Espiritismo .NET

Físico explica por que a alma pode existir


7 de dezembro de 2014



Físico explica por que a alma pode existir




Por Tara MacIsaac, Epoch Times em Ciência e Tecnologia - Além da Ciência



O universo é cheio de mistérios que desafiam o nosso conhecimento. Em “Além da Ciência”, o Epoch Times coleciona histórias sobre fenômenos estranhos ou ainda inexplicáveis para assim estimular a imaginação do leitor a pensar em coisas anteriormente inimagináveis. Se você deve ou não acreditar, quem decide é você.

Henry P. Stapp é um físico teórico da Universidade da Califórnia-Berkeley e que trabalhou com alguns dos fundadores da mecânica quântica. Stapp não quer provar que a alma existe, mas ele diz que a existência da alma se encaixa dentro das leis da física.

De acordo com Stapp, não é verdade dizer que a crença na existência da alma não é algo científico. Aqui, a palavra “alma” refere-se a uma psique independente do cérebro e do resto do corpo humano, e que pode sobreviver depois da morte. Em seu artigo intitulado “Compatibility of Contemporary Physical Theory With Personality Survival [Compatibilidade da Teoria Física Moderna com a Sobrevivência da Psique]”, ele escreveu: “Tenho fortes ressalvas quanto a negar a vida pós-morte somente com base na alegação de que é algo incompatível com as leis da física, de que é algo sem fundamento”.

Stapp trabalha com a interpretação da Escola de Copenhague sobre a mecânica quântica, que é basicamente a interpretação usada por alguns dos fundadores da mecânica quântica: Niels Bohr e Werner Heisenberg. Até mesmo Bohr e Heisenberg tiveram alguns desentendimentos sobre como a mecânica quântica funciona, e há entendimentos controversos desde aqueles tempos. O trabalho de Stapp sobre a interpretação de Copenhague tem influenciado a ciência. Ele foi escrito na década de 1970 e Heisenberg escreveu um apêndice para ele.

Falando de suas próprias noções, Stapp diz: “Não há nenhuma indicação em meus escritos de mecânica quântica sobre a possibilidade de sobrevivência da psique”.


Por que a Teoria Quântica pode sugerir a existência de vida após a morte

Stapp explica que os fundadores da ciência quântica precisaram cortar o mundo em duas partes. Acima do corte, a matemática clássica é capaz de descrever os processos físicos empiricamente experenciados. Abaixo do corte, a matemática quântica descreve um reino “que não se encaixa num completo determinismo físico”.

A partir do reino abaixo do corte, Stapp escreveu: “Geralmente, descobre-se que o estado de evolução do sistema abaixo do corte não se encaixa em nenhuma concepção de descrição clássica das propriedades visíveis pelo observador”.

Como é que os cientistas “observam” o invisível? Eles escolhem propriedades específicas de um sistema quântico e configuraram instrumentos para observar seus efeitos nos processos físicos “acima do corte”.

A chave é a escolha do experimentador. Ao trabalhar com sistemas quânticos, a escolha do observador mostra ter uma influencia física que se manifesta e pode ser observada “acima do corte”.

Stapp cita a analogia de Bohr para exemplificar essa interação entre o cientista e os resultados da experiência: “[É como] um homem cego com uma bengala: quando a bengala é segurada frouxa e livremente, o limite entre a pessoa e o mundo externo é dividido em mão e bengala; mas quando ele segura a bengala firmemente, ela se torna parte da sua relação com o mundo: a pessoa sente que ela própria se estende até a ponta da bengala”.

O físico e o mental são ligados de forma dinâmica. Em termos da relação entre a mente e o cérebro, é como se o observador pudesse manter uma escolha de atividade cerebral que de outra forma passaria. Essa escolha é semelhante à escolha que um cientista faz quando decide quais propriedades do sistema quântico escolher para estudar.

A explicação quântica de como a mente e o cérebro podem ser separados, coisas distintas, mas ainda assim conectados por leis da física “é uma revelação bem-vinda”, escreveu Stapp. “Isso resolve um problema que tem atormentado a ciência e a filosofia durante séculos, que é o da ciência ortodoxa, que é determinística, ter que considerar que mente e cérebro são uma coisa só ou ter que considerar que o cérebro é dinamicamente independente da mente”.

Stapp disse que a possibilidade da psique de uma pessoa morta poder se juntar à de uma pessoa viva não contraria as leis da física, como, por exemplo, no caso da possessão espiritual. Não exige qualquer mudança básica na teoria ortodoxa, embora possa “requerer um relaxamento na ideia de que eventos físicos e mentais ocorrem apenas quando estão unidos, lado a lado”.

A teoria física clássica foge do problema e os físicos clássicos acabam tendo que desacreditar o que a intuição diz e considerar como um produto da confusão humana, disse Stapp. A ciência deve, em vez disso, disse Stapp, “reconhecer os efeitos físicos da consciência como um problema físico que precisa ser respondido em termos dinâmicos”.


Como isso afeta o entendimento moral tecido na sociedade

Além disso, é imperativo para a manutenção da moralidade humana considerar as pessoas como mais do que apenas máquinas de carne e osso.

Em outro artigo, intitulado “Attention, Intention, and Will in Quantum Physics [A Atenção, Intenção e Vontade na Física Quântica]”, Stapp escreveu: “Tornou-se agora amplamente aceita pelo público em geral essa visão “científica” segundo a qual o ser humano é basicamente uma máquina, um robô, e isso tem um significativo e corrosivo impacto sobre o tecido moral da sociedade”.

Stapp escreveu sobre a “tendência crescente de as pessoas se eximirem da responsabilidade por seus atos argumentando que “a culpa não é minha”, mas de um processo mecânico dentro de mim: “meus genes me fizeram fazer isso” ou “meu alto teor de açúcar no sangue me fez fazer isso”. Lembre-se da infame “Defesa no caso Twinkie” que livrou Dan White de cinco anos de cadeia mesmo tendo assassinado o prefeito de São Francisco, George Moscone, e o Supervisor de Harvey Milk.



Notícia publicada no Jornal Epoch Times, em 30 de junho de 2014.




Breno Henrique de Sousa* comenta


Física da alma


Para quem não está acostumado com os conceitos da física quântica, não entende muito bem como ela pode estar relacionada com a ideia da existência da alma e da sobrevivência do espírito após a morte.

O tema é bastante complexo e mesmo os físicos teóricos não conseguem conceber mentalmente, de maneira completa, essa outra realidade desvendada pela física quântica. Não temos, por isso, a pretensão de resolver essa problemática tão complexa, mas as leituras dos livros que abordam esse assunto deixam-nos vislumbrar algumas características dessa faceta da realidade e como ela pode implicar em questões em torno da espiritualidade.

Obras e autores conhecidos, como O Tao da Física, de Fritjof Capra, assim como os livros de Stephen Hawking, até obras mais recentes, como O Universo Autoconsciente, de Amit Goswami, representam esforços que os cientistas têm feito para popularizar os conceitos conhecidos sobre o mundo quântico.

Tratar sobre esses conceitos é algo complexo mesmo nessas obras de popularização científica. Deixemos de lado neste comentário as explicações mais técnicas e partamos para algumas de suas constatações e implicações filosóficas.

A primeira grande constatação da física quântica é a de que o universo não é determinista como se pensava na ciência clássica. A ciência materialista desenvolveu-se acreditando que todos os eventos são previsíveis dentro das leis da física, bastando para isso que tivéssemos o controle de todas as variáveis que interferem em um fenômeno, ou seja, o universo seria como uma máquina perfeita, um relógio preciso. Sob esse ponto de vista, não há espaço para a existência de Deus, ou, pelo menos, para a ideia de que um ser superior pode intervir na ordem dos acontecimentos humanos. Além disso, nós seríamos apenas seres como máquinas biológicas e todas as nossas decisões seriam determinadas por fatores ambientais e biológicos. Não existe, nessa abordagem, espaço para o livre-arbítrio ou o progresso espiritual. Mas a física quântica provou justamente o contrário, uma série de eventos espontâneos na natureza, fenômenos que são, por sua natureza intrínseca, indetermináveis e imprevisíveis. As partículas subatômicas apresentam comportamento bizarro e muitas vezes contrários às leis conhecidas pela física clássica. Esses fenômenos abrem precedentes para uma série de observações filosóficas em torno da natureza não determinística da existência física e sobre como as leis da física clássica mostram apenas uma capa superficial da realidade.

Outra grande constatação é a de que a consciência tem papel determinante sobre o mundo observável. O mundo quântico é observado através de suas manifestações nesta realidade física, sobretudo através da física de partículas. O interessante é que Henry Stapp demonstrou desde o início que o comportamento dessas partículas pode ser alterado pela presença e expectativas de um observador. Um elemento pode se comportar como uma onda ou como uma partícula dependendo da forma que ele é observado. É como se a “coisa” soubesse que está sendo observada. Na verdade, trata-se da interferência da consciência do observador sobre o comportamento da matéria. Na ciência clássica, o observador é um elemento passivo e neutro que não interfere sobre a realidade observada. Já na física quântica, fica provado que não existe observador neutro e que a realidade pode ser um reflexo da consciência do indivíduo, e por que não “dos indivíduos”? Ou quem sabe também o reflexo de uma consciência superior que a tudo observa e dirige?

A física, atualmente, também aponta para a dissociação entre mente e corpo, abrindo a possibilidade da existência da mente sem o cérebro e de que a consciência pode sobreviver fora do corpo. Essa é uma consequência da explicação anterior. Como a própria reportagem destaca as palavras de Stapp, “tenho fortes ressalvas quanto a negar a vida pós-morte somente com base na alegação de que é algo incompatível com as leis da física, de que é algo sem fundamento”, isso porque na verdade todas as observações feitas até este momento abrem o caminho para a hipótese da existência da mente e da consciência de maneira independente do corpo e do cérebro.

Por fim, destacamos as teorias que sinalizam para a existência de universos e dimensões paralelas à nossa realidade. Não há como não associar essa ideia à existência do mundo espiritual, amplamente abordado na literatura espírita. Se existem outras dimensões do mundo físico ou universos paralelos, essa hipótese também abre caminho para a do mundo espiritual como um espaço onde perduram as consciências daqueles que abandonaram seus corpos físicos neste mundo.

É importante frisar que não há ainda nenhuma comprovação definitiva da existência do espírito e da sobrevivência da consciência fora do corpo através da física quântica, mas podemos dizer que ruíram os muros do determinismo da matéria onde esses conceitos não se encaixariam. Em um universo determinista é impossível a existência do livre-arbítrio, sem isso não há responsabilidade individual, nem progresso real, nem individualidade, nem sentido transcendente para a existência.

As teorias espiritualistas, que pareciam conceitos supersticiosos e ultrapassados, ganham nova vida através da própria ciência. E é justamente a física, que junto com a matemática formam a base de toda a ciência moderna, de toda a tecnologia, de todo o materialismo, de onde surge a descoberta de outras facetas da realidade até então ignoradas pelos materialistas, facetas que desferem um golpe no âmago das teorias materialistas, justo quando o materialismo acreditava-se detentor de quase todas as explicações sobre a existência e o universo.



* Breno Henrique de Sousa é paraibano de João Pessoa, graduado em Ciências Agrárias e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba. Ambientalista e militante do movimento espírita paraibano há mais de 10 anos, sendo articulista e expositor.