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Uso de celulares durante gravidez pode gerar filhos com hiperatividade

14 de maio de 2013



Uso de celulares durante gravidez pode gerar filhos com hiperatividade



Com informações da Universidade de Yale



Radiação de celulares na gravidez


A exposição à radiação de telefones celulares durante a gravidez afeta o desenvolvimento cerebral dos recém-nascidos.


Segundo os pesquisadores da Universidade de Yale (EUA), as alterações verificadas no cérebro podem levar ao surgimento da hiperatividade.


Os resultados, baseados em estudos realizados em camundongos, foram publicados na Scientific Reports, uma publicação da revista científica Nature.


"Esta é a primeira evidência experimental de que a exposição do feto à radiação de radiofrequência dos telefones celulares de fato afeta o comportamento quando adulto," disse o coordenador do estudo, Dr. Hugh S. Taylor.



Hiperatividade e redução na memória


Taylor e seus coautores expuseram as camundongos grávidas à radiação de um telefone celular, ligado e com uma chamada ativa, mas sem transmissão de voz, posicionado acima da gaiola.


Um grupo de controle foi mantido sob as mesmas condições, com o telefone ligado, mas sem a chamada ativa.


Depois que os camundongos nascidos dessas mães ficaram adultos, a equipe mediu a atividade elétrica dos seus cérebros, e fizeram uma bateria de exames psicológicos e comportamentais.


Eles descobriram que os camundongos que foram expostos à radiação tendem a ser mais hiperativos e apresentam redução na capacidade de memória.



Telefone celular


Taylor atribui as mudanças comportamentais a um efeito induzido pela radiação do celular durante a gravidez sobre o desenvolvimento dos neurônios na região do cérebro chamada córtex pré-frontal.


O Transtorno de Déficit Atenção/Hiperatividade (TDAH) é uma desordem desenvolvimental associada com uma neuropatologia localizada primariamente na mesma região do cérebro, e é caracterizada pela desatenção e pela hiperatividade.


"Nós demonstramos que os problemas comportamentais nos camundongos, que lembram a TDAH, são causados pela exposição [à radiação do] telefone celular quando ainda no útero,"


disse o Dr. Taylor. "O aumento das desordens comportamentais nas crianças humanas pode em parte ser decorrente da exposição do feto à irradiação dos telefones celulares."



Efeitos no ser humano


O pesquisador afirma que serão necessárias pesquisas adicionais em humanos para se compreender melhor os mecanismos por trás dessas descobertas, e para estabelecer limites seguros de exposição à radiação dos telefones celulares durante a gravidez.


De qualquer forma, afirma ele, a limitação da exposição do feto parece ser algo a ser necessariamente feito.


Nesses casos, a transposição dos resultados para os seres humanos deve se basear em pesquisas com animais, uma vez que nenhuma comissão de ética aprovaria pesquisas com mulheres grávidas que possam, ainda que eventualmente, resultar em danos aos seus filhos.


Notícia publicada no Diário da Saúde, em 19 de março de 2012.



Carlos Miguel Pereira* comenta


Há alguns anos que abundam os estudos científicos que procuram encontrar uma relação entre a exposição a radiações durante a gravidez e problemas de comportamento dos bebês.


Esta pesquisa da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, revela a primeira evidência experimental para estes estudos. De uma forma simples, os dados permitem evidenciar uma tendência para que crianças expostas a níveis superiores de radiação durante a gravidez, ou na infância, desenvolvam algum tipo de alteração ao nível cerebral, que poderia estar na origem de alguns problemas de comportamento.


Assim, durante a gravidez, será adequado usar auriculares para falar ao telefone, manter o celular afastado do corpo e privilegiar a Internet com fios em vez da Internet wireless, pois a criança é um ser em formação e este tipo de radiação parece criar algum tipo de interferência sobre o sistema nervoso. No entanto, é necessário compreendermos que vivemos atualmente num mundo tecnológico com tendência para a proliferação de dispositivos sem fios. Isto significa que estamos submersos num gigantesco campo de radiações que se cruzam a todos os instantes. A exposição a radiações é algo que dificilmente poderemos evitar. Mas podemos reduzir a exposição mais direta, especialmente durante a gravidez, para dessa forma poupar-nos a níveis que possam prejudicar a nossa saúde e a do espírito que com o nosso auxílio inicia uma nova jornada de crescimento e aprendizagem.


Devem ser, por isso, evitadas as posturas extremistas, privilegiando o bom senso. Estamos inseridos numa sociedade riquíssima em informação. Mas essa riqueza, por vezes, apenas existe em quantidade. Um dos efeitos perversos desta enorme quantidade de informação é a desresponsabilização do indivíduo em chamar a si a capacidade de recolher e decodificar os dados importantes para a sua própria realidade. Usamos as informações segundo um critério de autoridade que estabelecemos e ficamos pela superficialidade da primeira impressão que nos chega. Isto acaba por tornar-se uma forma de desresponsabilização, pois, muitas vezes, agimos de uma determinada forma porque alguém nos disse que era o melhor ou porque estava escrito num qualquer livro: “A culpa não é minha, eu fiz isso porque fulano me disse para fazer dessa forma!” ou “Não é minha responsabilidade, pois eu apenas segui o que vinha escrito naquele livro lá!”. Para transformarmos quantidade em qualidade é fundamental investirmos no conhecimento e refletirmos de forma cuidadosa sobre a validade das informações. Será esta informação verdadeira e válida? Depois, deveremos questionar a utilidade da informação, pois esta pode ser válida, mas não ser útil. Em seguida, é importante perceber de que forma determinada informação se adequa à nossa singularidade, pois ela pode ser válida e útil, mas não servir para o meu caso específico.


Sem o hábito de realização deste exercício, estamos permitindo que os outros pensem por nós, nos imponham os seus próprios comportamentos, façam prevalecer a sua visão e escolham por nós. É como se deixássemos que alguém nos dissesse o que devemos ou não devemos fazer. Se nos demitirmos de pensar, vamos seguindo como cordeiros o que a televisão nos diz, o que as supostas vozes da autoridade nos dizem, o que os nossos amigos falam, o que vem nos livros. E se as informações que são veiculadas podem ser acertadas, úteis e adequadas, quantas vezes não o serão? De quem será a responsabilidade?


* Carlos Miguel Pereira trabalha na área de informática e é morador da cidade do Porto, em Portugal. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), na cidade do Porto, e colaborador regular do Espiritismo.net.