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Europeus 'exportam' idosos para asilos na Tailândia

15 de maio de 2014



Europeus 'exportam' idosos para asilos na Tailândia



Anna Lacey e Imogen Foulkes


Da BBC Health Check


Mandar um parente idoso a uma casa de repouso costuma ser uma decisão difícil e carregada de emoção. E, então, se essa casa de repouso estiver em outro continente?


Sybille Wiedmer, de Zurique (Suíça), está fazendo as malas para uma viagem à Tailândia, mas não para passar férias.


Ela está indo visitar sua mãe, que mora em uma casa de repouso na cidade tailandesa de Chiang Mai.


"Muitas pessoas ficaram chocadas a princípio e me perguntaram: 'Como você pode fazer isso? Como você ousa? Você não poderá visitá-la'", lembra Wiedmer. "Eu respondia que, quando eu a visitava aqui, meia hora depois ela já não me reconhecia. Ela esquecia."


Elisabeth, a mãe de Sybille, tem 91 anos e sofre de demência, que lhe traz dificuldades em recordar eventos recentes. Ela vive há mais de quatro anos em uma casa de repouso tailandesa com outra dúzia de idosos alemães e suíços.


"Não estou aqui faz tempo. Mas me tratam bem. Faz quanto tempo que estou aqui?", Elisabeth pergunta. Ao ouvir a resposta, se espanta: "Quatro anos e meio? Estou velha."



Crise


Observando-se os dados, fica mais fácil entender por que algumas famílias europeias têm decidido buscar ajuda para seus idosos no exterior.


Os custos de cuidadores são significativamente mais baixos na Tailândia, onde o serviço também têm reputação muito boa.


No caso de Elisabeth, sua família escolheu o país asiático em parte porque ela havia passado parte de sua vida na Ásia, com seu marido (já falecido) - ou seja, o ambiente teria algo de familiar.


Mas o fator-chave, diz Sybille, foi o tipo de cuidado que sua mãe receberia.


"O tratamento é muito mais individualizado e, como posso dizer?, amoroso", opina.


Ao mesmo tempo, os custos de cuidados com idosos crescem na Europa, em ritmo maior do que a qualidade do serviço.


Em parte, esse problema se deve à demanda: como as pessoas vivem mais, crescem os problemas crônicos relacionados à idade.


A OMS (Organização Mundial da Saúde) calcula que, até 2050, deve quadruplicar o número de pessoas com mais de 80 anos - idade a partir da qual estima-se que 1 a cada 6 pessoas desenvolva demência.


Além disso, um relatório da Sociedade do Alzheimer mostra que 80% dos atuais moradores das casas de repouso têm problemas severos de memória. Claramente a necessidade por serviço especializado vai aumentar.



Custos e cuidados


Mas, num momento em que os europeus tentam cortar gastos, arcar com as contas de uma boa casa de repouso está fora de cogitação para muitos.


Na Suíça, esses custos mensais variam entre US$ 5 mil e US$ 10 mil (R$ 11,8 mil a R$ 47,5 mil). Na Tailândia, porém, caem para US$ 3 mil por mês (perto de R$ 7 mil), com uma oferta maior de serviços.


Episódios recentes de maus-tratos de idosos vistos em países como a Grã-Bretanha também têm estimulado europeus a mandarem seus parentes mais velhos ao exterior.


"Percebemos que o abuso é o maior temor (entre as famílias que internam seus idosos)", diz Chris Quincy, conselheiro na Sociedade de Alzheimer.



Cultura tailandesa


Já a Tailândia, por sua vez, tem o cuidado com idosos enraizado em sua cultura.


O suíço Martin Woodtli, diretor de uma casa de repouso em Chang Mai, diz que seus pacientes recebem tratamento com melhor relação custo-benefício do que teriam na Europa.


"Podemos ter três ou quatro cuidadores para uma pessoa durante 24 horas. Isso não seria possível na Europa", argumenta.


Mesmo assim, a cuidadora La, que cuida diariamente de Elisabeth, não acha que essa seria uma opção para sua própria família.


"Acho que nós (tailandeses) não precisamos vir para cá. Se você tem uma filha, ela cuidará de você em casa, morando junto", diz La.



Dilema moral


Sybille tentou cuidar da mãe por conta própria, mas - como em muitos casos de pessoas com demência - a tarefa se tornou impossível.


"Ela ficava muito agressiva. Isso tornava a situação muito difícil, muito ruim", lembra.


Ainda que muitos parentes sofram de imensa culpa por enviar seus parentes a casas de repouso, Quince, da Sociedade de Alzheimer, diz que muitas vezes esse é o caminho certo.


"Muitos gostariam de continuar a cuidar (de seus idosos) em casa, mas não conseguem", disse à BBC. "Às vezes, não há escolha senão a casa de repouso, (pelo risco) de um acidente ou uma doença."


Apesar da distância, Sybille fala com Elisabeth via Skype quase todos os dias e vai à Tailândia ao menos duas vezes por ano.


Mas Markus Leser, da Associação de Casas de Repouso da Suíça, não está convencido de que enviar os idosos ao exterior seja a melhor solução.


"A mudança da própria casa à casa de repouso é um grande passo. O passo de ir à Tailândia é muito maior por causa da língua e da provável separação da família", defende. "Claro que é mais barato. Mas se a decisão é sobre meu pai ou minha mãe, não deve focar apenas em custos."


De qualquer forma, ante uma geração que, aos 40 ou 50 anos, vivencia uma crise financeira ao mesmo tempo em que cuida tanto dos filhos como dos pais idosos, é bem possível que muitas pessoas como Elisabeth acabem recebendo seu tratamento bem longe de casa.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 7 de janeiro de 2014.



Sonia Maria Ferreira da Rocha* comenta


“Honrar a seu pai e a sua mãe, não consiste apenas em respeitá-los; é também assisti-los na necessidade; é proporcionar-lhes repouso na velhice; é cercá-los de cuidados como eles fizeram conosco, na infância.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo – cap. XIV – Piedade filial.)


Esse capítulo do Evangelho mostra o dever que devemos ter com os nossos pais, principalmente quando em idade mais avançada ou quando precisa de mais cuidados além dos carinhos cotidianos.


Essa noticia retrata a nossa triste realidade, onde hoje em dia só temos tempo para ganhar e gastar o vil metal. Cada vez mais só queremos gastar o nosso tempo para as coisas que nos dão prazer. Estamos cada vez mais e mais egoístas, só queremos ser servidos e muito pouco servir.


Atualmente, os pais estão preocupados com a educação intelectual de seus filhos esquecendo, também, da importância da educação moral e espiritual. É o que retrata essa noticia, mostrando essa terrível consequência de filhos que não foram evangelizados e que ,agora, abandonam seus pais. O que será de uma geração que não se preocupa com o dever de amar e respeitar seus pais? Que sociedade que irão formar?


O Cap. V de O Evangelho Segundo o Espiritismo nos mostra claramente a nossa responsabilidades com nossos filhos e suas consequências:


“Quantos pais são infelizes com seus filhos, porque não lhes combateram desde o princípio as más tendências! Por fraqueza, ou indiferença, deixaram que neles se desenvolvessem os gérmens do orgulho, do egoísmo e da tola vaidade, que produzem a secura do coração; depois, mais tarde, quando colhem o que semearam, admiram-se e se afligem da falta de deferência com que são tratados e da ingratidão deles.”


Se hoje nos queixamos das atitudes dos nossos filhos, devemos, antes de lhes culparem, refletir sobre aquilo que plantamos no passado e no que hoje estamos colhendo.


Por isso, meus irmãos, não nos cabe julgar a decisão tomada por essa ou aquela pessoa. Muitos sãos os motivos escondidos nessa aparente secura sentimental. Não podemos esquecer  da Lei de Causa e Efeito que sempre rege o nosso presente e o nosso futuro, consequência do passado.


O que nos cabe é nos conscientizarmos, hoje, de transformar o presente para um futuro melhor.


“Evangelizar uma criança é como honrar o mundo com grandeza dos deveres maiores, adornando o futuro de gemas valiosas.” (Emmanuel)


* Sonia Maria Ferreira da Rocha reside em Angra dos Reis, RJ, estuda o Espiritismo há mais de 30 anos e é colaboradora regular do Espiritismo.net.