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Estudo: crianças 'viciadas' em TV têm mais probabilidade de cometer crimes

18 de maio de 2013



Estudo: crianças 'viciadas' em TV têm mais probabilidade de cometer crimes



Uma pesquisa realizada na Nova Zelândia aponta que crianças que assistem televisão em excesso são mais sujeitas do que outras a cometer crimes ou ter atitudes agressivas quando adultas.


A Universidade de Otago acompanhou mais de 1 mil adolescentes nascidos no início da década de 1970 desde os quinze anos de idade até os 26 para avaliar os potenciais impactos da televisão nos seus comportamentos.


O estudo, publicado nesta semana na revista americana Pediatrics, conclui que existe uma forte correlação entre a exposição excessiva de crianças à televisão e comportamentos anti-sociais de jovens adultos.


"O risco de um jovem adulto ter antecedentes criminais aumenta em 30% para cada hora em que assistiu televisão em média durante a semana quando criança", disse Bob Hancox, co-autor da pesquisa.


A pesquisa também apontou que o fato de assistir televisão em excesso está ligado a comportamentos agressivos e a tendência de sentir mais emoções negativas.


Estas ligações são ainda mais significantes em termos de estatísticas quando são levados em conta fatores como a inteligência, a condição social e a educação dada pelos pais.


"Ao mesmo tempo que não podemos dizer que a televisão leva diretamente a comportamentos antisociais, os resultados da nossa pesquisa sugerem que o fato de passar menos tempo assistindo televisão pode reduzir os comportamentos antisociais na sociedade", analisou Hancox.


Ele ainda disse que concordava com as recomendações da Academia Americana de Pediatria, segundo a qual crianças não deveriam assistir a mais de uma ou duas horas de programas de televisão por dia.


O estudo também aponta que é possível que crianças tenham desenvolvido comportamentos antisociais ao imitar o que viram na televisão.


No entanto, os conteúdos assistidos não seriam o único fator que levaria a estes comportamentos. O isolamento social vivido por pessoas que ficam horas diante da TV também seria um agravante.


"É possível que o fato de assistir televisão em excesso leve a comportamentos antisociais mesmo se a criança não está exposta a conteúdos violentos", disse a pesquisa.


"Se ficar tempo demais na frente da televisão, a criança pode ter menos relações sociais com amigos ou parentes além de um desempenho ruim na escola e correr assim mais risco de ficar desempregado", explicou.


Hancox ainda salientou que o estudo foi baseado em hábitos de crianças no fim da década de 1970 e no início da década de 1980, antes da chegada em massa de videogames.


"Se a pessoa passa horas na frente de um jogo que não apenas a expõe a cenas violentas, mas tamém estimula a matar pessoas, isso pode ser pior ainda, mas não tenho nenhum dado concreto sobre este assunto", disse Hancox em entrevista à Radio New Zealand.


AFP


Notícia publicada no Portal Terra, em 19 de fevereiro de 2013.



Breno Henrique de Sousa* comenta


A televisão me deixou burro, muito burro demais...


Afirma o dito popular que o homem é produto do meio. Em minha opinião, baseando-me nos conhecimentos espíritas, essa é uma meia verdade.


Somos, de fato, influenciados pelo meio, não, porém, “determinados”. É pela influência que exercemos uns sobre os outros que necessitamos viver em sociedade. Se não fôssemos influenciáveis, não seríamos educáveis. E se podemos sofrer influências positivas, também estamos susceptíveis às negativas.


A maioria das pessoas deixa-se simplesmente levar pela corrente de pensamentos da massa que a arrasta, sem impor qualquer resistência. Porém, deixam-se levar porque têm a vontade fraca, são indolentes ou preguiçosos para se opor aos costumes vigentes, ou, o que é pior, nem se dão conta de que estão sendo influenciados. É mais fácil fazer o que todo mundo faz ou deixar-nos levar por nossas más inclinações ao invés de realizar algum esforço para superá-las, assim como nos respondem os Espíritos, em O Livro dos Espíritos:


909. Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações?


“Sim, e, frequentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! Quão poucos dentre vós fazem esforços!”.


Esta condição de estarmos submetidos aos hábitos vigentes, reproduzindo-os inquestionavelmente, chamamos de condicionamento. A maioria de nós está submetida a algum tipo de condicionamento. É algo próprio da condição humana e faz parte da estratégia evolutiva mimética de repetir o que faz o grupo. Inconscientemente observamos que se todo mundo faz é porque dá certo. Além disso, fazer o que todos fazem nos dá uma sensação de segurança e identidade com o grupo, algo que buscamos pela nossa necessidade avidamente. É mais simples e cômodo padronizar e repetir comportamentos ao invés de criar um padrão novo de comportamento a cada dia, o que seria muito desgastante, despenderia muita energia, além disso, aquilo que conhecemos é sempre mais seguro.


Porém, o condicionamento tem suas desvantagens. As populações com comportamentos previsíveis e altamente especializados têm dificuldade de adaptar-se a mudanças ou a ameaças de qualquer natureza. Tendem a não se modificar e repetir padrões de comportamento autodestrutivo. Um determinado número de reações ensaiadas é uma estratégia pobre de sobrevivência. Exemplifiquemos isso com os hábitos alimentares. As pessoas que têm uma dieta muito restrita, que só comem determinados alimentos, absorverão os poucos nutrientes daquela dieta pobre, estando vulneráveis à subnutrição, sem falar que sofrerão na falta eventual desses alimentos, pois terão dificuldades para substituí-los. Em sociedade, uma rede de amigos mais ampla e de ocupações mais diversificadas garante mais bem estar psicológico do que alguém que vive isolado ou obsessivamente dedicado a um único tipo de ocupação, como por exemplo, seu trabalho. Uma vida saudável inclui trabalho, família, esportes, diversão, cultura e religião, de forma equilibrada. Quando falo de amigos e vida social, estou falando de algo real e não dos mais de mil contatos no Facebook, que, na verdade, nem conhecemos direito.


Mas não somos sempre vítimas de nossos condicionamentos. Se fosse assim, estaríamos presos aos nossos limites e não teríamos atingido o progresso a que chegamos. É verdade que esse progresso acontece, muitas vezes, impulsionado pelos acontecimentos e catástrofes naturais trazidas pela vida, nos forçando a uma mudança adaptativa. O animal que perde seu nicho procurará outro para garantir a sua sobrevivência. De outra maneira, perecerá. Da mesma forma, alguns infortúnios em nossa vida pessoal são como alavancas que nos impulsionam as mudanças, tirando-nos de nossa zona de conforto e impelindo-nos a readaptar-nos, reavaliarmos valores, mudar hábitos e clichês mentais. É tão certo esse processo que a natureza nos beneficiou com a morte física, processo constante de mudança que nos impulsiona o progresso pela renovação da matéria.


Esse patrimônio evolutivo guardamos em nosso âmago e é por isso que muitos de nós já nascemos diferentes e questionamos o que todos seguem cegamente. Sobre isso é interessante o comentário dos espíritos, na questão 217, de O Livro dos Espíritos:


Não é pouco frequente observar-se que certas pessoas, elevando-se da mais ínfima posição, tomam sem esforços os hábitos e as maneiras da alta sociedade. Parece que elas aí vêm a achar-se de novo no seu elemento. Outras, contrariamente, apesar do nascimento e da educação, se mostram sempre deslocadas em tal meio. De que modo se há de explicar esse fato, senão como reflexo daquilo que o Espírito foi antes?


A humanidade está destinada a superar seus condicionamentos ainda que permaneça durante séculos cristalizada. Se ela não mudar por seus esforços, a força renovadora do progresso obrigará a mudança, porque essa é uma lei irrevogável da natureza.


Tudo isso nos permite dizer que a televisão, tal como é usada nos dias atuais e na grande maioria dos casos, é um instrumento potente de condicionamento das massas. Um comportamento condicionado é previsível e mais facilmente explorável mercadologicamente. É mais fácil e lucrativo produzir para uma sociedade que tem seus anseios e necessidades padronizados, isso permite a manutenção dos monopólios, mais lucros e menos gastos.


O estímulo a comportamentos violentos, a compulsividade relacionada à alimentação e a sexualidade, a distração das animações barulhentas e coloridas, o excesso de informações fúteis e superficiais, tudo isso reforça os condicionamentos e distancia o ser humano dos questionamentos mais essenciais sobre a vida. Aliás, funciona como uma espécie de anestésico que adormenta a consciência para as questões existenciais e fundamentais da vida. Porém, esse torpor hipnótico é apenas superficial. Nossos conflitos naturais se tornam patogênicos e surge a violência, além de outros transtornos sociais e psicológicos.


Não estou pondo a culpa de todos os nossos males na televisão. Sem dúvida, esse é apenas um aspecto de uma realidade complexa. Mas ninguém me venha com esse discurso de publicitário que a TV só mostra a realidade e o que o povo quer ver, e que o problema não está na TV, mas sim na sociedade. Sem dúvida, não podemos eximir a sociedade de sua parcela de responsabilidade. Nem estou dizendo que se não houvesse televisão todos os nossos problemas estariam resolvidos amanhã, mas a cada um é preciso reconhecer a sua parcela de responsabilidade. Está demonstrado, por outros inúmeros estudos científicos, que a TV faz mal. Reflete na formação das pessoas tornando-as mais antissociais e violentas, independentemente dos conteúdos veiculados na programação.


O simples fato de estar estático diante da TV, sem pensar, como um vegetal, privando-se do convívio social, privando-se da leitura edificante, vivendo de maneira sedentária, perdendo tempo com uma programação que é 90% lixo e nada de bom oferece que não possa ser suprido por outros meios, em nada contribui para o desenvolvimento do ser humano, para seu equilíbrio psicológico e sua inteligência. Sobre isso, esse estudo publicado na Revista Americana Pediatrics, de autoria de Lindsay Robertson, Helena M. McAnally e Robert J. Hancox, em fevereiro de 2013, é bem enfático ao demonstrar o efeito negativo que a televisão exerce sobre as pessoas.


Eu assisto muito pouco a televisão. Já há muito tempo aboli novelas e programas de auditório. Às vezes, vejo noticiários, mas a maioria é tendenciosa. A mudança de hábitos pode ser difícil e, dependendo do caso, pode mesmo se comparar ao de um dependente químico que tenta se livrar das drogas. Já experimentaram passar um dia, dois ou três sem olhar a TV? Tente! Se isso te incomodar, sinto muito em dar a notícia, mas você é um dependente. O processo de desintoxicação pode ser lento e sofrido. Outro dia, meus pais disseram que trocaram a opção de uma das novelas da programação aberta de TV para, nesse horário, ler um livro. Que coisa maravilhosa! Pode ser um excelente começo. Vocês acham que estou exagerando quando comparo a coisa com um dependente químico? O que caracteriza uma dependência ou vício é a necessidade que sentimos por algo e essa necessidade só sentimos quando nos abstemos dessa coisa. Vocês ficarão surpresos a depois de três dias de abstinência de televisão sentirem irritação, depressão, nervosismo, etc. Efeito da abstinência. Por que não fazer a experiência?


Aqui no Brasil é surpreendente ver uma casa de taipa, caindo, sem nada, mas existindo ali uma antena e uma TV como item principal de sobrevivência da família brasileira. Em nossas casas, ela ocupa posição de honra e destaque no centro de nossas salas e é a babá eletrônica que educa os nossos filhos. Reflitamos sobre isso, desliguemos a TV e leiamos um bom livro ou tenhamos uma boa conversa com nossos familiares, amigos e vizinhos.


* Breno Henrique de Sousa é paraibano de João Pessoa, graduado em Ciências Agrárias e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba. Ambientalista e militante do movimento espírita paraibano há mais de 10 anos, sendo articulista e expositor.