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Crianças mapeiam favela onde moram e combatem poliomielite

31 de outubro de 2013



Crianças mapeiam favela onde moram e combatem poliomielite



Marina Maciel


O que você faria se procurasse pela rua onde mora no Google Maps e não a encontrasse? Pois isso aconteceu com um grupo de crianças indianas – que ficou conhecido como “Os Dakabuko”, palavra que significa “que têm a coragem dos valentes” –, de 10 a 14 anos.


Havia um vazio no mapa, contornado por ruas próximas, como se a favela onde moram, em Calcutá, não existisse. Foi quando eles decidiram sair às ruas e mapear casa por casa, por conta própria.


Para isso, os pequenos cidadãos contaram com a ajuda do projeto Mapeie Seu Mundo, da Universidade de Columbia, dos EUA, que forneceu o equipamento necessário e deu as diretrizes de como coletar dados das pessoas, numerar e registrar as casas. “As crianças fizeram isso para serem vistas socialmente. É um direito delas”, disse o empreendedor social Amlan Ganguly em vídeo produzido para o TEDxChange.


Ao fazer o mapeamento, as crianças descobriram que nem todos os 9 mil moradores tiveram acesso à vacina contra poliomieliteem 2005, a Índia registrou 45 casos de paralisia infantil, número que a colocou como quarto país do mundo com mais pessoas afetadas. A solução que encontraram para o problema foi fazer uma campanha de vacinação e divulgar nas ruas – usando apenas cones – onde estavam localizados os postos de saúde mais próximos. Com o esforço deles, o número de vacinação cresceu 80% na comunidade. Mas o objetivo é chegar a 100%!


O ativismo das crianças rendeu até um documentário, lançado este ano: Os Otimistas Revolucionários.


Notícia publicada no Planeta Sustentável, em 23 de agosto de 2013.



Jorge Hessen* comenta


Infelizmente há muitos jovens envolvidos com o mal, por ausência de noção das Leis de Deus. Obviamente tais criaturas serão renovadas no desenvolvimento de suas provas, particularmente com a dor instrutora, em reencarnações edificantes. Recentemente alguns jovens indianos entre 10 e 14 anos, que se autodenominaram como “daredevils” (destemidos), ao identificarem que residiam em local “invisível” ao registro do “Google Maps”,(1) resolveram desenhar os contornos geográficos da favela em Calcutá. Durante o levantamento, perceberam que era preciso ir mais além. Tinham de detectar o que devia e o que não devia estar no mapa. Malária, não devia. Diarreia, não devia. Dança, sim. Descobriram que se apropriar do mapa do seu mundo tornaria possível transformá-lo.


Para aperfeiçoar o mapeamento, contaram com a ajuda do projeto Mapeie Seu Mundo, da Universidade de Columbia, dos EUA, que forneceu os equipamentos necessários e deu as diretrizes de como coletar dados das pessoas, numerar e registrar as casas.(2) Aparelhados de celulares e GPS, os jovens registravam quantas crianças haviam em cada casa, quantas já tinham sido vacinadas e informavam a hora e lugar da próxima campanha, conscientizavam sobre a importância da imunização. Ao fazer o levantamento, as crianças descobriram que nem todos os 9 mil moradores tiveram acesso à vacina contra poliomielite.(3) A solução que encontraram para o problema foi incrementar campanhas de vacinação e divulgação nas ruas, utilizando-se de surrados cones de papelão, indicando onde estavam localizados os postos de saúde mais próximos.


Graças ao empenho dos “daredevils” de Calcutá, o governo local começou a construir a primeira forma de abastecimento com água potável para a comunidade e o número de vacinação cresceu 80%. Destarte, passaram a influenciar o mundo para além da favela. Por causa da atitude deles, foi produzido o filme “The revolutionary optimists”, um documentário  que inspirou o lançamento do Map your world (Mapeie seu mundo), plataforma múltipla que assenta o poder das novas tecnologias nas mãos de crianças e jovens para que elas se tornem agentes de mudanças sociais e compartilhem suas biografias com o mundo.


Pode haver aqui indicativos de que estamos diante de uma nova geração de espíritos moralizados que reencarnaram, a fim de trabalharem pela justiça social e fraternidade entre as pessoas. Quem sabe podem ser Espíritos que compõem a nova geração, Espíritos melhores d’outros orbes, ou simplesmente Espíritos terrícolas antigos que se melhoraram? Contudo o resultado é positivo. “Desde que trazem disposições melhores, há sempre uma renovação. Assim, segundo suas disposições naturais, os Espíritos encarnados formam categorias: de um lado, os retardatários, que partem [desencarnam]; de outro, os progressistas, que chegam [reencarnam]. O estado dos costumes e da sociedade estará, portanto, no seio de um povo, de uma raça, ou do mundo inteiro, em relação com aquela das duas categorias [retardatários/progressistas] que preponderar."(4) É nessa matemática que se processam historicamente os arranjos de paz ou guerras em cada geração.


Para o Codificador da Doutrina Espírita, a renovação moral da humanidade não se processará por uma "invasão" de seres de outros orbes, de outras constelações (embora seja admissível tal processo), mas porque os "Espíritos antigos que se melhoraram" têm seu papel no novo estágio evolutivo. Ou, repetindo Kardec: "A regeneração da Humanidade não exige absolutamente a renovação integral dos Espíritos: basta uma modificação em suas disposições morais. Essa modificação se opera em todos quantos lhe estão predispostos, desde que sejam subtraídos à influência perniciosa do mundo.”(5)


Observemos que as gerações ancestrais que presentemente dominam o saber na Terra, tempos recuados foram “gerações novas” e igualmente geraram assombro e especulações. Em todas as eras deparamos com arquétipos humanos intrigantes e que tiveram um papel muito respeitável na mudança social do orbe. “Arquétipos”, nesse caso, são padrões históricos, cujas experiências são reconhecidas e culturalmente registradas pelos historiadores. Tais seres dominavam ciências revolucionárias, novas técnicas, concepções artísticas perturbadoras e apresentavam um molde moral dessemelhante do corriqueiro, conquanto não fossem notados por seus iguais com seres “sobre-humanos”.


Estamos passando por grande revolução na apropriação do conhecimento humano. Há aqueles que possuem uma inteligência e sensibilidade social acima da média, inobstante não se distinguem radicalmente das gerações antecedentes de grandes gênios da academia, da religião e das artes. O modelo moral deles igualmente não difere dos seus predecessores. As ciências sociológicas revelam que as amplas transformações tecnológicas e sociais advieram pelas ações correspondentes de socialização, isto é, os padrões nascem com seus atributos intelectuais mais avançados e, em certas conjunturas, passam a contagiar culturalmente de forma mais expressiva sobre a geração daquele contexto, alterando os protótipos até então predominantes.


Não há como desconsiderarmos que não estamos vivendo um momento vulgar da Humanidade. Observamos uma grande mudança e as transformações ligeiras e impactantes estão aí para confirmar em todos os níveis da vida social. Isso confirma ainda mais as revelações espirituais sobre o destino da Terra, nada obstante não olvidemos que os acontecimentos terrenos não modificam ao gosto da nossa fantasia mística e sim no compasso adequado dos eventos da natureza consoante as DIRETRIZES DO CRISTO.



Referências bibliográficas:


(1) Google Maps é um serviço de pesquisa e visualização de mapas e imagens de satélite da Terra gratuito na web fornecido e desenvolvido pela empresa estadunidense Google.
Atualmente, o serviço disponibiliza mapas e rotas para qualquer ponto nos Estados Unidos, Canadá, na União Europeia, Austrália e Brasil, entre outros. Disponibiliza também imagens de satélite do mundo todo, com possibilidade de um zoom nas grandes cidades, como Nova Iorque, Paris, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, entre outras;


(2) http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/blog-da-redacao/criancas-mapeiam-favela-onde-moram-e-combatem-poliomielite/?utm_source=redesabril_psustentavel&utm_medium=facebook&utm_campaign =redesabril_psustentavel>;


(3) Em 2005, a Índia registrou 45 casos de paralisia infantil, número que a colocou como quarto país do mundo com mais pessoas afetadas;


(4) Kardec, Allan. A Gênese. 24a. Ed. FEB, cap. XVIII.


* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal aposentado do INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.