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Crianças aprendem robótica antes da alfabetização


7 de setembro de 2015


Crianças aprendem robótica antes da alfabetização


Para idealizadora do projeto, uma das metas é mostrar aos pequenos que, na nossa relação com a tecnologia, não precisamos ser apenas consumidores – também podemos criar

por Equipe Caminhos para o Futuro

Visita à horta, contação de histórias, brincadeiras de roda e, uma vez por semana, aula de robótica. Assim é a rotina das crianças de 4 a 6 anos na creche da Universidade de São Paulo em São Carlos, a 240 km da capital. Elas podem ainda não saber como escovar os dentes direito – mas já estão aprendendo a construir e programar robôs.

O projeto, que começou em março de 2015 com previsão de seis meses, foi tão bem-sucedido que agora segue por tempo indeterminado. Sua idealizadora, Roseli Romero, já planeja alguns filhotes: artigos científicos e um livro sobre a experiência estão a caminho. Mais ambiciosa é a possibilidade de transmitir essa ideia para outras creches, formando professores e divulgando propostas pedagógicas. Roseli já foi procurada por várias escolas e tem conversado com a prefeitura de São Carlos sobre a possibilidade de incluir aulas de robótica na rede pública.

Matemática de formação, com mestrado em computação e doutorado em engenharia elétrica, Roseli se envolveu com robótica no pós-doutorado em Carnegie Mellon, sob orientação de Sebastian Thrun, o pesquisador que liderou a criação do carro autônomo do Google.


Pensando como um robô

A robótica já integra a grade curricular de algumas escolas privadas (como as da rede de colégios Marista) e públicas, como ocorre em Curitiba (PR), Mogi das Cruzes (SP) e Recife (PE). Mas o foco é o ensino fundamental. E Roseli se perguntou: por que não testar a ideia numa creche?

Ela montou um plano de aulas com atividades que transmitissem conceitos específicos e dois monitores entraram no projeto para lidar diretamente com as turmas. Primeiro, as crianças foram apresentadas às diferentes partes de um robô. Em seguida, aprenderam que ele não “vê” o ambiente como um ser humano, mas sim por meio de sensores. Depois, descobriram que elas mesmas poderiam programar esses sensores no computador, transmitindo ao robô instruções como “siga a linha preta no chão”.

Com o tempo, os pequenos chegaram a outro conceito importante para a robótica: eles constataram que a programação precisa levar em conta o ambiente onde o robô está. A instrução “siga a linha preta”, por exemplo, não dá muito certo se a linha preta seguir por uma rampa – aí é preciso reprogramar para que o robô faça mais força na subida.

É um conhecimento complexo, mas que não depende da alfabetização ou familiaridade com números, afirma Roseli. Nos kits usados pelas crianças, elas programam por meio de setinhas – escolhendo se, diante de um obstáculo, o robô deve ir para a esquerda ou direita, por exemplo.

De brinde, o projeto trouxe novas oportunidades para o trabalho em equipe. “As crianças montam e programam o robô juntas. E, quando alguma coisa não dá certo, uma delas logo se oferece para tentar resolver”, conta Roseli.


Conhecimento de impacto

Mas o principal ganho, na opinião da pesquisadora, virá se as crianças aprenderem que – também em relação à tecnologia - elas têm a possibilidade de criar, em vez de se contentar com produtos e soluções que já vêm prontos. “Pode fazer uma diferença muito grande na formação deles saber que não precisam só apertar os botões dos joguinhos, mas também criar os próprios joguinhos”, afirma a pesquisadora, destacando a importância dessa mudança de mentalidade para o futuro do país.

Nesse sentido, o ensino de robótica traz algumas vantagens, como a capacidade de envolver diretamente o aluno, proporcionar um contato mais amplo com tecnologias integradas e estimular o desenvolvimento de novos produtos. “Cada vez mais, esse conhecimento vai causar impacto no nosso desenvolvimento econômico”, defende Roseli.

Dentro de poucas décadas, essas crianças que estarão nas empresas, centros de pesquisa e órgãos públicos. Que bom será se crescerem sem perder a curiosidade, a coragem de errar e o desejo de criar algo novo.

Matéria publicada na Revista Galileu, em 29 de julho de 2015.


Claudio Conti* comenta

A criança possui um cérebro que podemos comparar a uma tela em branco, necessitando de informação para montar uma representação do mundo exterior. Essa “tela em branco” nos estágios iniciais da encarnação é fundamental para que possa receber orientação adequada e com capacidade de assimilação para que possa, aos poucos, estabelecer padrões comportamentais sadios visando suplantar padrões inadequados que possam ter sido desenvolvidos ao longo de outras encarnações.

A questão 385 d’O Livro dos Espíritos traz uma descrição dos processos envolvidos no desenvolvimento moral do espírito encarnado no período da infância-adolescência. Como a resposta é longa, transcreveremos a seguir apenas as partes necessárias para esclarecimento relacionado com este texto.

385. Que é o que motiva a mudança que se opera no caráter do indivíduo em certa idade, especialmente ao sair da adolescência? É que o Espírito se modifica?

“É que o Espírito retoma a natureza que lhe é própria e se mostra qual era."
“Não conheceis o que a inocência das crianças oculta. Não sabeis o que elas são, nem o que foram, nem o que serão…”
"…julgando seus filhos bons e dóceis, os pais lhes dedicam toda a afeição e os cercam dos mais minuciosos cuidados. Desde que, porém, os filhos não mais precisam da proteção e assistência que lhes foram dispensadas durante quinze ou vinte anos, surge-lhes o caráter real e individual em toda a nudez. Conservam-se bons, se eram fundamentalmente bons; mas, sempre irisados de matizes que a primeira infância manteve ocultos."
“A infância ainda tem outra utilidade. Os Espíritos só entram na vida corporal para se aperfeiçoarem, para se melhorarem. A delicadeza da idade infantil os torna brandos, acessíveis aos conselhos da experiência e dos que devam fazê-los progredir. Nessa fase é que se lhes pode reformar os caracteres e reprimir os maus pendores. Tal o dever que Deus impôs aos pais, missão sagrada de que terão de dar contas."

O desenvolvimento da capacidade intelectual possibilitará melhor entendimento da necessidade de conduta consoante a moral e bons costumes o que, por sua vez, auxiliará o espírito a trabalhar suas más tendências.

Segundo o texto da reportagem em análise, as aulas de robótica não são direcionadas exclusivamente para a questão tecnológica, mas inclui uma apreciação espacial, por parte das crianças, e do meio que as cerca, com caminhos a seguir e as necessidades daí decorrentes.

Segundo nosso entendimento, possibilita o desenvolvimento da relação da criança com o meio e, inclusive, trabalho em grupo para vencer as dificuldades, o que corresponde a uma parcela do que é denominado de “inteligência emocional”. A inteligência emocional inclui a capacidade do indivíduo se adequar e responder às condições do meio e de interação com os demais.

É fundamental, para o bom desenvolvimento, que crianças recebam estímulos suficientes e variados para que possam desenvolver a capacidade de análise, raciocínio e resposta, para que, ao atingirem a idade adulta, esteja plenamente integrados com a comunidade e com as adversidades que surgirem ao longo de sua vida.

Contudo, é imperioso não sobrecarregar com estímulos em excessos, deixando parte de seu dia para que procure, por si só, aquilo que lhes interessa visando, com isso, o desenvolvimento da imaginação e da criatividade. O tédio é a ferramenta que impulsiona o ser ao desenvolvimento criativo.

* Claudio Conti é graduado em Química, mestre e doutor em Engenharia Nuclear e integra o quadro de profissionais do Instituto de Radioproteção e Dosimetria - CNEN. Na área espírita, participa como instrutor em cursos sobre as obras básicas, mediunidade e correlação entre ciência e Espiritismo, é conferencista em palestras e seminários, além de ser médium pscógrafo e psicifônico (principalmente). Detalhes no site www.ccconti.com.