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Ande como alguém feliz para ser feliz, afirma estudo

11 de junho de 2016



Ande como alguém feliz para ser feliz, afirma estudo



Pesquisa sugere que postura correta e maior movimentação dos braços podem aumentar sua felicidade


por Rennan A. Julio


Uma pesquisa publicada no Journal of Behavior Therapy and Experimental Psychiatry afirma que para se sentir feliz, basta caminhar como uma pessoa alegre. Durante o experimento, uma série de pessoas foi testada para saber se estufar o peito e balançar os braços realmente traz mais felicidade do que passos pesados e olhares cabisbaixos.


No estudo, o grupo teve de caminhar durante 15 minutos em uma esteira enquanto alguns fatores eram analisados. Os participantes foram acompanhados por câmeras com sensores de movimento. Na frente da esteira, uma tela mostrava as ações de um medidor – que pendia à esquerda quando caminhavam “deprimidos” e à direita quando “felizes”.


À medida que os minutos iam passando, a equipe de pesquisadores pedia para que as pessoas tentassem jogar o medidor para a esquerda ou para a direita. Só que antes de começarem o teste físico, os convidados tiveram que ler uma lista de palavras positivas e negativas.


Depois da caminhada, os participantes tiveram que escrever as palavras que lembravam. O resultado mostrou que quem caminhava de maneira mais triste (seguindo a lógica de outro estudo) conseguiu lembrar mais palavras tristes; e aqueles que andaram felizes se lembraram de mais palavras positivas.


Para os pesquisadores, essa lógica está alinhada a de outros trabalhos publicados sobre o tema. Segundo tais pesquisas, andar como um líder pode aumentar as chances de se tornar um; e segurar uma caneta com os lábios pode aumentar a vontade de sorrir. Então não custa nada andar mais “animado” por aí. Vai que contagia.


Matéria publicada na Revista Galileu, em 23 de outubro de 2014.



Glória Alves* comenta


A pesquisa afirma que para nos sentirmos felizes basta caminharmos como uma pessoa alegre, sugere que uma postura correta e a maior movimentação dos braços, estufar o peito podem aumentar a nossa felicidade.


Será que para sermos felizes, basta uma postura correta no caminhar, andar como alguém feliz? E o que é felicidade?


O sentimento de felicidade é particular para cada ser humano, é uma questão individual; para muitas pessoas, felicidade é estar bem de saúde, ter alguém que nos ame, dinheiro no bolso ou no banco, um bom salário, viagens...


Os dicionários definem felicidade como um momento durável de satisfação, onde o indivíduo se sente plenamente feliz e realizado, um momento onde não há nenhum tipo de sofrimento: “a felicidade é um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude são transformados em emoções ou sentimentos que vão desde o contentamento até a alegria intensa ou júbilo. A felicidade tem, ainda, o significado de bem-estar espiritual ou paz interior”.(1)


Os filósofos chineses também pesquisaram sobre a felicidade. Para Lao Tsé, a felicidade poderia ser atingida tendo como modelo a natureza; Confúcio acreditava na felicidade devido à harmonia entre as pessoas. Para o filósofo grego Aristóteles, a felicidade diz respeito ao equilíbrio e harmonia praticando o bem; e o grande filósofo, Sócrates, dizia que não havia relação da felicidade somente com a satisfação dos desejos e as necessidades do corpo, mas que o homem não é apenas corpo, e sim, principalmente, alma; para ele, a felicidade seria o bem-estar da alma, através da conduta justa e virtuosa.


E na visão Espírita, o que é felicidade?


Allan Kardec também se preocupou com esse estado d’alma, a felicidade, e em “O Livro dos Espíritos”, refletindo sobre as penas e gozos terrestres, pergunta aos Espíritos Superiores se o homem poderia gozar de completa felicidade na Terra; e os Benfeitores responderam que não, plena não. O próprio Jesus, diante de Pilatos, nos momentos que antecederam a sua crucificação, disse que seu Reino não era deste mundo.


Hoje entendemos essas palavras do Mestre, pois a Terra ainda é um orbe de sofrimentos, onde há prantos e ranger de dentes para os que nascem nesse vale de dores, conforme Ele mesmo anunciou. Allan Kardec classificou a Terra como um mundo de provas e expiações, mundo caracterizado pela maldade, paixões grosseiras, misérias, enfermidades de toda a natureza, onde seus habitantes, Espíritos Imperfeitos, em grande número se mostram propensos ao mal.


Portanto, fica claro para nós que a felicidade, plena, não é deste mundo; “o homem só será feliz na Terra quando a Humanidade estiver transformada”(2); por enquanto, “a felicidade é relativa à posição de cada um; o que basta para a felicidade de um, constitui a desgraça de outro”.(3)


A felicidade a que se refere a pesquisa é relativa, e vimos pelos esclarecimentos dos Espíritos Superiores e de Allan Kardec que a felicidade depende da posição espiritual de cada um de nós, da compreensão da vida corpórea e da vida futura.


Portanto, o homem é o arquiteto de sua própria felicidade, aqui e no Além, se souber viver sobriamente; procurando em tudo que faça observar os ensinamentos de Jesus, respeitando no outro aquilo que ele espera que respeitem nele, a muitos males se poupará e “propiciará a si mesmo felicidade tão grande quanto o comporte a sua existência grosseira”.(4)


A pesquisa nos leva a acreditar que para sermos felizes bastaria uma postura correta no caminhar e andar como alguém aparentemente feliz; mas, além disso, também faz parte da pesquisa as palavras e pensamentos, positivos ou negativos, que os convidados tiveram que ler antes de realizar a caminhada sobre a esteira, e depois escrever as palavras que lembravam. Concluída a pesquisa, o resultado mostrou que quem caminhava de maneira triste lembrava mais das palavras tristes; e aqueles que andaram felizes lembraram das palavras positivas.


Deduzimos, então, o que influencia o caminhar feliz é a segurança do que o ser pensa e sente de si mesmo, das situações e das pessoas que estão ao seu redor. Então, não é o caminhar pelo caminhar, simplesmente, que faz alguém ser feliz.


Na realidade sabemos que não é assim. “Não seja a felicidade, no entanto, o resultado da indução externa ou de uma autossugestão, pois que se tornaria um engodo proposto e conseguido pelo inconsciente.”(5)


Parafraseando o Espírito Emmanuel, somos o que decidimos ser, possuímos o que desejamos, estamos onde preferimos e encontramos a vitória ou a derrota, ou ainda a estagnação, conforme imaginamos e pensamos. A força mental, desconhecida de muitos, preside a todos os atos da vida. Somos artífices de nós mesmos, construímos a nossa desdita ou nossa ventura de acordo com os nossos pensamentos e com a nossa vontade.


Está aí a chave da felicidade aqui na Terra das expiações, das dores e dos sofrimentos; sermos felizes depende de nós, porém não basta uma postura, um jeito de andar e sorrir, precisamos mais que isso, precisamos ter uma atitude mental positiva e ativa, trabalharmos em nós a transformação moral e vivermos as leis divinas.


“A felicidade é, portanto, uma forma de viver e, para que se torne permanente, é necessário que seja adquirido o nível de consciência do Espírito, e isto começa quando se descobre e se atenta para o que realmente se deseja da vida além dos níveis imediatos do gozo e do prazer.”(6)


Ouvimos falar de pessoas que apesar dos grandes desafios da vida, de seus sofrimentos e aflições, enfrentaram corajosamente esses desafios e ainda conseguiram se beneficiar com eles, aprendendo e crescendo emocionalmente; são felizes por não terem desistido de lutar, são felizes por terem vencido a si mesmos. Como reagimos frente a uma situação difícil? Fugimos ou enfrentamos a situação? Essas pessoas são conhecidas pela sua resiliência.


Esse termo veio emprestado da Física e indica a capacidade que alguns materiais têm de absorver impactos e retornar à forma original, e que a Psicologia adotou criando o termo resiliência psicológica. Algumas pessoas confundem resiliência com resistência, são duas coisas diferentes; quando aplicado aos seres humanos, a resiliência indica a capacidade do ser de se levantar, sacudir a poeira e “dar a volta por cima” das adversidades e ressurgir transformado, amadurecido com as experiências vividas.


De acordo com a Presidente da ISMA-BR, International Stress Management Association, no Brasil, Doutora em Psicologia Clínica e Comunicação Verbal, Ana Maria Rossi, "uma pessoa resistente é aquela que “segura as pontas”, resistindo a situações de pressão. Já uma pessoa resiliente, além de suportar a pressão, aprende com as dificuldades e os desafios, usando sua flexibilidade para se adaptar e sua criatividade para encontrar soluções alternativas".(7)


A resiliência não é um traço de caráter hereditário, que temos ou deixamos de ter, é uma conquista pessoal. Criado simples e ignorante pelo Supremo Senhor dos Universos, o Espírito traz, ínsito em seu ser, potencialidades e faculdades que deverá desenvolver a fim de que cresça e amadureça espiritualmente, se elevando ao estado celeste, a conquista real da felicidade.


E esse estado de felicidade logra o Espírito mediante esforço, trabalho e das alternativas da alegria e da dor. Seguindo o raciocínio de Léon Denis, entendemos ser o sofrimento “o instrumento por excelência da educação e do progresso, um estimulante para o ser, que, sem ele, ficaria retardado nas vias da sensualidade. A dor, física e moral, forma a nossa experiência. A sabedoria é o prêmio”.(8)


Se a vida do homem fosse um constante mar de rosas, ele não cresceria, não haveria objetivos a buscar, não desenvolveria a inteligência e o mundo estaria estagnado; contudo amadurecemos espiritualmente com as dificuldades da vida, nos embates que se apresentam diante de nós.


O número daqueles que se entregaram à existência lutando contra as adversidades da vida é muito grande, porque compreenderam que a finalidade da vida é conquistar os patamares mais elevados, mesmo quando as circunstâncias aparentemente conspiram contra o êxito; portanto, o homem é o artífice de si mesmo, construindo a sua desdita ou a sua ventura, de acordo com os seus pensamentos e a sua vontade, escolhe o melhor caminho a seguir, tomando a postura de Espírito eterno e filho de Deus.


“Ninguém, que se encontre no mundo em processo de crescimento e de saúde, que não experimente os camartelos definidores dos rumos para alcançar as cumeadas da felicidade. Vencer os impedimentos reais ou imaginários é a que se devem dedicar todos aqueles que anelam pela harmonia”, e digo mais, que anelam a felicidade.(9)


Aliás, aqui vamos nos reportar aos benefícios da caminhada para o corpo e para a mente; sem falar dos benefícios para o coração e pulmão, as caminhadas proporcionam sensação de alegria e relaxamento, devido a uma maior liberação da endorfina, que é um hormônio produzido pela hipófise, e que dá essa sensação de bem-estar, conforto, melhor estado de humor e alegria; quando uma pessoa começa a praticar exercícios, ela automaticamente produz endorfina, afastando a depressão.


Não restam dúvidas que os neurotransmissores, substâncias químicas produzidas pelos neurônios, como a dopamina, a serotonina e a noradrenalina e ocitocina, conhecidos como "hormônios do prazer”, interferem no cotidiano de nossas vidas e estão relacionados ao bem-estar geral. Estas substâncias regulam o humor, o sono, a atividade sexual, o apetite, o ritmo cardíaco, as funções neuroendócrinas, temperatura corporal, sensibilidade a dor, atividade motora e funções cognitivas. No caso da ocitocina, que estimula a sociabilidade, facilita a formação de laços de amizade e o estreitamento de ligações sentimentais, melhora o humor e reduz a ansiedade.


Quando os neurotransmissores se encontram em equilíbrio, sentimos a emoção certa para cada ocasião, levando a pessoa a um estado de alegria, de contentamento, o que na pesquisa denominou-se felicidade; porém, quando os neurotransmissores estão alterados, desorganizam-se o estado de humor, as emoções, a capacidade mental e o bem-estar físico, levando a pessoa ao estado de depressão, ou a outras síndromes.


Não podemos acreditar simplesmente que para superarmos e enfrentarmos os problemas da vida basta fazer o “jogo do feliz”, mero engodo. Não basta sorrirmos para fazer as pessoas acreditarem que está tudo bem, isso não é felicidade e não resolve o nosso problema. Felicidade é construção demorada, que vamos realizando em nosso íntimo, pelo trabalho e pelo sacrifício, com obediência e resignação diante das adversidades, caminhando segundo as Leis Divinas.


“A história da Criação, no livro de Moisés, idealizando o Senhor diante do abismo, simboliza a força da mente e perante o cosmo. “Faça-se a Luz - determinou a Divina Vontade - e a luz se fez sobre as trevas”. Por nossa vez, cada dia, proclamamos com as nossas ideias, atitudes, palavras e atos: -“Faça-se o destino!” E a vida nos traz aquilo que dela reclamamos. Os acontecimentos obedecem às nossas intenções e provocações manifestas ou ocultas. Encontraremos o que merecemos, porque merecemos o que buscamos. A existência, pois, para nós, em qualquer parte, será invariavelmente segundo pensamos.”(10)



Referências Bibliográficas:


(1) https://pt.wikipedia.org/wiki/Felicidade>;


(2) “O Livro dos Espíritos” – Allan Kardec – Q. 920;


(3) Idem (2) – Q. 922;


(4) Idem (2) – Q. 921;


(5) “O Ser Consciente” - Plenificação pela Felicidade – Espírito Joanna de Ângelis – Divaldo Franco;


(6) Idem (5);


(7) http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2012/09/07/pessoas-resilientes-tem-a-capacidade-de-dar-a-volta-por-cima-voce-e-uma-delas.htm>;


(8) “O Problema do Ser, do Destino e da Dor” - Evolução e finalidade da alma – Léon Denis;


(9) “Despertar do Espírito” – Desafios Afligentes - Espírito Joanna de Ângelis – Divaldo Franco;


(10) “Roteiro” – Nos Círculos da matéria - Espírito Emmanuel – Francisco Cândido Xavier.


* Glória Alves nasceu em 1º de agosto de 1956, na cidade do Rio de Janeiro. Bacharel e licenciada em Física. É espírita e trabalhadora do Grupo Espírita Auta de Souza (GEAS). Colaboradora do Espiritismo.net no Serviço de Atendimento Fraterno off-line e estudos das Obras de André Luiz, no Paltalk.