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Ativista que luta por brinquedos 'com deficiência' celebra Lego cadeirante


27 de março de 2016


Ativista que luta por brinquedos 'com deficiência' celebra lançamento de Lego cadeirante


Mariana Della Barba
Da BBC Brasil em São Paulo

"Meu coração quase parou! Eu comecei a dançar e a jogar bloquinhos de Lego para o alto, como se fossem confetes!"

Foi essa a reação da jornalista e ativista inglesa Rebecca Atkinson ao ficar sabendo que a gigante dinamarquesa Lego estava lançando bonequinhos cadeirantes.

Ela vem lutando há quase um ano, com sua campanha #ToyLikeMe ("brinquedo como eu", em tradução livre), para pressionar fabricantes de brinquedos a criar personagens com algum tipo de deficiência.

"A mensagem enviada por um Lego em uma cadeira de rodas vai muito além de um bonequinho amarelo de plástico. É algo incrivelmente importante porque mostra para as crianças com deficiências que agora elas estão incluídas na sociedade", argumenta Rebecca, em entrevista à BBC Brasil.

"Não poderia estar mais feliz, porque venho batalhando para mostrar à indústria de brinquedos que marginalizar 150 milhões de crianças deficientes não é aceitável", acrescenta.

Segundo estimativas da Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, entre 93 milhões a 150 milhões de crianças de zero a 18 anos em todo o mundo possui algum tipo de deficiência.

Apresentado pela primeira na Feira de Brinquedos de Nuremberg, no sul da Alemanha, o box integra a coleção "Fun in the Park" ("Diversão no Parque", em tradução livre), da linha City, e vem com 14 bonequinhos, incluindo um cadeirante ─ acompanhado de um cão-guia.

O box deve estar à venda no mercado europeu e americano a partir de junho deste ano. Nas lojas brasileiras, ele chegará em novembro, conforme informou a Lego à BBC Brasil.


Sininho de aparelho auditivo

A ideia de Rebecca surgiu ao notar que entre os brinquedos dos filhos não havia nenhum representando pessoas com deficiência.

Ela conta ter ficado "muito frustrada", já que cresceu usando aparelho auditivo e nunca se viu representada em nenhum lugar.

"Não havia pessoas surdas na TV, nos quadrinhos que eu lia e nem nos meu brinquedos", disse ela em uma entrevista anterior à BBC Brasil.

A jornalista então se uniu a mães que tinham filhos deficientes, e começaram a postar fotos de brinquedos com deficiências, normalmente feitos de maneira artesanal, que encontravam na internet.

Além disso, passaram a adaptar outros usando massinha, fios e materiais simples.

Mas o divisor de águas na iniciativa de Rebecca foi a personagem Sininho, a fada de Peter Pan, usando um implante coclear (aparelho auditivo). Ela postou a foto do brinquedo, feito de massinha, nas redes sociais e a imagem viralizou, sendo compartilhada por pais de todos os cantos do mundo cujos os filhos eram surdos ou tinham audição reduzida.

Rebecca decidiu então criar a #ToyLikeMe, cuja página no Facebook (https://www.facebook.com/toylikeme) reúne hoje mais e 32 mil seguidores, em 45 países, sendo 1,5 mil só no Brasil.

Depois da Sininho, outra campeã de compartilhamentos foi Elsa, princesa da animação infantil Frozen, junto com a hashtag #deafElsa ("Elsa surda", em tradução livre).

Há também personagens do Playmobil com cães-guia ou cadeira de rodas, bonecas com problemas de visão e usando bengalas, outras com manchas de nascença, princesas de óculos. Tudo adaptado por Rebecca.


Lutando contra estigmas

Rebecca acredita que personagens assim são importante pois se tornam fontes de inspiração para crianças deficientes ─ segundo ela, ao verem sua boneca favorita usar aparelho, fica mais fácil convencê-los de usar o deles, por exemplo. Além disso, as crianças entendem que não há problema em ser diferente, acrescenta.

A jornalista diz ainda que brinquedos desse tipo permitem ao público infantil ter uma representação mais positiva de deficiências, o que ajuda a derrubar velhos preconceitos.

O próximo passo da ativista é obter fundos suficientes, por meio de financiamento coletivo, para criar um site que conecte os produtos e os clientes.

"Recebo mensagens todos os dias de pais em busca de brinquedos que representem seus filhos. Há produtos feitos de maneira artesanal, mas são difíceis de achar. Por isso, quero reunir as informações sobre esses personagens em um só lugar."

Notícia publicada na BBC Brasil, em 13 de fevereiro de 2016.


Claudio Conti* comenta

Na visão espírita da humanidade, todos nós somos espíritos, criados iguais, sem privilégios, por Deus, o Pai. A forma como Deus estabeleceu a Criação dos espíritos sem privilégios, até onde conseguimos compreender, é serem criados simples e ignorantes. Por “simples” podemos entender sem vontades, sem preferências e, com isso, sem escolhas; por “ignorantes" podemos entender como baldos de conhecimento, pois, somente com a ausência de conhecimento se pode existir sem vontades e sem preferências.

Em O Livro dos Espíritos encontramos a informação que, na Criação, o espírito é provido apenas das Leis de Deus. Não devemos interpretar esta afirmação como um código escrito na consciência, tal qual as leis humanas são escritas em papel.

As Leis de Deus escritas na consciência pode ser interpretado como o sentimento inato de que algo maior existe, independentemente daquilo que podemos observar. Esse sentimento inato é a existência de Deus e que nos conduz à busca de atingir nossa posição na Obra da Criação.

Contudo, não observamos uma busca generalizada nos seres humanos encarnados que se assemelhe à busca de Deus. Isto, portanto, deve ser decorrente das opções dos espíritos aqui encarnados, com, cada qual, apresentando tendências diferentes, porém semelhantes a tal ponto para que nos auxiliemos uns aos outros.

Desta forma, dentre as diferenças e semelhanças, fomos, ao longo das encarnações, auxiliando uns aos outros mutuamente e, com isso, as diferenças tenderam a diminuir. A diversidade inicial no povoamento do planeta foi-se, com o tempo, diminuindo e, apesar da diversidade material, tais como raças e condições, trazemos um sentimento inato de que somos todos iguais e, com isso, o sentimento de inclusão.

Podemos, portanto, caracterizar os movimentos de inclusão social como um certo avanço espiritual. Contudo, este avanço ainda não pode ser considerado como bem estabelecido, por isso, vemos situações de agressividade e palavras rudes por parte de algumas pessoas ou grupos, tentando estabelecer a igualdade de forma impositiva sem compreender as dificuldades pessoais e alheias.

Todo processo de mudança deve ser conduzido pacífica e tranquilamente, pois os espíritos que habitam o globo se encontram em momentos evolutivos diferentes.

A inclusão social é um processo gradual que demanda mudança de paradigma. Diante disto, devemos, como espíritas, repensar nossos próprios valores e conceitos.

A humanidade ligada ao planeta vive na condição de expiação e provas, na qual estamos expostos às mais diferentes situações que podem nos causar alguma espécie de dano. Assim, podemos nos considerar como um único e grande processo de expiação coletiva, no qual as dificuldades vivenciadas por muitos são decorrentes de todo o mal que ainda persiste no planeta.

Seria adequado, portanto, a inclusão social espírita, onde deixaríamos de rotular este ou aquele grupo que vivencia certa condição de dificuldade como devedores desta ou daquela forma, que malbarataram isto ou aquilo.

Somos todos igualmente devedores e equivocados, necessitando compreender e ser compreendidos.

Nada acontece por acaso, isto é uma verdade inquestionável, portanto, se estamos, você e eu, em um mundo de expiação e provas, não é por acaso.

* Claudio Conti é graduado em Química, mestre e doutor em Engenharia Nuclear e integra o quadro de profissionais do Instituto de Radioproteção e Dosimetria - CNEN. Na área espírita, participa como instrutor em cursos sobre as obras básicas, mediunidade e correlação entre ciência e Espiritismo, é conferencista em palestras e seminários, além de ser médium pscógrafo e psicifônico (principalmente). Detalhes no site www.ccconti.com.