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Menino de 5 anos é mais jovem técnico de computação do mundo


21 de março de 2015


Menino de 5 anos é mais jovem técnico de computação do mundo


Britânico passou no teste de Windows da Microsoft

Um garoto britânico de cinco anos se tornou o mais jovem especialista em computação do mundo, ao passar no teste da Microsoft e conseguir um certificado de técnico profissional em Windows. As informações são do Daily Mail.

Segundo a publicação, Ayan Qureshi é agora o mais novo técnico em informática do mundo. Com o certificado, ele desbancou o recorde de Mehroz Yawar, um menino que conseguiu o certificado com 6 anos, no Paquistão.

Ayan foi introduzido ao mundo dos computadores quanto tinha 3 anos, pelo seu pai, Asim Qureshi, 43 anos, um consultor de TI, na cidade de Coventry, na Inglaterra.

O menino sabe instalar e realizar a manutenção de softwares e hardwares em computadores que utilizam o Windows. Ele sabe, inclusive, como instalar versões diferentes do sistema operacional.

"Ele gosta de jogar jogos no computador, assim como qualquer criança, mas agora está mais interessado em como eles funcionam", disse seu pai.

Terra

Notícia publicada no Portal Terra, em 14 de novembro de 2014.


André Henrique de Siqueira* comenta

Uma criança com habilidades extraordinárias sempre impressiona. E não são raros os casos de crianças prodígio...

Mozart, aos cinco anos de idade, tocava piano e violino como um virtuose, compunha, se apresentava para a realeza europeia, impressionando a todos com seu fabuloso talento.

Blaise Pascal escrevia tratados filosóficos aos nove anos de idade.

Aos treze anos de idade, André_Marie Ampère escrevia tratados de geometria. Carl Friedrich Gauss escreveu seu primeiro trabalho matemático aos 10 anos. Srinivasa Ramanujan aprendeu matemática avançada com a idade de 11 anos, tornando-se um dos maiores matemáticos indianos de todos os tempos. Norbert Wiener, o criador da Cibernética, iniciou seus estudos de graduação universitárias aos 14 anos de idade, e aos 18 concluíu seu PhD com uma dissertação em lógica-matemática. Anne-Marie Imafidon, uma menina de pais nigerianos, foi a mais nova estudante da famosa Universidade de Oxford, aos 15 anos de idade, aos 19 concluiu seu mestrado naquela universidade. Jean Piaget publicou um artigo sobre papagaios albinos com apenas 11 anos de idade. Jonh Barratier falava alemão, latim, francês e holandês aos 4 anos de idade, aos 11 dominava 12 idiomas... Saul Kripke, famoso lógico moderno, foi convidado para assumir a cadeira de professor de lógica na universidade de Harvard quando ainda era um adolescente. Sua resposta foi: "Se minha mãe deixar, eu posso me matricular...", julgando que o convite era para ser aluno naquela universidade...

Os exemplos se multiplicam... Tantos que a explicação para eles fez movimentar muitos pesquisadores e resultou em diferentes teorias.

Para Ruthsatz e Urbachb (2012), a condição de crianças prodígios está relacionada a um tipo moderado de autismo, no qual a extraordinária memória possibilita um raciocínio fora do comum.

Larry R. Vandervert (2009, 2009a), um dos mais renomados estudiosos do assunto, assevera que o desenvolvimento de determinadas funções do cerebelo respondem por fatores correlacionados ao desenvolvimento de capacidades notáveis nas crianças prodígio, indicando estar nesta área do cérebro a causa do comportamento extraordinário. O desenvolvimento da memória em conjunto com a especialização do cerebelo ofereceriam um controle extraordinário sobre as funções da atenção e da emoção, causando um sofisticado complexo de emoções-atenções que resultariam no desenvolvimento especializado em determinadas áreas do conhecimento.

A perspectiva da neurociência naturalmente aborda a questão em termos das funcionalidades cerebrais. Mas é possível adicionar ao tema a perspectiva espírita.

Em 1860, na Revista Espírita de julho, Kardec trata do tema em artigo sobre a Frenologia e Fisiognomonia. Neste artigo ele destaca:

A frenologia é a ciência que trata das funções atribuídas a cada parte do cérebro. O Dr. Gall, fundador dessa ciência, pensava que, desde que o cérebro é o ponto onde terminam todas as sensações, e de onde partem todas as manifestações das faculdades intelectuais e morais, cada uma das faculdades primitivas deveria ter ali o seu órgão especial. Assim, seu sistema consiste na localização das faculdades. (...) Das relações existentes entre o desenvolvimento do cérebro e a manifestação de certas faculdades, concluíram alguns cientistas que os órgãos do cérebro são a própria fonte das faculdades, doutrina que não passa de materialismo, porque tende para a negação do princípio inteligente, estranho à matéria. (...) Na infância, como o sistema ósseo oferece pouca resistência, o crânio sofre a influência do movimento expansivo da massa cerebral. Assim, o desenvolvimento do crânio é produzido pelo desenvolvimento do cérebro, como o desenvolvimento do cérebro é produzido pelo de sua faculdade. A faculdade é a causa primeira; o estado do cérebro é um efeito consecutivo. Sem a faculdade não existiria o órgão, ou ele seria apenas rudimentar. Encarada sob este ponto de vista, como se vê, nada tem a frenologia de contrário à moral, porque deixa ao homem toda a sua responsabilidade, e acrescentamos que esta teoria é, ao mesmo tempo, conforme à lógica e à observação dos fatos.

Embora o tema da Frenologia já tenha sido superado no âmbito da pesquisa científica - no que concerne ao formato do crânio - o tema de seus estudos hoje ressurge no âmbito da neurociência, com outros fundamentos, sob outra ótica. Entretanto, os argumentos ponderados por Kardec, parecem aplicar-se adequadamente ao tema.

Apresentando uma dissertação sobre o Cretinismo - termo utilizado à época para descrever pessoas que já nasciam com manifestações de loucura ou idiotia - Kardec expõe a opinião do Espírito Pierre Jounty, no qual ele afirma:

Os cretinos são seres punidos na Terra pelo mau uso feito de poderosas faculdades. Sua alma está aprisionada num corpo cujos órgãos impotentes não podem exprimir seu pensamento. Esse mutismo moral e físico é uma das mais cruéis punições terrestres. Frequentemente é escolhida pelos Espíritos arrependidos que querem resgatar suas faltas. Essa prova não é estéril, porque o Espírito não fica estacionário na prisão da carne. Os olhos embrutecidos veem; o cérebro deprimido concebe, mas nada pode ser traduzido pela palavra ou pelo olhar e, salvo o movimento, estão moralmente no estado dos letárgicos e dos catalépticos, que veem e ouvem o que se passa ao seu redor sem poderem exprimi-lo. Quando, em sonho, tendes esses terríveis pesadelos, nos quais quereis fugir de um perigo; quando soltais gritos para pedir socorro, enquanto a língua fica presa ao palatino e os pés ao solo, experimentais por um instante aquilo que o cretino experimenta sempre: paralisia do corpo ligada à vida do Espírito.

Podemos raciocinar que, da mesma forma que o cérebro não é a causa da idiotia ou loucura, não pode ser da condição extraordinária das crianças pródigio.

Em O Livro dos Espíritos, Kardec trata do assunto na questão 375 e 375(a). E em O Céu e o Inferno, encontramos a evocação de um louco ainda encarnado, cujas respostas, também apontam para as limitações que o cérebro pode impor, sem afetar o Espírito.

Desta forma, podemos raciocinar por analogia, que da mesma forma como o cérebro não pode tirar a lucidez do Espírito, também não pode dá-la. O desenvolvimento cerebral poderá facilitar a expressão do Espírito que possui as faculdades de compreensão de entendimento, as quais são responsáveis pela manifestação de extraordinários feitos nas crianças prodígio.

Primeiro devemos considerar que o cérebro tem participação do processo, mas uma participação funcional, instrumental. Ele oferece as condições para a manifestação das características que o Espírito traz em suas aquisições de aprendizagem. Sem que, necessariamente, o Espírito tenha desenvolvido esta ou aquela habilidade, temos na questão Espíritos que avançaram no aprendizado como um todo.


Referências

J. Ruthsatza, J. B. Urbachb. Child prodigy: A novel cognitive profile places elevated general intelligence, exceptional working memory and attention to detail at the root of prodigiousness. Intelligence. Volume 40, Issue 5, September–October 2012, Pages 419–426. On-line. Disponível em http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0160289612000761>, acessado em 20/02/2015;

L. R. Vandervert. The Appearance of the Child Prodigy 10,000 Years Ago: An Evolutionary and Developmental Explanation. The Journal of Mind and Behavior Winter and Spring 2009, Volume 30, Numbers 1 and 2 Pages 15–32. On-Line. Disponível em http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.372.3296&rep=rep1&type=pdf>, acessado em 10/03/2015;

L. R. Vandervert. Working Memory, the Cognitive Functions of the Cerebellum and the Child Prodigy. in: International Handbook on Giftedness, pp 295-316. Shavinina, LarisaV (ed.) Springer: Netherlands. 2009(a);

Kardec, A. Revista Espírita. Julho de 1860. On Line. Disponível em http://www.ipeak.com.br/site/index.php?idioma=1>, acessado em 10/03/2015.

* André Henrique de Siqueira é bacharel em ciência da computação, professor e espírita.