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'Água em pó' pode tornar a seca um problema do passado

11 de outubro de 2013



'Água em pó' pode tornar a seca um problema do passado



Matt McGrath
Repórter de meio ambiente da BBC News


Enquanto a ONU afirma que a maior parte da água usada no planeta vai para a irrigação, pesquisadores estão desenvolvendo uma série de ideias para fazer render mais a água utilizada na agricultura.


Nas últimas semanas, muitos se empolgaram com um produto que afirmam ter potencial para superar o desafio global de se cultivar em condições áridas.


Denominado "Chuva Sólida", ele é um pó capaz de absorver enormes quantidades de água e ir liberando o líquido aos poucos, para que as plantas possam sobreviver em meio a uma seca.


Um litro de água pode ser absorvido por apenas 10 gramas do material, que é um tipo de polímero absorvente orginalmente criado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês).


Nos anos 1970, o USDA desenvolveu um produto superabsorvente feito de um tipo de goma. Ele foi usado principalmente na fabricação de fraldas.



Potencial


Mas um engenheiro químico mexicano chamado Sérgio Jesus Rico Velasco via no produto um potencial que ia além de deixar bebês sequinhos.


Ele então desenvolveu e patenteou uma versão diferente da fórmula, que pode ser misturada com o solo para reter a água.


O engenheiro vem vendendo a "Chuva Sólida" no México há cerca de 10 anos. Sua empresa afirma que o governo mexicano testou o produto e concluiu que a colheita poderia ser ampliada em 300% quando ele era misturado ao solo.


Segundo Edwin González, vice-presidente da empresa Chuva Sólida, o produto agora vem atraindo um interesse cada vez maior, já que crescem os temores por falta de água.


"Ele funciona encapsulando água e pode durar 8 a 10 anos no solo, dependendo da qualidade da água. Se você usar água pura, ele dura mais."


A empresa recomenda usar cerca de 50 quilos do produto por hectare (10 mil metros quadrados), mas essa quantia custa cerca de US$ 1.500 (o equivalente a R$ 3.500).


Segundo Gonzalez, a "Chuva Sólida" é natural e não prejudica o solo, mesmo após ser usada por vários anos. Ele afirma que o produto não é tóxico e que, ao se desintegrar, o pó se torna parte das plantas.



'Sem evidências'


No entanto, nem todos estão convencidos de que a "Chuva Sólida" é uma solução válida para o problema da seca.


A professora Linda Chalker-Scott, da Universidade do Estado de Washington, afirma que esses produtos não são novidade. "E não há evidência científica que sugira que eles armazenem água por um ano", disse ela à BBC.


"Outro problema prático é que esse gel pode também causar problemas. Isso porque à medida que seca, ele vai sugando a água ao seu redor mais vigorosamente. E assim ele desvia a água que iria para a raiz das plantas."


Segundo ela, usar adubo de lascas de madeira produz o mesmo efeito e é significantemente mais barato.


González, no entanto, tem uma opinião diferente: "Os outros concorrentes não duram três ou quatro anos. Os únicos que duram tanto são os que usam sódio em suas fórmulas, mas eles não absorvem tanto."


Apesar do fato da ciência ainda não estar totalmente confiante nos benefícios de produtos como esse, González afirma que sua empresa recebeu milhares de pedidos vindos de locais áridos, incluindo Índia e Austrália. Ele também recebeu encomendas da Grã-Bretanha, onde secas não chegam a ser um problema.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 19 de agosto de 2013.



Jorge Hessen* comenta


Pesquisadores afirmam que estamos empurrando os ecossistemas do planeta para fora do ambiente em que evoluíram e para dentro de condições totalmente novas que eles podem não conseguir suportar. As extinções são o resultado provável.(1) Em países predominantemente desenvolvidos, cerca de um bilhão de pessoas em um cenário otimista e cinco bilhões em um cenário 'business-as-usual' (mantidas as mesmas condições) vivem em regiões que irão experimentar climas extremos antes de 2050. Isso faz aumentar a preocupação com mudanças no abastecimento de água e comida, saúde humana, disseminação mais extensa de doenças infecciosas, estresse causado pelo calor, conflitos e desafios para as economias. As Nações Unidas estabeleceram como meta limitar o aquecimento global a 2º C em comparação com níveis pré-industriais para evitar efeitos catastróficos decorrentes das mudanças climáticas.(2)


A atividade solar desenvolve-se em ciclos estudados e conhecidos pelos cientistas. Essa atividade atingiu um auge durante o período compreendido entre a década de 90 e o ano 2000. Ocorrem sucessivamente ciclos telúricos no orbe, todavia hoje o que está mais evidente é o enigma da instabilidade climática, mormente em face do superaquecimento global. Considerando o calor insólito(3), sobretudo as secas surpreendentes, acreditamos estar na iminência de maiores catástrofes ecológicas, de consequências arrasadoras, em face da rota de colisão entre o homem e a Natureza.


Desde o início da revolução industrial, em 1750, os níveis de dióxido de carbono (CO2) aumentaram mais de 30%, e os níveis de metano cresceram mais de 140%. A concentração atual de CO2 na atmosfera é a maior registrada nos últimos 800 mil anos. Quais serão as consequências disso? A escala do impacto pode levar à escassez de água potável, trazer mudanças grandes nas condições para a produção de alimentos e aumentar o número de mortes por decorrência de ondas de calor e secas.


Ao se desmatar as florestas, modificar cursos de rios, aterrar áreas alagadas e desestabilizar o clima, estamos destroçando as bases de uma rede de segurança ecológica extremamente sensível. Devemos ficar atentos aos alertas dos especialistas, pois já está demasiado claro que é apenas uma questão de tempo para as consequências funestas das previsões começarem a afetar, brutalmente, as nossas vidas e, principalmente, as vidas de nossos filhos e netos. A Terra assemelha-se a um organismo vivo, com mecanismos para auto-regular suas funções.(4) Nesses últimos anos, os Estados Unidos passaram pela pior seca em mais de um século. Grandes extensões de terra da Rússia também não tiveram chuva suficiente. Até mesmo a temporada de monções na Índia foi seca. Na América do Sul, o índice pluviométrico tem permanecido abaixo da média histórica.(5)


As nações, frequentemente, lutam para ter ou manter o controle de matérias primas, suprimento de energia, terras, bacias fluviais, passagens marítimas e outros recursos ambientais básicos. "Esses conflitos tendem a aumentar à medida que os recursos escasseiam e aumenta a competição por eles".(6) Precisamos nos adaptar ao meio como os demais entes vivos neste momento.


Sabe-se que a maior parte da água potável do planeta vai para a irrigação.(7) Por essa razão, há pesquisadores trabalhando vários projetos de sustentabilidade a fim de fazer render mais a água utilizada na agricultura. Uma das propostas é a chamada "chuva sólida", um tipo de pó apropriado que espalhado no solo consegue absorver e reter água em
abundância e liberar o líquido gradativamente, a fim de que os vegetais possam resistir mais tempo a uma seca.


Lamentavelmente ainda amargamos os contrastes de uma suprema tecnologia no campo da informática, das viagens espaciais, dos supersônicos, dos raios laser, ao tempo em que ainda temos que conviver com muita indiferença ao meio ambiente. Por outro lado, e menos mal nos parece, é que a necessidade de destruição da natureza “se enfraquece no homem, à medida que o Espírito sobrepuja a matéria”.(8) Realmente, a consciência de proteção ambiental cresce com o nosso desenvolvimento intelectual e moral. Os recursos “renováveis” que se consomem e o impacto sobre o meio ambiente não podem ser relegados a questões de menor importância, principalmente levando-se em consideração a utilização da água potável, cuja posse no futuro pode ser o motivo mais explícito de confronto bélico planetário.


Na década dos anos 70, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) desenvolveu um produto superabsorvente feito de uma espécie de goma(9), que mais tarde foi utilizada para hidratação de vegetais. Sabemos que o meio ambiente em que renascemos constitui muitas vezes a prova expiatória, com poderosas influências sobre nosso psiquismo. Desse modo, “faz-se indispensável que a pessoa esclarecida coopere na transformação do meio ambiente para o bem, melhorando e elevando as condições materiais e morais de todos os que vivem na sua zona de influência".(10)


"A Natureza é sempre o livro divino, onde a mão de Deus escreveu a história de sua sabedoria, livro da vida que constitui a escola de progresso espiritual do homem evoluindo constantemente com o esforço e a dedicação de seus discípulos".(11) Nesse elevado empenho, Sérgio Jesus Velasco, um engenheiro químico da cidade do México, conhecendo a invenção da USDA, desenvolveu com sucesso e patenteou uma versão diferente da fórmula gelatinosa. Hoje, seu invento é misturado com o solo de áreas secas, e ao ser irrigado esse “gel” consegue armazenar grande quantidade de água..., redistribuindo gradativamente o líquido para a plantação.


A vida no planeta depende da convivência pacífica entre o homem e a Natureza. E nós espíritas, o que fizemos, ou o que pretendemos fazer? O iluminado Mahatma Gandhi – que afirmou certa vez que toda bela mensagem do Cristianismo poderia ser resumida no sermão da montanha – nos serve de exemplo quando diz: “sejamos nós a mudança que nós queremos ver no mundo”.(12)



Referências:


(1) Segundo Ken Caldeira, do departamento de ecologia global do Instituto Carnegie de Ciência, publicado no site http://br.noticias.yahoo.com/mudan%C3%A7as-clim%C3%A1ticas-radicais-est%C3%A3o-prestes-ocorrer-diz-estudo-215503432.html>, acessado em 10/10/2013;


(2) Disponível no site http://br.noticias.yahoo.com/mudan%C3%A7as-clim%C3%A1ticas-radicais-est%C3%A3o-prestes-ocorrer-diz-estudo-215503432.html>, acessado em 10/10/2013;


(3) Na Austrália o calor muito acima da média fez com que o serviço de meteorologia deste país adicionasse novas cores na escala de temperatura para indicar quando os termômetros ficam acima de 50°C, foram adicionadas as cores roxo escuro e magenta para representar as temperaturas entre 51°C e 54°C;


(4) Teoria que afirma ser o planeta Terra um ser vivo. Apresentada em 1969 pelo investigador britânico James E. Lovelock, a Teoria de Gaia, também conhecida como Hipótese Gaia, diz ser a biosfera terráquea capaz de gerar, manter e regular suas próprias condições de meio-ambiente;


(5) Disponível no site http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/10/121016_alimentos _crise_dg.shtml>;


(6) Trecho é encontrado na página 325 do relatório BRUNDTLAND, de 1988, da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, no livro "Nosso Futuro Comum";


(7) Conforme Relatório da ONU – Organização das Nações Unidas;


(8) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: Ed. FEB, 2001, perg. 733;


(9) À época, a invenção foi usada principalmente na fabricação de fraldas;


(10) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, ditado pelo Espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2001, questão 121;


(11) Idem, questões 27 e 28;


(12) Trigueiro, André. Espiritismo e Ecologia, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 2011.


* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal aposentado do INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.