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Aborto de meninas se espalha para o Leste Europeu como 'epidemia', alerta ONU


27 de dezembro de 2014



Aborto de meninas se espalha para o Leste Europeu como 'epidemia', alerta ONU




Feticídio feminino afeta países que não tinham histórico de tais práticas, como Albânia, Kosovo e Macedônia


por REUTERS


NOVA DELHI - A prática do aborto de fetos do sexo feminino devido a uma preferência por meninos é uma "epidemia" que está se espalhando para além de países como Índia e China, atingindo agora nações do Leste Europeu, advertiu um alto funcionário da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira.

O chefe da divisão de gênero do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês), Luis Mora, disse que pesquisas nos últimos anos identificaram que o desejo por bebês do sexo masculino e o acesso à tecnologia foram os principais responsáveis pelos mais elevados índices de seleção do gênero em nível global na região do Cáucaso, ao longo da fronteira da Europa-Ásia entre os mares Negro e Cáspio.

- Por muitos anos, temos observado a preferência por meninos e a seleção do gênero de um ponto de vista que está muito concentrado nos casos da Índia e da China - disse Mora, durante um simpósio de quatro dias sobre o envolvimento de homens e meninos na igualdade de gênero.

- Mas temos aprendido nos últimos anos que a Índia e a China não são mais as exceções. Vimos como a discriminação, a preferência por meninos e todas as questões relacionadas têm progressivamente se espalhado para países que nunca antes tínhamos pensado que poderiam praticar a escolha do gênero, como os países do Leste Europeu.


ABORTO DE FETOS FEMININOS

Mora disse que o fato de o feticídio feminino estar acontecendo nos países que, anteriormente, não tinham histórico de tais práticas, como Albânia, Kosovo e Macedônia, indicava que a discriminação de gênero era uma "epidemia", comparando-a ao vírus mortal ebola.

De acordo com um estudo de agosto de 2013 da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, biologicamente 105 meninos nascem para cada 100 meninas. No entanto, na Armênia e no Azerbaijão mais de 115 meninos nascem para cada 100 meninas, e na Geórgia a proporção é de 120 homens para cada 100 mulheres.

Como resultado, o UNFPA estima que em países como a Armênia haverá a falta de cerca de 93 mil mulheres em 2060 se a alta taxa de seleção de gênero no pré-natal permanecer inalterada.

Especialistas em gênero dizem que a estrutura patriarcal é uma das principais razões para a proporção sexual enviesada. Uma "cultura do aborto" herdada do período soviético e o fácil acesso a tecnologias que permitem aos pais saber o sexo do seu filho antes do nascimento são outros fatores importantes.

- Acho que isso é um aviso - disse Mora. - Por trás dessa situação há uma forte e grave advertência sobre como as desigualdades de gênero, a violência, a preferência por meninos e outras práticas nocivas podem realmente tornar-se universal.



Notícia publicada no Jornal O Globo, em 11 de novembro de 2014.




Nara de Campos Coelho* comenta

A notícia para nossa análise de hoje fala de dois crimes. Ambos bárbaros. O primeiro é o aborto, tranquilamente mencionado nos países ali nomeados. Não se quer a criança e pronto. Nessas regiões, o aborto passou a ser uma questão corriqueira e até determinado pelo governo em situações específicas. Isto nos mostra o degradado estágio moral do país, que se abre para o sofrimento, via retorno dos Espíritos sacrificados pelo materialismo que dá as ordens, tanto objetivas quanto subjetivas.

O Espiritismo nos ajuda a entender a finalidade da vida, que é, falando resumidamente, a busca pela evolução integral. Quanto mais nos desarmonizamos com as Leis Divinas, mais sofremos. E o aborto é uma transgressão dessas Leis. Como não sofrer se tiramos, brutalmente, a chance de um filho de Deus, confiado por Ele a nós, para evoluir? Matar a chance deste acontecimento divino é desrespeitar todas as leis de amor criadas pelo Pai e exemplificadas por Jesus. E como vivemos sob a égide da lei de causa e efeito, a dor ali se instala, até que entendamos a necessidade imperiosa de amar, perdoar e servir, sempre, para que haja a vitória do Espírito sobre a matéria.

Nas nuances do sofrimento são estipuladas os ditames da lei. Para cada caso podemos entrever a ação divina. Se a lei humana estabelece atenuantes, a de Deus, que é de amor e de justiça nos ensina a sabedoria de observá-la, cumprindo-a.

Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, nos deixa claro que o aborto anula uma existência. Assim, ele é a causa de muitas frustrações para muitos Espíritos, que se vingam ou se revoltam ou se fazem obsessores dos agentes do crime, ampliando seu campo de ação em dificuldades de muitos matizes. Então, como não sofrer?

O segundo crime citado e que agrava ainda mais o primeiro é a seleção de gênero. Alguns países até obrigam, por meio de leis, os casais a promoverem o aborto, quando o filho que esperam é do gênero feminino. É o preconceito levado às últimas consequências! Ignorância máxima das leis divinas! Eis que reencarnamos para progredir e ajudar a sociedade a crescer, o que independe do gênero. Nem a predominância do materialismo pode afirmar que a mulher oferece menos do que o homem para este progresso. Além do que, quem somos nós para desafiar as leis divinas, interferindo em sua ação? Se o fazemos, como não sofrer?

O Espiritismo nos ensina a entender as leis que nos governam a vida de Espíritos encarnados, orientando-nos sobre a melhor forma de agir, para evitarmos o sofrimento. A nada estamos obrigados, mas é questão de inteligência seguir os postulados que nos dão lucidez e bom-senso ante as questões fundamentais da existência. E é essa doutrina que, falando-nos à razão e ao sentimento, traz dos Espíritos superiores a mensagem de que o aborto só é tolerado quando for para salvar a vida da mãe que, pela voz dos Espíritos, é uma vida pronta. Se queremos ser felizes e ter paz, não podemos voltar as costas para os ensinamentos daquele que aceitamos como Amigo Maior e Mestre, que nos disse “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém irá ao pai senão por mim.” E “ir ao Pai” significa entender-Lhe as leis, vivenciando-as para nos tornar verdadeiros “filhos de Deus” e, assim, “bem-aventurados”, por termos ouvido a palavra de Deus e a seguido, como nos alerta o Apóstolo Paulo.

Quanto às leis retrógradas de tantos países moralmente atrasados, que elas nos sirvam de alerta. Que estejamos atentos para com os políticos que elegemos, as ideologias políticas que abraçamos, para que não mergulhemos o nosso país no pântano do atraso moral, abrindo as portas da reencarnação para os que se sustentam na injustiça e na imoralidade, causando-nos a cristalização de dores violentas e profundas feridas morais. Que sejamos justos, honestos e dignos seguidores de Jesus para sermos tidos por ele como obreiros de sua seara, merecendo, assim, uma Pátria feliz e equilibrada, onde evoluamos em paz!



* Nara de Campos Coelho, mineira de Juiz de Fora, formada em Direito pela Faculdade de Direito da UFJF, é expositora espírita nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, articulista em vários jornais, revistas e sites de diversas regiões do país.