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Religião tem o mesmo efeito no cérebro que sexo e drogas

16 de dezembro de 2016



Religião tem o mesmo efeito no cérebro que sexo e drogas



Um novo estudo comprovou que experiências religiosas agem como drogas no cérebro


Por Pâmela Carbonari


À primeira vista, sexo, drogas e rock and roll têm pouco a ver com religião. Mas, na prática, as coisas estão bem conectadas. Um novo estudo da Universidade de Utah, em Salt Lake City, nos Estados Unidos comprovou que transar, se drogar, ouvir música e rezar ativam as mesmas regiões do cérebro.


Para chegar a essa conclusão nada ortodoxa, os pesquisadores analisaram a atividade cerebral de 19 jovens mórmons que vão frequentemente à igreja e que já atuaram como missionários religiosos. O estudo foi publicado recentemente na revista Social Neuroscience.


No laboratório, os cientistas simularam práticas religiosas e escanearam o que acontecia no cérebro dos adolescentes. Através de exames de ressonância magnética, foi possível perceber que enquanto eles estavam lendo textos sacros e se sentindo espiritualmente plenos, um local do cérebro chamado núcleo accumbens foi ativado. Essa região funciona como nosso centro de recompensa e está associada a vícios como drogas, jogos de azar e sentimentos de amor fraternal e romântico. Ou seja, a área do cérebro que você ativa quando abraça sua mãe é a mesma de quando você se droga, come uma comida que queria muito ou faz uma oração.


A comoção religiosa dos mórmons no momento do estudo também foi notada na região do córtex pré-frontal, uma parte do cérebro que age diretamente nas decisões lógicas e em como as pessoas se comportam socialmente. Inclusive, este é o local onde nossos julgamentos morais são processados. Outro aspecto que chamou a atenção dos pesquisadores foram os batimentos cardíacos acelerados e a mais respiração pesada dos voluntários.


Os resultados sugerem que passar por uma experiência religiosa pode interferir tanto no nosso pensamento e raciocínio quanto interfere quando estamos apaixonados ou lutando para largar um vício. Será esse um dos mistérios da fé?


Matéria publicada na Revista Superinteressante, em 5 de dezembro de 2016.



Claudio Conti* comenta


Lendo o artigo da revista Superinteressante, tem-se a impressão de que drogas, sexo, religião, dentre outros, são equivalentes para o ser humano pela razão da região do cérebro ativada ser a mesma. Seria o mesmo que dizer: as drogas ativam determinada região no cérebro; a religiosidade ativa a mesma região, logo, religião é um tipo de droga.


Ao que parece, haveria duas hipótese: a) não houve um entendimento razoável sobre o  artigo científico que apresentou a pesquisa e seus resultados; ou b) optou-se pela simplificação ao extremo e, por isso, conduziu à interpretação errônea.


O artigo científico publicado na Revista Social Neuroscience, em 29 de novembro de 2016 (http://www.tandfonline.com/doi/10.1080/17470919.2016.1257437), apresenta um estudo complexo, com avaliações e citações que conduzem ao entendimento do que se deseja apresentar.


Neste estudo, os pesquisadores relatam uma gama de regiões do cérebro que são ativadas diante dos variados estímulos. Portanto, por não se tratar de uma única região, a análise não pode ser simplista ou simplificada ao extremo, incorrendo, com isso, em equívocos nas conclusões.


Gostaria de apresentar o segmento de texto extraído do artigo científico original:


“Os sentimentos evocados durante a prática religiosa têm efeitos pronunciados sobre o comportamento social, saúde e compromisso religioso. Sentimentos de paz e alegria durante a oração têm sido associados com maior comprometimento religioso futuro e melhor qualidade do sono, enquanto outras experiências religiosas como glossolalia, percepção de ter orações respondidas e percepção de cura milagrosa não mostraram efeito semelhante em uma análise longitudinal. Experiência espiritual ou religiosa frequente também tem sido associada com maior qualidade de vida e resultados psicossociais positivos.” (tradução livre)


Verifica-se, pelo segmento de texto, que não se pode analisar de forma simplificada nem mesmo o que seria considerado como "experiências religiosas”, pois a “experiência espiritual” é distinta de “orações respondidas” e de “curas milagrosas”, isto é, na obtenção de objetivos bem definidos.


* Claudio Conti é graduado em Química, mestre e doutor em Engenharia Nuclear e integra o quadro de profissionais do Instituto de Radioproteção e Dosimetria - CNEN. Na área espírita, participa como instrutor em cursos sobre as obras básicas, mediunidade e correlação entre ciência e Espiritismo, é conferencista em palestras e seminários, além de ser médium pscógrafo e psicifônico (principalmente). Detalhes no site www.ccconti.com.