Espiritismo .NET

Internas do Degase são premiadas em concurso mundial de robótica

27 de junho de 2013



Internas do Degase são premiadas em concurso mundial de robótica



Adolescentes que cumprem medidas socioeducativas disputaram com equipes de 35 países e tiraram segundo lugar com “cadeira sambista”


Festa de premiação do First Lego League 2013 aconteceu na Alemanha


Dez meninas desenvolveram projeto junto com professora, mas só duas delas tiveram autorização para viajar


LEONARDO VIEIRA


RIO - Deu samba o projeto que dez adolescentes internas no Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), no Rio, apresentaram na semana passada em um dos maiores concursos de robótica estudantil do mundo, o First LEGO League 2013, na Alemanha. As meninas foram premiadas com o segundo lugar no concurso, que reuniu 54 equipes de 35 países, ao encontrarem uma solução para facilitar a evolução de integrantes da ala das baianas da Velha Guarda da Escola de Samba União da Ilha. Por causa da idade avançada, elas têm dificuldade em desfilar com as fantasias, que pesam até 30 kg.


As adolescentes, que cumprem medidas socieducativas por infrações à lei, criaram o protótipo de uma cadeira capaz de imitar os tradicionais giros da baiana na avenida. Com isso, podem desfilar sentadas, controlando com os pés os movimentos da máquina, usando apenas dois botões. O vídeo de animação apresentado no torneio mostra outra criação das meninas: uma Sapucaí formada com peças de Lego, onde uma arquibancada lotada de bonecos aplaude o desfile do casal de mestre-sala e porta-bandeira, carros alegóricos, o recuo da bateria, e finalmente, a ala das baianas.


Embora a “cadeira sambista” tenha sido desenvolvida por 10 adolescentes, apenas duas foram à cerimônia na Alemanha, e, ainda assim, porque, duas semanas antes da viagem, a Justiça modificou o regime de internação das meninas, que passou de internato para semi-liberdade. As outras oito, por não poderem deixar as dependências do Degase, ficaram no Brasil, torcendo pelo prêmio. Convidada em fevereiro para participar da competição, a equipe teve de desenvolver a “Cadeira Sambista” em apenas três meses. E para isso, contou com a consultoria de outra equipe carioca, os FrancoDroids, do colégio Liceu Franco-Brasileiro.


O trabalho das meninas contou com a coordenação da professora Sandra Caldas, que, há 13 anos, dá aulas no Degase. Em 2011, com outro grupo de internos, Caldas bateu mais de 250 mil projetos inscritos por 107 países e venceu o Prêmio Microsoft Educadores Inovadores, nos Estados Unidos, também com um protótipo de Lego. No entanto, naquele ano, ela teve de representar o grupo sozinha no exterior.


— Ficar em segundo lugar dessa vez foi ótimo para nós. Essa é uma das maiores competições de robótica do mundo. Só estavam ali os melhores de cada país. Elas viram que são capazes de fazer alguma coisa boa. E isso é ótimo para a auto-estima delas. Muda paradigmas — disse Caldas.



Projeto Lego


Em 2008, a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro (Seeduc), a Lego Foundation e o Degase firmaram acordo para criar oficinas de arte da construção em Lego. O objetivo é estimular menores que cumprem medidas socioeducativas na busca de soluções responsáveis e criativas na produção de animações e peças de robótica.


Para o torneio, as meninas tiveram de procurar um problema na comunidade e tentar solucioná-los. A ideia da “cadeira sambista” surgiu após o grupo conversar com membros da União da Ilha, escola de samba vizinha a uma das unidades do Degase.


— Nós prestigiamos a União da Ilha até porque elas queriam levar o samba para a competição. Daí nós ouvimos os relatos da Velha Guarda da escola e decidimos criar a cadeira — contou Caldas.


O sucesso do protótipo foi tamanho que a professora já chegou a conversar com engenheiros de mecatrônica para tentar criar uma “cadeira sambista” em tamanho real. Até o custo já foi estimado: U$ 2.400.


— Seria ótimo que as baianas e toda a Velha Guarda pudessem ter uma cadeira dessas, pois nós trabalharíamos contra a depressão ao reincluí-los no contexto social onde viveram por toda a vida — avaliou a psicóloga Sueli Schutof, pesquisadora em terceira idade.



Degase


Mas o ambiente onde as meninas elaboraram o projeto ainda está longe de ser propício ao empreendedorismo. No último sábado, três menores fugiram da unidade do Degase na Ilha do Governador, mas dois foram recapturados momentos depois. Já na semana anterior, outros 26 internos conseguiram escapar, e oito continuam foragidos. A unidade abriga 133 menores, mas tem capacidade para apenas 120.


Em entrevista ao RJ TV, o diretor geral do Degase, Alexandre Azevedo de Jesus, afirmou que o departamento registrou um aumento de apreensão de menores na marca de 122%. Ainda segundo Azevedo, 376 novos servidores serão incorporados ao departamento “nas próximas semanas”. O Degase não realizava concurso público desde 1998.


Notícia publicada no Jornal O Globo, em 15 de maio de 2013.



Claudio Conti* comenta


Atualmente muito se fala, no meio espírita, sobre o processo de transformação da Terra. Todavia, é imperioso ressaltar que o planeta não se transforma por si só, mas que são os espíritos que o habitam, encarnados ou não, que se transformam.


Neste processo que, dependendo dos seus habitantes, pode ser lento ou não - no nosso caso tudo indica se tratar de um processo lento - os espíritos necessitam de aprimoramento em vários pontos para, gradativamente, diminuírem o orgulho e o egoísmo.


Não podemos, nem devemos, esperar que seja necessário o completo desaparecimento das duas chagas citadas em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, o orgulho e o egoísmo, para a transformação do planeta, pois a condição de regeneração não é caracterizada como sendo um mundo elevado, mas pouco acima da nossa condição atual, expiação e provas.


Como podemos, todavia, imaginar o que seria o mínimo necessário para que a mudança ocorra? Tentemos o raciocínio a seguir: Analisando o corpo humano, percebemos que a saúde física é obtida quando todas as células que o constituem exercem adequadamente a função para a qual foram designadas no momento da diferenciação celular, isto é, da sua especialização para executar uma determinada atividade necessária para o funcionamento do corpo. Assim, podemos dizer que as células em um corpo saudável exercem exatamente e adequadamente a sua função. O mundo pode ser analisado como o corpo humano, sendo que as células seriam os seus habitantes. Uma sociedade qualquer, seja pequena ou toda a população do planeta, pode ser analisada de uma forma semelhante. Quando todos os integrantes do planeta estiverem cientes das suas funções e deveres, toda a estrutura estará funcionando adequadamente, com cada um recebendo, em retorno, o que necessita. Doando e recebendo em perfeita sinergia.


A função e o dever individual dependem do nível evolutivo, portanto, no próximo estágio do nosso planeta, não haverá a necessidade precípua de todos atingirem a mesma condição. A felicidade, portanto, não está atrelada à evolução propriamente dita, mas a cada um exercer o seu papel adequadamente, garantindo a paz e a harmonia entre todos os seres, com cada um fazendo ao outro o que gostaria que o outro lhe fizesse.


Diante do exposto, podemos compreender a grande necessidade de movimentos como o descrito na reportagem em análise. Auxiliando a que todos trabalhem para o benefício de todos. Pode-se questionar a real necessidade do malabarismo carnavalesco, mas o importante é ressaltar que o grupo orientou-se por tentar trabalhar pela comunidade.


* Claudio Conti é graduado em Química, mestre e doutor em Engenharia Nuclear e integra o quadro de profissionais do Instituto de Radioproteção e Dosimetria - CNEN. Na área espírita, participa como instrutor em cursos sobre as obras básicas, mediunidade e correlação entre ciência e Espiritismo, é conferencista em palestras e seminários, além de ser médium pscógrafo e psicifônico (principalmente). Detalhes no site www.ccconti.com.