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"Criança transgênero é proibida de ir a banheiro das meninas"

12 de maio de 2013



"Criança transgênero é proibida de ir a banheiro das meninas"



por Antonio Carlos Prado e Thaís Botelho


A polêmica nasceu no Estado americano do Colorado, ganhou os EUA e chegou à mídia de todo o mundo: um menino de 6 anos, que desde as primeiras palavras que pronunciou na vida se define como menina, se comporta como menina e só aceita ser vestido como menina (raro caso de criança transgênero), foi proibido de usar na escola o banheiro feminino. Os pais da criança já recorreram à Justiça para que se derrube tal proibição. O colégio alega que, no futuro, “pode ser psicologicamente negativo para o menino saber que na infância ele só utilizava banheiro de mulheres”. Para os país, a decisão da escola cria estigmas: “A escola tem uma excelente oportunidade de ensinar a todos os seus alunos que devemos conviver e aceitar as diferenças, que elas são normais”.


Matéria publicada na Revista ISTOÉ, em 1º de março de 2013.



Cristiano Carvalho Assis* comenta


Com todo desenvolvimento intelectual alcançado e com todas as descobertas científicas, a sociedade ainda tem grande dificuldade de saber como se comportar quando o assunto recai sobre a sexualidade. Em todos os momentos, nos deparamos com situações novas ou que não foram adequadamente trabalhadas, já que na maioria das vezes, casos desta natureza eram tratados às escondidas.


Vitor Duarte Ferreira nos explica: "o transexual, hoje passou a ser chamado de ”neurodiscordância de gênero”, já que a pessoa possui um corpo de um gênero e a sua psicologia é do gênero oposto. Daí uma discordância entre a alma e o corpo, que por sua vez se coaduna com o termo neurodiscordância de gênero. O fenômeno também é chamado de Transgênero." Fato esse bem explicado e justificado pela Lei da Reencarnação.


Normalmente quando casos desta natureza ocorrem, nos lembramos de Chico Xavier no programa Pinga Fogo: "(...) acreditamos que o comportamento sexual na humanidade sofrerá de futuro revisões muito grandes (...)". A entrevista se deu em 1971 e nos dias atuais vemos que ocorre justamente isso. A sociedade em geral, pela força das circunstâncias, precisa reformular seus posicionamentos. Não podemos mais ter as mesmas interpretações de desrespeito ou de exclusão que a sociedade apresenta para casos como este ou de outras sexualidades. Chegamos a um patamar de informação, conhecimento, comunicação e integração mundial que todos os assuntos precisam ser trabalhados e aprofundados para que não ocorram injustiças ou excessos de conduta de nenhuma das partes envolvidas.


Chico Xavier nos dá uma síntese sobre o assunto: "O homossexualismo, tanto quanto a bissexualidade ou bissexualismo como a assexualidade são condições da alma humana. Não devem ser interpretados como fenômenos espantosos, como fenômenos atacáveis pelo ridículo da humanidade. Tanto quanto acontece com a maioria que desfruta de uma sexualidade dita normal, aqueles que são portadores de sentimentos de homossexualidade ou bissexualidade são dignos do nosso maior respeito (...)".


Se as potências do homem na visão, na audição, nos recursos imensos do cérebro nos recursos gustativos, nas mãos (...) se todas essas potências foram dadas ao homem para a educação, para o rendimento no bem, isto é, potências consagradas ao bem e à luz em nome de Deus, seria o sexo, em suas várias manifestações, sentenciado às trevas?" (do Livro "Pinga-Fogo com Chico Xavier")


Não estamos aqui para julgar o que deve ser feito pela escola ou pelos pais da criança, já que para isso haveria necessidade de um maior aprofundamento da questão. Mas o que há, é a necessidade, para esse caso e para outros que virão, de proporcionarmos bases seguras, evitando injustiças. E as únicas bases que proporcionarão isso são a do amor, da compreensão e do respeito ensinadas por Jesus quando nos disse: "Faça aos outros o que você gostaria que eles fizessem a você."


* Cristiano Carvalho Assis é formado em Odontologia. Nasceu em Brasília/DF e reside atualmente em São Luís/MA. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Maranhense e colaborador do Serviço de Atendimento Fraterno do Espiritismo.net.