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Menino chinês de 10 anos se suicida após ordem do professor

12 de março de 2014



Menino chinês de 10 anos se suicida após ordem do professor



Um menino chinês de 10 anos se suicidou ao se jogar do 30º andar de um edifício depois de não conseguir escrever uma carta autocrítica exigida por seu professor, informaram meios de comunicação estatais nesta quinta-feira.


O aluno da quinta série de uma escola primária recebeu como missão escrever um pedido de desculpas de 1 mil caracteres ao seu professor por falar em sala de aula, declarou a Rádio Nacional Chinesa em seu site, citando um vizinho.


O educador teria dito que ele devia saltar de um edifício depois que o menino não conseguiu completar a tarefa, informou a rádio, citando parentes e vizinhos do garoto.


A frase "professor, eu não consigo fazer isso" estava escrita em um de seus cadernos, segundo a rádio. "Eu hesitei várias vezes quando tentei pular do prédio", havia declarado também.


A criança caiu sobre um carro estacionado em frente ao apartamento onde sua família vive, informou o West China City News.


Seus parentes furiosos instalaram um banner em frente à escola, na cidade de Chengdu, no sudoeste do país, que dizia: "O professor forçou nosso filho a saltar do prédio".


"A investigação policial ainda está em andamento", declarou um funcionário do distrito de Jinjiang, onde o incidente ocorreu, negando-se a fazer mais comentários.


A disciplina rigorosa é uma parte essencial do sistema educacional e cultural da China, e a tradição exige deferência à autoridade, colocando as crianças sob pressão para obedecer às instruções.


A notícia provocou tristeza e comoção no Sina Weibo, o equivalente chinês do Twitter. "Como pode um cara como esse ser um professor?" escreveu um internauta. "Quem deu a ele o direito de falar dessa maneira? Por que o aluno tem esse tipo de obediência cega?"


A escola onde o menino estudava declarou nesta quinta-feira em sua conta no Sina Weibo que a criança e alguns de seus colegas receberam ordens de escrever um texto sobre o seu comportamento depois de atrapalharem uma atividade na escola.


AFP


Notícia publicada no Portal Terra, em 31 de outubro de 2013.



Raphael Vivacqua Carneiro* comenta


Relatório publicado em 2012 pela OMS – Organização Mundial da Saúde – mostra que a cada 40 segundos uma pessoa se suicida no mundo, ou seja, cerca de um milhão de suicídios por ano – uma quantidade maior do que o total de vítimas de guerras e homicídios. Além disso, o número de tentativas de suicídio é bem maior – cerca de 20 milhões por ano. Segundo a OMS, uma em cada 20 pessoas no mundo faz uma tentativa de suicídio pelo menos uma vez ao longo de sua existência. O suicídio é a segunda maior causa de morte no mundo entre os adolescentes de 15 a 19 anos, mas também alcança taxas elevadas entre pessoas mais velhas. Isto o torna um problema de saúde muito importante em nível mundial. Os países latino-americanos possuem os índices mais baixos de suicídios, enquanto os países do leste europeu e do extremo oriente possuem os maiores índices.


Segundo o governo japonês, o medo de perder o emprego é uma das principais causas de suicídio entre os jovens e há um forte vínculo entre o índice de suicídios e o índice de desemprego. Por este motivo, o Japão aprovou medidas para solução dos problemas de dívidas, além de ajuda para promover assistência psicológica aos cidadãos.


Na China, o índice de suicídios é o dobro da média mundial e constitui a quinta maior causa de morte no país. O fracasso escolar e a vergonha levam os estudantes ao suicídio. Em novembro de 2011, uma estudante de 13 anos saltou do sexto andar de um prédio, porque sofria constrangimentos na escola quando não fazia o dever de casa. Três semanas antes, duas alunas tomaram veneno na sala de aula e escreveram no quadro: “a culpa é da professora de matemática”, que teria rido das notas baixas das meninas em um teste. Um mês antes, uma aluna da 5ª série e duas da 6ª série deram as mãos e pularam do segundo andar de um prédio, porque fracassaram em terminar uma lição de casa. Para os jovens acima de 18 anos, os suicídios são motivados por pressões econômicas. Um jovem pulou da janela do dormitório após receber o título de mestre, deixando um bilhete aos pais: “não consigo encontrar emprego; não quero mais ser um peso”. O governo chinês tentar impor punições às escolas com muitos casos de suicídio, para fazer com que elas fiquem atentas ao comportamento dos jovens e mantenham uma política de cobrança mais razoável.


Todos estes dados mostram que a atitude desesperada do menino chinês de Jinjiang não foi um triste episódio isolado, mas um entre muitos casos que retratam um traço cultural daquela região do planeta. A desonra associada ao fracasso seria eliminada pelo suicídio. Esta ideia equivocada é alimentada pela crença materialista disseminada pelo governo comunista, segundo a qual a morte do corpo aniquilaria também a consciência e a individualidade.


O Espiritismo tem como missão esclarecer justamente a questão da imortalidade da alma, da consciência e da individualidade. Com seus postulados fundamentados na lógica e na razão, aliados às inúmeras evidências trazidas pelas comunicações mediúnicas, fica muito clara a situação além-túmulo dos nossos irmãos desatinados que cometem suicídio. O sentimento de decepção é comum a todos, tendo em vista que a angústia que buscavam aniquilar continua presente em suas mentes, mesmo após a transposição do plano físico para o mundo espiritual. Além disso, as oportunidades desperdiçadas em vida representam um ônus a mais em sua contabilidade divina. Fosse este conhecimento espiritual mais disseminado entre os jovens de todas as partes do mundo, certamente os índices de suicídio seriam muito reduzidos.


Outro traço cultural que agrava o problema do suicídio e compartilha as suas responsabilidades é a obediência cega à autoridade. O aluno da 5ª série de Jinjiang certamente sentia-se envergonhado por não ter conseguido cumprir a tarefa dada como castigo pelo professor. Dizer ao menino que ele devia pular de um edifício soou como uma ordem, como a única forma digna de lidar com a sua vergonha. Mesmo que o professor não tenha tido a intenção de ordenar o suicídio, a sua influência de autoridade exercida sobre o aluno pode ter sido fatal. “Muito se pedirá àquele a quem muito se houver dado e maiores contas serão tomadas àquele a quem mais coisas se haja confiado”, ensinava Jesus aos seus discípulos. Aquele que possui autoridade também possui uma quota maior de responsabilidade sobre o destino dos seus tutelados e comandados.


* Raphael Vivacqua Carneiro é engenheiro e mestre em informática. É palestrante espírita e dirigente de grupo mediúnico em Vitória, Espírito Santo. É um dos fundadores do Espiritismo.net.