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Educar para mudar

26 de fevereiro de 2014



Educar para mudar



Um novo estudo da Unesco evidencia a capacidade da educação de melhorar a vida de sociedades e países. Mudanças positivas nessa área beneficiariam principalmente as mulheres.


A educação tem um poder inigualável para reduzir a pobreza extrema e impulsionar metas de desenvolvimento amplas, afirma o Relatório de Monitoramento Global da Educação da Unesco, a ser divulgado em janeiro de 2014. Os dados provam que investir em educação, sobretudo para as meninas, alivia a pobreza extrema, garantindo benefícios substanciais para a saúde e a produtividade, assim como para a participação democrática. Para destravar o poder transformador da educação, porém, novas e mais amplas metas de desenvolvimento devem ser definidas, afim de garantir que todas as crianças se beneficiem igualmente tanto do ensino fundamental quanto do ensino médio de boa qualidade. O relatório mostra que:


A educacao capacita mulheres. Meninas e jovens educadas sao mais propensas a conhecer seus direitos e a ter confiança para pleiteá-los.
1. Na África Subsaariana e no Sul e Oeste da Ásia, 3 milhões de meninas se casam aos 15 anos, abaixo da idade legal de matrimônio na maioria dos países. Se todas concluíssem o ensino fundamental, o número de noivas crianças cairia quase meio milhão. Se completassem o ensino médio, o número recuaria 2 milhões.
2. Nessas regiões, 3,4 milhões de moças se tornam mães aos 17 anos. Se todas completassem o ensino fundamental, haveria 340 mil partos a menos nessa faixa etária, e a conclusão do ensino médio diminuiria em 2 milhões o total de nascimentos,


A educação promove a tolerância. A educação ajuda as pessoas a entender a democracia, promove uma base de tolerância e de confiança e motiva a participação na vida política. Em 18 países da África Subsaariana, os eleitores com o ensino fundamental completo tendem 1,5 vez mais a apoiar a democracia do que os sem escolaridade. O nível dobra entre os formados no ensino médio. A conclusão do ensino médio também aumenta a tolerância com pessoas de religião ou língua diferente.


A igualdade na educação melhora as oportunidades de emprego e aumenta o crescimento econômico. Se todas as crianças tivessem acesso igual à educação, os ganhos de produtividade impulsionariam a economia. Para pessoas acima de 40 anos, a renda percapita seria 23% maior em um país com igualdade na educação.



Mais cuidados ambientais


A educação é parte da solução dos problemas ambientais. Pessoas com maior escolaridade são mais propensas a usar energia e água de modo mais eficiente e a reciclar lixo doméstico. Em 29 países, na maioria desenvolvidos, 25% das pessoas com ensino médio incompleto preocupam-se com o meio ambiente, ante 37% dos formados no ensino médio e 46% dos com ensino superior completo. Essa preocupação se traduz em ações positivas. Na Alemanha, 46% das pessoas com nível superior assinaram uma petição ou participaram de alguma manifestação ligada ao meio ambiente nos últimos cinco anos, ante 12% com ensino médio incompleto. A educação salva vidas de mães. Muitas mulheres ainda morrem de complicações durante a gravidez e o parto.


A educação pode evitar essas mortes ao ajudar as mulheres a reconhecer sinais de perigo, buscar cuidados e certificar-se de que profissionais de saúde treinados estão presentes nos partos. Se todas tivessem concluído simplesmente o ensino fundamental, o número de mortes maternas cairia 189 mil por ano, dois terços do total.


Algumas doenças infantis são evitáveis, mas não sem educação. Soluções simples, como água potável e redes antimalária, podem evitar algumas das piores doenças de crianças, mas apenas se as mães aprendem a usá-las. Os casos de pneumonia, causa mais frequente de morte infantil, cairiam até 14% se as mulheres tivessem um ano extra de educação. Casos de diarreia, a terceira doença mais frequente, diminuiriam 8% se as mães concluíssem o ensino fundamental, ou 30%, se completassem o ensino médio.


A educação salva vidas de crianças. A educação ajuda as mulheres a reconhecer os sinais de doenças, buscar aconselhamento e agir contra ela. Se todas em países pobres concluíssem o ensino primário, a mortalidade infantil cairia um sexto, poupando quase 1 milhão de vidas a cada ano. A conclusão do ensino médio faria o total recuar 50%, salvando 3 milhões de vidas.


A educação combate a fome. O impacto devastador da desnutrição sobre a vida das crianças é evitável com a ajuda da educação. Se todas as mulheres concluíssem o ensino médio, saberiam os nutrientes de que as crianças precisam, as regras de higiene recomendáveis e teriam voz mais forte em casa para garantir bom atendimento. Com essa mudança, mais de 12 milhões de crianças não sofreriam de desnutrição na primeira infãncia.


Matéria publicada na Revista Planeta, em novembro de 2013.



Claudio Conti* comenta


O tema do artigo em análise chega a ser extremamente interessante, pois, à primeira vista, temos a impressão de se tratar de uma novidade, resultados de estudos recentes, até então, desconhecidos. Todavia, esta questão é mais do que conhecida, tão antiga quanto Sócrates e Platão.


Obviamente que não estamos querendo dizer com isso que a UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura) não tinha ciência deste fato e foi preciso este estudo para que tomasse conhecimento da necessidade da educação. Creio que devemos interpretar esta notícia como uma reedição da realidade que assola o planeta, isto é, a falta de acesso à educação por grande parte da população e, também, um alerta e, ao mesmo tempo, uma súplica para que os países dediquem maior atenção para viabilizar escolas suficientes e garantir o acesso a elas para todos.


A falta de conhecimento pode levar a uma outra forma de escravidão, diferente da racial, pois é velada e, por isso, não é fácil de combater, além de que muitos dos subjugados não se perceberem como tal. Todavia, é imperiosos ressaltar que a educação vai muito além do puro conhecimento ou frequência em escolas. Educação deve ser caracterizada pelo desenvolvimento do discernimento, da capacidade de raciocínio e de fazer escolhas por conta própria.


A simples proliferação de escolas e faculdades não garante a educação, pois é preciso considerar uma outra forma de analfabetismo: o analfabeto funcional. Este tipo de analfabetismo se caracteriza pela capacidade de ler, mas a incapacidade de compreender aquilo que lê. O sistema atual propicia facilidades e procedimentos para que os temas sejam decorados pelos alunos, o entendimento e análise passam muito longe. Chega-se ao ponto, como já pude assistir algumas vezes, de serem mostrados em programas de televisão como se fosse o máximo da capacidade de ensino, professores fazendo músicas ou estórias com o material que deveria ser compreendido, levando apenas a repetição sistemática, sem a necessária avaliação. Infelizmente, estes procedimentos levam os alunos a garantirem vagas em universidades, onde procurarão repetir as fórmulas para decorar a matéria.


Equivocadamente, as aulas e os estudos são vistos como um impedimento para o que é atualmente considerado como realmente fundamental: a diversão ou a inação.


Com relação ao ensino da Doutrina Espírita, devemos ser cautelosos para não copiarmos um sistema que não funciona. Lembremos que Kardec era um pedagogo por excelência e, quando ele escreveu sobre a necessidade de estudo sistematizado da Doutrina, ressaltou a necessidade de estudo sério e continuado. Como o pedagogo por excelência, como já citamos, preparou os livros no formato adequado para o estudo. Precisamos estar atentos para não nos enganarmos com apostilas e outros que têm a pretensão de ser substitutos da Codificação.


* Claudio Conti é graduado em Química, mestre e doutor em Engenharia Nuclear e integra o quadro de profissionais do Instituto de Radioproteção e Dosimetria - CNEN. Na área espírita, participa como instrutor em cursos sobre as obras básicas, mediunidade e correlação entre ciência e Espiritismo, é conferencista em palestras e seminários, além de ser médium pscógrafo e psicifônico (principalmente). Detalhes no site www.ccconti.com.