bactérias pasteurizadas e o último um placebo.

Segundo Cani, nenhum dos voluntários apresentou qualquer problema.

A segunda fase de testes em humanos, para determinar os efeitos clínicos da bactéria sobre a obesidade e a diabete, deve ser concluída no segundo semestre de 2017 e contar com mais de 100 voluntários.

Se os resultados forem positivos, será o primeiro passo para o desenvolvimento de um futuro produto terapêutico contra ambas doenças, que poderia chegar ao mercado em um prazo de cinco ou seis anos.

Já para o desenvolvimento de um remédio, os pesquisadores ressaltam que ainda é necessário testar o uso da proteína isolada em humanos e descobrir uma maneira de produzi-la em grande escala.

O processo todo poderia demorar pelo menos dez anos.

Cani pretende também comprovar os efeitos da Akkermansia muciniphila sobre outras doenças relacionadas, como alto nível de colesterol, arteriosclerose, inflamação intestinal e mesmo câncer.

Notícia publicada na BBC Brasil, em 29 de novembro de 2016.


Claudio Conti* comenta

A ciência promove meios de se atuar em questões relacionadas com enfermidades e epidemias, o que é condizente com a evolução espiritual e humana. Todavia, é preciso ressaltar que o avanço científico nas curas e prevenções não deve substituir a responsabilidade e adequação do espírito para conter as suas tendências perniciosas.

Em 2003, escrevemos um texto sobre a Pneumonia Asiática; em 2009 republicamos em nosso "site" (www.ccconti.com) o mesmo texto em decorrência do surgimento das gripes suína e aviária. Esse mesmo texto pode ser utilizado para o uso desta proteína, citada no artigo em análise, e que reproduzimos a seguir, considerando a obesidade e a diabetes, não como decorrentes de algum tipo de vírus, mas como epidemias.

Em meados da década de 80 o mundo vivenciou o aparecimento da AIDS; a doença foi creditada ao Continente Africano, cujo vírus, o HIV, teria origem nos macacos, nos quais a enfermidade não eclode, e que, por um processo qualquer, foi inoculada na espécie humana. Houve um grande estardalhaço na época, sobre as vias de contaminação, dentre elas a relação sexual e uso coletivo de seringas para aplicação de drogas injetáveis. A população em geral, recoberta de uma máscara de decência, acreditava-se fora do “grupo de risco” que consistia dos homossexuais, prostitutas e toxicômanos.

Gradativamente foi sendo observado o surgimento de casos em pessoas que eram consideradas “fora” do grupo de risco, como entre aquelas que dependiam de transfusões de sangue (hemofílicos, pacientes cirúrgicos, etc.), mas também entre aqueles que mantinham um relacionamento estável, devido a encontros extraconjugais, ou que mantinham relações sexuais desregradamente.

A espécie humana ocupa o topo da pirâmide evolutiva e que, equivocadamente, se acredita ser a única detentora da inteligência e do raciocínio e, como tal, deve sempre exercer sua capacidade na busca de soluções simples quando surgem as adversidades. Este procedimento é essencial para se atingir efetividade com o menor dispêndio de energia. Contudo, neste processo, podem surgir “soluções” que resolvem o problema apenas aparentemente, isto é, acredita-se que com tal ação as dificuldades serão superadas, mas apenas tornam os efeitos não tão aparentes.

No caso em questão, a AIDS, optaram-se pelo uso de preservativos, seringas descartáveis e drogas não injetáveis, ao invés de condutas comportamentais mais adequadas. A transformação pessoal é trabalhosa e envolve grande dispêndio de energia.

Atualmente presenciamos uma situação ainda mais difícil, a Pneumonia Asiática.

Foi possível assistir, nos programas de televisão sobre o assunto, as dificuldades de controle desta epidemia, cuja transmissão ocorre pelo contato e até mesmo pela simples aproximação. Atônitos, pudemos testemunhar que foram instaladas, nas entradas dos prédios, pias para lavar as mãos e, até mesmo, tapetes com água sanitária para limpeza das solas de sapatos, além do uso de máscaras pelos transeuntes nas ruas, cerceando e restringindo todo relacionamento humano.

Segundo artigo publicado na revista Scientific American, sob o título em inglês: Caught Off Guard (Pegos Desprevenidos), o vírus causador do novo tipo de pneumonia seria tão diferente dos outros tipos conhecidos que pertenceria a um novo grupo de vírus, com características novas daqueles já definidos. Diz ainda que, pelas suas particularidades, é improvável que seja produto da bioengenharia, e sim um “produto” da Natureza.

Joanna de Ângelis, no livro intitulado Dias Gloriosos, apresenta um interessante estudo acerca das aflições e situações experienciadas pela humanidade na atualidade. No capítulo 6, Enfermidades da Alma, ela diz que “mantendo-se por muito tempo em incubação no organismo, os vírus permanecem inativos até que o seu hospedeiro emita ondas vibratórias que lhe vitalizam a organização, favorecendo-lhes a multiplicação devastadora, quase sem limite”. 

Sob este prisma, pode-se imaginar que todos estão sujeitos a vírus e bactérias de todas as espécies e que cada um dará ensejo para que tal ou qual possa se manifestar, sempre de acordo com seu estado mental atual ou devido a transgressões no passado, cuja reparação se faz necessária, contudo, é preciso estar consciente que qualquer estado poderá ser alterado, tanto para pior quanto para melhor, dependendo apenas da postura adotada.

Pode-se também imaginar que existam muitos outros vírus e bactérias, inclusive formas mutantes, responsáveis por muitas outras patologias desconhecidas que ainda não se manifestaram, permanecendo em latência, até que haja um estímulo qualquer para que torne a atividade, isto é, que encontre campo propício para sua manifestação, campo este proporcionado pelo estado mental.

Será que ao invés de se gastar milhões para detecção e resposta imediata a investidas biológicas terroristas ou ocorrências naturais, não seria mais eficaz a utilização destes milhões em educação e auxílio aos mais necessitados e, assim, não sermos “pegos desprevenidos”? Será que a solução para tão graves problemas não seria a responsabilidade individual e coletiva? Talvez estas soluções ainda sejam uma utopia, mas a única fatalidade a que o Espírito está sujeito é a evolução, que significa o desenvolvimento moral e intelectual e que trará, forçosamente, o amor e a fraternidade entre os povos, até que todos se reconheçam, finalmente, como irmãos.

* Claudio Conti é graduado em Química, mestre e doutor em Engenharia Nuclear e integra o quadro de profissionais do Instituto de Radioproteção e Dosimetria - CNEN. Na área espírita, participa como instrutor em cursos sobre as obras básicas, mediunidade e correlação entre ciência e Espiritismo, é conferencista em palestras e seminários, além de ser médium psicógrafo e psicofônico (principalmente). Detalhes no site www.ccconti.com.