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Brasil é o 8º país com mais suicídios no mundo, aponta relatório da OMS


5 de dezembro de 2014



Brasil é o 8º país com mais suicídios no mundo, aponta relatório da OMS




Estudo diz que a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo. País com mais mortes é a Índia, segundo a agência das Nações Unidas.


Do G1, em São Paulo


Novo relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde, a OMS, chama a atenção de governos para o suicídio, considerado “um grande problema de saúde pública” que não é tratado e prevenido de maneira eficaz.

Segundo o estudo, 804 mil pessoas cometem suicídio todos os anos – taxa de 11,4 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes. De acordo com a agência das Nações Unidas, 75% dos casos envolvem pessoas de países onde a renda é considerada baixa ou média.

O Brasil é o oitavo país em número de suicídios. Em 2012, foram registradas 11.821 mortes, sendo 9.198 homens e 2.623 mulheres (taxa de 6,0 para cada grupo de 100 mil habitantes). Entre 2000 e 2012, houve um aumento de 10,4% na quantidade de mortes – alta de 17,8% entre mulheres e 8,2% entre os homens. O país com mais mortes é a Índia (258 mil óbitos), seguido de China (120,7 mil), Estados Unidos (43 mil), Rússia (31 mil), Japão (29 mil), Coreia do Sul (17 mil) e Paquistão (13 mil).

O levantamento diz ainda que a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio e apenas 28 países do mundo possuem planos estratégicos de prevenção. A mortalidade de pessoas com idade entre 70 anos ou mais é maior, de acordo com a pesquisa.


Dificuldades

Para a OMS, o tabu em torno deste tipo de morte impede que famílias e governos abordem a questão abertamente e de forma eficaz. “Aumentar a conscientização e quebrar o tabu é uma das chaves para alguns países progredirem na luta contra esse tipo de morte”, diz o relatório.

O estudo da OMS aponta que os homens cometem mais suicídio que as mulheres. Nos países ricos, a taxa de mortalidade de pessoas do sexo masculino é três vezes maior que a de óbitos envolvendo o sexo feminio.

Sobre as causas, o relatório afirma que em países desenvolvidos a prática tem relação com desordens mentais provocadas especialmente por abuso de álcool e depressão. Já nos países mais pobres, as principais causas das mortes são a pressão e o estresse por problemas socioeconômicos.

Muitos casos envolvem ainda pessoas que tentam superar traumas vividos durante conflitos bélicos, desastres naturais, violência física ou mental, abuso ou isolamento.


Resposta nacional

De acordo com a OMS, uma maneira de dar uma resposta nacional a este tipo de morte é estabelecer uma estratégia de prevenção, como a restrição de acesso a meios utilizados para o suicídio (armas de fogo, pesticidas e medicamentos), redução do estigma e conscientização do público. Também é preciso fomentar a capacitação de profissionais da saúde, educadores e forças de segurança, segundo o estudo.

Para a agência, os serviços de saúde têm que incorporar a prevenção como componente central. “Os transtornos mentais e consumo nocivo de álcool contribuem para mais casos em todo o mundo. A identificação precoce e eficaz são fundamentais para conseguir que as pessoas recebam a atenção que necessitam”.


Morte de Robin Williams

O suicídio do ator Robin Williams, ocorrido há menos de um mês, reacendeu o debate sobre o tema. O histórico de depressão e de dependência de álcool, características apresentadas pelo ator Robin Williams, são dois importantes fatores de risco para o suicídio.

O ator de 63 anos morreu no dia 11, depois de se enforcar com um cinto, de acordo com a polícia local. Segundo a agente do ator, Mara Buxbaum, ele estava lutando contra uma depressão severa e já tinha sido internado várias vezes em clínicas de reabilitação por problemas com drogas e álcool. A última internação foi em julho.

Segundo o psiquiatra Geraldo Possendoro, professor convidado de Medicina Comportamental da Unifesp, em mais de 90% dos casos de suicídio, a pessoa já tinha alguma doença psiquiátrica. Ele acrescenta que não é incomum que pessoas com depressão e que não são tratadas adequadamente recorram a drogas e álcool para aliviar o sofrimento.

A psicóloga Karen Scavacini, cofundadora do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio, afirma que além dos sinais diretos que a pessoa emite quando tem a intenção de se matar – falar explicitamente que quer morrer, por exemplo – alguns sinais indiretos também podem ser percebidos.

“A pessoa começa a se despedir de parentes e amigos, pode apresentar muita irritabilidade, sentimento de culpa, choros frequentes. Também pode começar a colocar as coisas em ordem e ter uma aparente melhora de um quadro depressivo grave, de uma hora para outra. Muitas vezes, isso significa que já se decidiu pelo suicídio, por isso fica mais tranquila. É a falsa calmaria”, diz. Comportamentos de risco desnecessários podem ser observados nesse período.



Notícia publicada no Portal G1, em 4 de setembro de 2014.




Nara de Campos Coelho* comenta

Mais uma triste colocação do Brasil no cenário internacional. Eis que ele se coloca em 8º lugar entre os países com maior índice de suicídios no mundo!

Com o Espiritismo, sabemos que viemos à Terra para a conquista da evolução integral. Para o conseguirmos, enfrentamos problemas de vários matizes que nos são provocados na luta pelo crescimento, não só material como espiritual. Aqui podemos incluir os problemas morais e psicológicos. Para enfrentar essas batalhas, somos dotados por Deus de vários instintos de proteção, inclusive o da sobrevivência. Assim, ir contra tais instintos não é natural. Desejar e preparar a própria morte, efetivando-a, é uma atitude incompatível com a conduta de filhos de Deus que devem obediência às Suas Leis. Essas leis têm a missão sagrada de nos possibilitar a elevação, a cada encarnação, acreditemos ou não nesses postulados.

Por que tantas pessoas se suicidam, fugindo do objetivo superior de sua presença na Terra? Muitos são os casos e cada um tem a sua particularidade. Todos eles, entretanto, atestam o domínio da matéria sobre o Espírito, demonstrando o desconhecimento das Verdades Eternas. Percebemos, claramente, que a apregoada religiosidade fica no campo do misticismo e não da convicção.

O materialismo exacerbado, a sede de poder e de amealhar fortuna, o objetivo de alcançar sucesso profissional a qualquer custo, as dificuldades amorosas e familiares, têm levado aos abismos da inconsciência muitas almas sensíveis que, por isto, alistaram-se nas escolas da dor.

Certa vez, tratando deste assunto, um Espírito nos orientou, dizendo uma frase inesquecível: “O suicídio é o apogeu do orgulho e o suprassumo do egoísmo”. O que faria um Espírito caridoso dizer uma frase tão dura? Alertava-nos para a realidade feroz com que estas duas manchas da sociedade envolvem o pensamento de suas vítimas, que se vai deteriorando, na medida em que também é alimentado por acompanhantes desencarnados, que o induzem à tentação do desrespeito para com as leis divinas.

Kardec ao tratar do assunto nos aclara o entendimento, deixando-nos com a certeza da nossa responsabilidade espiritual sobre a própria vida. E este colóquio íntimo, pleno das novas ideias atestadas pelo Espiritismo, nos faz perceber o quanto é importante a nossa passagem pelas dores e dificuldades, que nos amadurecem e nos colocam em dia com o passado, quando orgulho e egoísmo ainda comandavam as decisões. Graças à Doutrina Espírita, conseguimos perceber que, tresloucados, os suicidas em potencial trouxeram para a nova encarnação os sentimentos de superioridade que os induzem a desprezar as decisões do Alto, das quais todos precisamos para assumir o controle de nossos destinos. A partir deste conhecimento, o suicídio assume a sua real condição de crime contra as leis divinas, passando a ser rechaçado por todos os que percebem que a vida é eterna e se manifesta na Terra tantas vezes quantas as necessárias ao nosso aperfeiçoamento integral.

Além destes conhecimentos, que nos mudam o enfoque da vida, Kardec faz um comentário muito importante para fechar questão sobre a compreensão do logro que é o suicídio. Diz ele: ”A religião, a moral, todas as filosofias condenam o suicídio como contrário às leis da Natureza. Todos nos dizem, em princípio, que ninguém tem o direito de abreviar voluntariamente a vida. Mas por que não se tem esse direito? Por que o homem não é livre para por termo aos seus sofrimentos? Estava reservado ao Espiritismo demonstrar, pelo exemplo dos que sucumbiram, que o suicídio não é uma falta apenas por constituir infração de uma lei moral, consideração de pouco peso para certos indivíduos, mas em um ato estúpido, pois que nada ganha quem o pratica, antes é o contrário que se dá. Não é pela teoria que o Espiritismo nos ensina isso, mas pelos fatos que ele nos põe sob as vistas.”

Suicídio não nos livra das dores, ao contrário, eleva o seu nível. Sofremos mais quando fazemos uso deste artifício; tanto no Plano Espiritual, quanto nas vidas sucessivas aqui na Terra.

“Sabe, meu filho, quando estavas na Terra e recorreste ao suicídio, transpuseste em meu peito um punhal de árdua sementeira. E em meus olhos um mar de lágrimas que, até hoje, séculos depois, não se extinguiu. Neste momento, velo teu sono no corpo frágil e deformado que seu insano ato gerou. Sou pai dedicado, como antes não fui... Incuto-lhe na alma que não se manifesta, as leis divinas e santas que precisamos aprender a seguir!” Palavras de um pai que tenta consertar o passado faltoso, com dolorosas consequências...

Quem quer uma cena destas para si ou para o próprio filho?

A vida nos chama para cumprir as etapas do indispensável aprimoramento, para o qual Jesus é o nosso modelo. Suicídio? Não faz parte de seu roteiro de amor. O Brasil precisa acordar!



* Nara de Campos Coelho, mineira de Juiz de Fora, formada em Direito pela Faculdade de Direito da UFJF, é expositora espírita nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, articulista em vários jornais, revistas e sites de diversas regiões do país.