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Estilo de vida: meditar é mais simples do que se imagina

23 de junho de 2013



Estilo de vida: meditar é mais simples do que se imagina



Por Portal EcoD


Tudo o que você precisa são dois minutos e um impulso diário, seja para tomar café da manhã, escovar os dentes, lanchar ou tomar aquele banho no final da tarde. A meditação pode se tornar um hábito e trazer benefícios à saúde. Para isso, a prática não precisa daquela perfeição que só é possível após muitos cursos e anos de experiência. Mas meditar é bem mais simples do que se imagina!


Segundo um estudo feito pela Universidade da Califórnia a meditação ajuda no tratamento da depressão de forma tão eficiente quanto os antidepressivos. Além disso, o EcoD mostrou que cientistas norte-americanos concluíram que a prática aumenta os níveis da enzima telomerase, amenizando o envelhecimento precoce e reforçando o sistema imunológico.


Então, que tal um passo-a-passo para dar início a meditação?


Reserve dois minutos do seu dia. Embora pareça estranho, o tempo é suficiente para a meditação diária;


Escolha um impulso, assim terá uma referência para tornar a prática diária;


Procure um local calmo, pode ser em áreas externas, como praias e parques, ou internas, dentro de casa mesmo. No fundo, o lugar não é o mais importante, o que interessa é que ele não deixe você ser interrompido;


Sente-se confortavelmente. Não se apegue a posição conhecida como a correta para a meditação. Concentre-se exclusivamente no conforto, pode ser sobre uma almofada no chão com as costas encostadas à parede, de pernas cruzadas no sofá ou em um tapete;


Concentre-se em sua respiração. Aí está o ponto crucial! À medida que inspirar, siga o percurso da respiração através do nariz, garganta, pulmões e barriga. Os olhos podem permanecer abertos ou fechados, o importante é manter a concentração. À medida que expirar, volte a seguir o percurso da respiração. Se ajudar, pode contar um fôlego para dentro, dois fôlegos para fora, três fôlegos para dentro, quatro fôlegos para fora e quando chegar ao décimo, recomece. Se os seus pensamentos começarem a passear (e o mais natural é que isso aconteça), volte lentamente a concentração na sua respiração. Com a rotina a prática se tornará natural.


Com informações do portal Estado Zen.


Notícia publicada em MSN Notícias, em 26 de janeiro de 2013.



Breno Henrique de Sousa* comenta


O uso da palavra meditação nas obras de Allan Kardec tem como sentido, reflexão sobre um tema ou concentração em um assunto. É também a opinião de Heitor Durville, magnetizador francês, contemporâneo de Allan Kardec, que define a meditação como “um estado no qual entra nosso espírito para refletir sobre um assunto qualquer, examiná-lo seriamente, aprofundá-lo e procurar conhecê-lo tanto quanto possível” (Magnetismo Pessoal, 1890). De fato esse é o significado da palavra francesa Méditer, usada naquela época.


Esse significado é diferente do sentido oriental da palavra meditar. Segundo o monge budista francês Matthieu Ricard: “Etimologicamente, as palavras, sânscrita e tibetana, traduzidas em francês por “meditação” são, respectivamente, bhavana, que significa “cultivar”, e gom, “familiarizar-se”. Trata-se, principalmente, de familiarizar-se com uma visão clara e justa das coisas e cultivar qualidades que nós todos possuímos, mas que permanecerão em estado latente enquanto não nos esforçarmos para desenvolvê-las” (A Arte de Meditar, 2009).


A partir daí podemos concluir imediatamente que estamos falando de coisas diferentes, apesar de esses dois significados tocarem-se em algum ponto, especialmente no que se refere à concentração. Meditação no sentido oriental não é simplesmente concentrar-se, ainda que a concentração possa ser utilizada como uma das técnicas de meditação e do fato de que a prática da meditação desenvolve a capacidade de concentração.


Nesse sentido, a meditação é uma técnica mental que, dentre outras coisas, permite desenvolver a atenção plena. Meditadores experientes têm a capacidade de manter a mente focada em uma atividade por cerca de 40 a 50 minutos quando a grande maioria das pessoas não ultrapassa os 5 minutos. A meditação permite uma percepção plena de si e do que nos cerca, é um estado mental receptivo que permite uma sensação de equilíbrio emocional e paz interior. Através da meditação pode-se chegar a um estado tão avançado de contemplação, em que se percebe plenamente a realidade, porém a mente aquieta os pensamentos e julgamentos a tal ponto que é como se estivéssemos sem pensar.


É muito difícil disciplinar os pensamentos que são como um turbilhão inquieto. Estamos sempre emitindo julgamentos, criando expectativas, frustrando-nos e isso acarreta uma carga de emoções muito estressante que causa um grande dispêndio de energia. Certamente, a meditação permite diminuir essa ansiedade e estabelecer um estado de equilíbrio e tranquilidade que se reflete na saúde física.


Essa prática milenar não tem relação direta com os princípios espíritas. A meditação não está nos postulados espíritas assim como está, por exemplo, no Budismo, mas não há nenhuma incompatibilidade com os princípios espíritas, aliás, tudo o que corrobora para o equilíbrio mental e espiritual do ser humano, é bem vindo, pois favorece a reforma íntima e a evolução espiritual que são objetivos maiores preconizado pelo Espiritismo.


Não precisamos transformar os centros espíritas em centros de meditação, mas, sem exageros, já temos visto nos meios espíritas o uso de algumas dessas técnicas como as visualizações criativas. Além disso, existe uma vasta literatura sobre o assunto, que poderá ser consultada por quem quiser se aprofundar nesse tema. Eu, pessoalmente, acredito que qualquer pessoa que queira aperfeiçoar-se deveria utilizar esse fabuloso recurso, que, pelos efeitos que proporciona, poderá contribuir na qualidade das atividades mediúnicas, porque permite ao médium equilibrar-se emocionalmente e atingir um estado de receptividade que lhe permite captar o pensamento dos espíritos que através dele se comunicam.


* Breno Henrique de Sousa é paraibano de João Pessoa, graduado em Ciências Agrárias e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba. Ambientalista e militante do movimento espírita paraibano há mais de 10 anos, sendo articulista e expositor.