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Nasa anuncia descoberta de 715 novos planetas fora do Sistema Solar

7 de maio de 2014



Nasa anuncia descoberta de 715 novos planetas fora do Sistema Solar



SALVADOR NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


O número de planetas conhecidos fora do Sistema Solar quase dobrou numa tacada só. A equipe responsável pelo satélite americano Kepler anunciou a descoberta de 715 desses mundos distantes.


O achado corresponde à análise dos dois primeiros anos de coleta de dados do telescópio espacial da Nasa, por meio de um novo método que permite confirmar que se tratam mesmo de planetas, e não de falsos positivos.


O Kepler operou por quase quatro anos, até que em maio do ano passado um defeito em uma de suas rodas de reação impediu o apontamento preciso do satélite e interrompeu a missão. Com isso, é certeza que o número de planetas ainda vai subir bastante conforme mais dados sejam processados pelo novo método.


Por ora, o número saltou de cerca de 1.000 para 1.700. Não há um número exato, pois diversos grupos contabilizam diferentes astros, e não há uma contabilização oficial. De toda forma, é um aumento de 70% no número de planetas identificados.


E um aspecto interessante do novo achado: ele envolve apenas estrelas que têm mais de um planeta em torno delas. É um viés criado pelo próprio método de confirmação.


O Kepler detecta planetas ao identificar pequenas reduções de brilho que acontecem nas estrelas quando um mundo passa à frente delas, com relação ao campo de visão do telescópio.


Na maioria dos casos, essas detecções são mesmo planetas. Mas em alguns deles, é possível que as variações de brilho sejam geradas por estrelas binárias.


Em geral, para confirmar que de fato se trata de um planeta, até agora era preciso fazer uma verificação independente com telescópios em terra, por outro método de detecção. Mas a equipe liderada por Jack Lissauer, do Centro Ames de Pesquisa da Nasa, usou o conceito de "multiplicidade" para obter a confirmação "por baciada".


A noção é observar estrelas que têm múltiplos planetas e, portanto, apresentam múltiplas reduções de brilho conforme cada um deles passa à frente delas. O padrão de multiplicidade reduz drasticamente a possibilidade de falsos positivos, que podem ser descartados facilmente.


Assim, o nível de certeza para os novos mundos detectados excede 99%. Mais do que bom, segundo Lissauer. "A multiplicidade é uma técnica poderosa para verificação de planetas em grande quantidade", disse o pesquisador, em entrevista coletiva realizada pela Nasa.


Em razão do viés criado pela técnica, todos os mundos recém-anunciados pertencem a sistemas multiplanetários. Os 715 estão distribuídos em torno de 305 estrelas, das 150 mil que o Kepler monitorou durante sua missão inicial.



TAMANHO E DOCUMENTO


O achado também nos coloca mais próximos de encontrar planetas similares à Terra. Análises estatísticas sugerem que eles são os mais comuns no Universo, mas a dificuldade de detectar a redução de brilho causada por pequenos trânsitos diminui a chance de os cientistas os encontrarem com facilidade.


Dentre os novos planetas achados, cerca de 95% deles são menores que Netuno - no nosso Sistema Solar, ele é o menor dos gigantes gasosos e tem cerca de quatro vezes o diâmetro da Terra.


Em meio a mais de 700 planetas, quatro chamam a atenção. Eles têm menos de 2,5 vezes o diâmetro da Terra e orbitam na chamada zona habitável de suas estrelas - uma região adequada para que eles conservassem água em estado líquido na superfície. Essa é uma das condições essenciais para o surgimento da vida como o conhecemos.


O que mais se aproxima da Terra é Kepler-296f, que orbita uma estrela com metade do tamanho do Sol. Ele tem o dobro do diâmetro terrestre, o que intriga os cientistas. Ele tanto pode ser um mundo rochoso com um oceano global - o que eles chamam de uma superterra - como um planeta gasoso relativamente pequeno - um mininetuno.


Somente com observações subsequentes que estimem a massa do planeta será possível saber sua densidade e, por consequência, sua provável composição.


De toda forma, um gêmeo da Terra numa órbita adequada à vida ainda não foi encontrado. O que de forma alguma faz os pesquisadores desanimarem. "Quanto mais exploramos, mais encontramos traços familiares nas estrelas, que nos fazem lembrar da nossa casa", disse Jason Rowe, pesquisador do Instituto SETI, que também participou do estudo.


Embora tenha perdido duas de suas quatro rodas de reação, o Kepler ainda pode servir para caçar planetas. No momento, a Nasa estuda a possibilidade de redirecioná-lo para uma nova missão, que o apontaria para outras regiões do céu, nas constelações do zodíaco, em busca de mundos alienígenas. E para 2017 a agência espacial americana pretende lançar o satélite Tess, outro caçador de planetas.


Notícia publicada no Jornal Folha de São Paulo, em 26 de fevereiro de 2014.



Jorge Hessen* comenta


A missão da sonda Kepler da Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) noticiou a descoberta de 715 novos exoplanetas (ou planetas fora do Sistema Solar), que orbitam 305 estrelas (sóis) em sistemas planetários similares ao nosso. Até agora foram descobertos 1700 exoplanetas. Pelas estimativas de Jean Schneider, até 27 de março de 2014, já haviam 1779 exoplanetas detectados.(1)


Para verificar os planetas, uma equipe de observação co-liderada por Jack Lissauer, cientista planetário no Centro de Pesquisa Ames da Nasa, analisou estrelas com mais de um planeta em potencial - todos detectados nos dois primeiros anos de observações da Kepler - maio de 2009 a março de 2011. Atualmente a Kepler está com problemas operacionais. Para 2017 a agência espacial americana pretende lançar o satélite Tess, outro caçador de planetas.


Um desses exoplanetas, chamado Kepler-296f, orbita uma estrela da metade do tamanho e 5 por cento mais brilhante que o nosso sol. Kepler-296f é duas vezes o tamanho da Terra, mas os cientistas não sabem se o planeta é um mundo gasoso, com um grosso envelope de hidrogênio em hélio, ou é um mundo de água cercada por um oceano profundo.


A pergunta que não silencia é: será que existe vida humana em outros orbes? Sobre isso não há cientista que possa negar ou confirmar. Entretanto, Kardec diz que “a razão humana se recusa a admitir só haver vida inteligente na Terra e nos diz que os diferentes mundos são habitados”.(2) E sobre vidas noutros sistemas fora da Terra os Espíritos têm confirmado abundantemente a sua existência.


O Codificador, ao tratar o assunto, não desceu a minudências da vida corporal extraterrestre, rumando quase que unicamente pelo aspecto moral dos habitantes de algum orbe. A rigor, as diversas existências físicas do homem podem ser na Terra bem como em outros mundos; “o início dessas existências não terá sido aqui [na Terra], bem como seu término também não o será”.(3)


O Espírito Maria João de Deus (genitora de F.C. Xavier) descreve de modo impressionante a existência de vidas inteligentes noutros planetas. Cita, por exemplo, Saturno, cientificando que lá inexistem vícios, não há guerras, a eletricidade é utilizada em sua potencialidade plena. Os saturninos consagram-se bastante à espiritualidade; as vegetações são azuladas e os oceanos são rosados. Para o espírita e astrônomo Camille Flammarion, empregando convicções pessoais, afirmou que “Saturno talvez fosse habitado por seres inconciliáveis com os organismos terrestres”.(4)


Utilizando certezas pessoais sobre o que se sabia no século XIX a respeito do tema, Kardec alegou que a “Terra é moralmente superior a Marte e muito inferior a Júpiter”.(5) A despeito da conflitante informação sobre a temática, sabe-se que um espírito de pequena elevação cultural “informou ao Codificador que Marte era um planeta inferior à Terra”,(6) todavia o Espírito Maria João de Deus afirma que “os marcianos são dotados de muita espiritualidade; são quase semelhantes aos terrícolas, todavia fisicamente possuem diferenças apreciáveis: além dos braços, têm ao longo das espáduas umas ligeiras protuberâncias. O ar marciano é muitíssimo mais leve, a vida é mais aérea, a água é escassa, motivo pelo qual o líquido vital é regulado por sistemas de canalização. Nos horizontes marcianos não há muitas elevações montanhosas”.(7)


Ainda sobre Marte, o Espírito Humberto de Campos ratifica as informações descritas por Maria J.de Deus, apresentando “os marcianos manejando possantes máquinas aéreas que navegam no pé das nuvens, algumas delas [nuvens] produzidas artificialmente, para atender reinos mais frágeis da natureza do quarto orbe do nosso sistema planetário”.(8) Além disso, sob o ponto de vista pessoal, Flammarion corrobora a tese de que os marcianos “são moralmente superiores aos terrestres, transportam-se por navegação aérea e seus edifícios são erguidos pelo pensamento, possuem doze sentidos, o que lhes permitem comunicação direta com o universo”.(9)


A Revista Espírita de agosto/1858 publicou um desenho psicopictografado (desenho mediúnico) e assinado pelo Espírito Bernard Palissy, célebre oleiro do século XVI, referente “a uma habitação em Júpiter, que seria a casa de Mozart. Somos também informados de que Cervantes seria vizinho de Mozart e que por lá também viveria Zoroastro”.(10)


Em 1938, o Espírito Emmanuel informou que na “Constelação do Cocheiro, cerca de 42 anos luz distante da nós, há o sistema de Capela, de onde milhares de anos atrás alguns milhões de Espíritos rebeldes que lá existiam, foram deportados para o nosso planeta. Aqui aprenderiam a realizar, na dor e nos trabalhos penosos, as grandes conquistas do coração, impulsionando simultaneamente o progresso dos seres terrestres".(11)


Na questão 172 de O Livro dos Espíritos, Kardec perguntou: “As nossas diversas existências corporais se verificam todas na Terra?”, ao que os Espíritos responderam: “Não; vivemo-las em diferentes mundos. As que aqui passamos não são as primeiras, nem as últimas; são, porém, das mais materiais e das mais distantes da perfeição.”(12)


Não obstante a contradição entre o Marte “avançado” de Flammarion e Maria João de Deus contra o Marte “atrasado” segundo comunicações chegadas a Kardec, em verdade o Espiritismo sempre confirmou a existência de vida fora da Terra. Destaque-se que, antes que a ciência humana e as religiões tradicionais admitissem essa possibilidade, os Espíritos revelaram a Kardec na questão 55 do livro "que são habitados todos os mundos que giram no espaço e que a Terra está muito longe de ser o único planeta que asila vida inteligente".(13)


Um dos ramos científicos que mais têm crescido, desde os anos 50, fazendo audaciosas pesquisas, ampliando muito o acervo de seus conhecimentos, é a Astronomia. “Dela derivam, ou com ela interagem, a Astrofísica, a Astroquímica, a Exobiologia (estudo da possibilidade de vida fora da Terra). Simon "Pete" Worden, astrônomo, que lidera o Centro de Pesquisas Ames da NASA, afirma que nós [na Terra] não estamos sozinhos, pois que há muita vida [pelo Universo].”(14)


Sabe-se hoje em dia existirem, “pelo Universo observável, pelo menos 10 bilhões de galáxias. Em 1991, em Greenwich, na Inglaterra, o observatório localizou um quasar (possível ninho de galáxias) com a luminosidade correspondente a 1 quatrilhão de sóis [isso mesmo, 1 quadrilhão!]. Acreditar que somente a Terra tenha vida é supor que todo esse imensurável Universo tenha sido criado sem utilidade alguma, e seria uma impossibilidade matemática que num Universo tão inimaginável não se tivesse desenvolvido vida inteligente, senão neste pequeno planeta. Aliás, seria um incompreensível desperdício de espaço”.(15)


Aprendemos com os Espíritos que “há mundos cujas condições morais dos seus habitantes são inferiores às da Terra; em outros, são da mesma categoria. Há mundos mais ou menos superiores e, finalmente, há aqueles nos quais a vida é, por assim dizer, toda espiritual”.(16)



Notas e Referências bibliográficas:


(1) Schneider, Jean. Interactive Extra-solar Planets Catalog. The Extrasolar Planets Encyclopedia. Página visitada em 27 de março de 2014;


(2) Kardec , Allan. O Livro dos Médiuns, 1ª Parte, Cap. I, n° 2, RJ: Ed. FEB, 2000;


(3) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2000, Questões 172 a 188;


(4) Flammarion, Nicolas Camille. Urânia, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1990;


(5) Kardec, Allan. Revista Espírita, outubro de 1858, São Paulo, Edicel, 1987;


(6) Idem;


(7) de Deus, Maria João. Carta de uma morta, São Paulo: LAKE, 1999;


(8) Xavier, Francisco Cândido. Novas Mensagens, ditado pelo espírito Humberto de Campos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1940;


(9) Flammarion, Nicolas Camille. Urânia, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1990;


(10) Kardec, Allan. Revista Espírita, agosto de 1858, São Paulo, Edicel, 1987;


(11) Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz, ditado pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB, 1994;


(12) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro, Ed. FEB, 2000, questão 172;


(13) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, perg. 55;


(14) Disponível em http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com.br/2010/01/ argumentos-espiritas-sobre-existencia.html>;


(15) Disponível em http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com.br/2010_01_20_ archive.html>;


(16) Kardec, Allan; O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro, Ed. FEB, 2001, 3º Cap., itens 3 e 4.


* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal aposentado do INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.