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Bebês entendem gramática de idiomas distintos, diz estudo

8 de maio de 2013



Bebês entendem gramática de idiomas distintos, diz estudo



Um estudo realizado por linguistas do Canadá e da França indica que os bebês de sete meses já conseguem perceber a diferença entre estruturas gramaticais de idiomas distintos ao crescerem em famílias bilíngues.


De acordo com a pesquisa, os bebês, ao prestarem atenção na duração e no tom das palavras, percebem a estrutura de uma frase, incluindo verbo e objeto, em idiomas distintos.


Para tanto, eles usam palavras auxiliares como preposições e artigos, de pouco ou nenhum significado "como uma âncora para segmentar o discurso em trechos sinteticamente relevantes, dos quais a ordem básica de palavras de uma língua pode ser deduzida", diz o estudo.


No teste foi estudada a compreensão que os bebês têm de línguas com estrutura verbo-objeto (como o inglês e línguas latinas) e línguas com estrutura objeto-verbo (como o japonês).



Preposições e artigos


As cientistas Judit Gervain, da Universidade Paris Descartes, da França, e Janet Werker, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, aplicaram testes em 24 bebês de sete meses "bilíngues", expostos a duas línguas em casa, e 47 "monoglotas", expostos a apenas uma língua.


As crianças ouviram várias frases e tiveram o comportamento monitorado, para verificar se elas tinham algum tipo de compreensão do que ouviam.


O estudo, divulgado pela publicação científica Nature Communications, diz que os bebês monoglotas conseguem identificar a estrutura verbo-objeto ao identificar palavras auxiliares como preposições e artigos.


Crianças bilíngues foram submetidas a testes similares. O exame mostrou que há diferenças na forma como elas identificam os sons, mas os resultados finais foram parecidos. O estudo concluiu que elas conseguem identificar igualmente a estrutura das frases.


"Apreender a gramática em um ambiente bilíngue onde duas línguas tem a ordem das palavras de forma diferente, como o inglês e o japonês, é uma tarefa ainda mais desafiadora", diz o artigo. "Os mecanismos que crianças bilíngues usam para resolver esse problema ainda é desconhecido."


"Como a maioria da população mundial está exposta a várias línguas desde o nascimento, um melhor entendimento de seu desenvolvimento cognitivo pode ter impacto considerável nas políticas sociais e educativas no mundo", diz o artigo.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 15 de fevereiro de 2013.



Raphael Vivacqua Carneiro* comenta


A pesquisa das cientistas Judit Gervain e Janet Werker chama a nossa atenção sobre a precocidade das crianças na aprendizagem natural das estruturas da linguagem humana, cujos mecanismos cerebrais ainda não são bem conhecidos.


Já se sabe que, até aos quatro anos de idade, o cérebro humano funciona – metaforicamente falando – como uma biblioteca extremamente apta a receber novos livros, mas sem um bibliotecário para estruturar o material. Somente entre os quatro e os seis anos é que ocorre o amadurecimento do hipocampo, que é a parte responsável pela memória de longa duração. Até esta idade – explicam os especialistas – a criança é capaz de aprender diferentes línguas, de maneira uniforme, sem distinção. Se for exposta, por exemplo, a três idiomas, as relações semânticas e sintáticas de todos esses idiomas serão assimiladas de forma integrada, e a criança terá facilidade de usar os três ao mesmo tempo. Depois dos seis anos, cada língua é separada em uma estrutura diferente. Cada idioma novo faz interface com o antigo, em camadas. Com o passar do tempo, o cérebro se compromete com a língua materna, dificultando o aprendizado de um novo idioma. Por isso os adultos não são tão eficientes na aprendizagem de línguas quanto as crianças.


Contudo, esta eficiente ferramenta do cérebro infantil e o seu elevado potencial de aprendizagem não bastam por si sós. Aprender línguas exige interação. Em outras palavras, a criança só aprenderá um idioma se este tiver um significado emocional para ela. Por exemplo, se o avô dela fala italiano, a simples exposição à conversa é o suficiente para que o cérebro da criança seja sensibilizado às estruturas fonéticas e semânticas daquele idioma.


O exemplo oposto também é bem conhecido pela ciência. Crianças que cresceram isoladas do contato com adultos não desenvolveram a capacidade de falar, nem o raciocínio abstrato, que é algo tipicamente humano. Um caso que ganhou notoriedade na mídia foi o de duas crianças indianas, Amala e Kamala, que foram encontradas em 1920 vivendo completamente isoladas de outros humanos. A primeira tinha cerca de um ano e meio de idade e veio a falecer um ano mais tarde. Kamala tinha cerca de oito anos de idade e sobreviveu por mais oito anos numa instituição. Ela não tinha nada de humano; o seu comportamento era semelhante ao de animais. Caminhava de quatro, era incapaz de permanecer em pé, comia e bebia como os animais. Nunca chorava ou ria. Foi humanizando-se muito lentamente: necessitou de seis anos para aprender a andar e, pouco antes de morrer, tinha um vocabulário rudimentar de apenas cinquenta palavras. Casos como este da menina Kamala mostram como o desenvolvimento das características humanas, sobretudo o raciocínio e a fala, dependem do convívio social.


Analisando-se todos esses fatos sob o ponto de vista espírita, somos levados a admirar a sabedoria da Providência divina no tocante às condições que são oferecidas aos homens para o seu aperfeiçoamento a cada nova reencarnação. A Doutrina Espírita explica a utilidade de passarmos pelo estado de infância. O espírito, uma vez reencarnado com o objetivo de se aperfeiçoar, é mais acessível às impressões que recebe durante o período da infância, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o qual devem contribuir aqueles que são incumbidos de educá-lo. Para que não sejam tratadas com rudeza, Deus dá às crianças todos os aspectos da inocência. Ainda que se trate de espíritos com maus pendores, cobrem-se as suas más ações das vidas passadas com a capa da inconsciência.


E não foi apenas pensando nas crianças que a Providência lhes deu esse aspecto de inocência; foi também e sobretudo por seus pais, de cujo amor necessita a fraqueza infantil. Não conhecem o que a inocência da criança oculta. Não sabem o que elas são, nem o que foram, nem o que serão. A delicadeza da idade infantil a torna branda, acessível aos conselhos da experiência e dos que devam fazê-la progredir. Nessa fase é que se lhe pode reformar os caracteres e reprimir os maus pendores. Tal o dever que Deus impôs aos pais, missão sagrada de que terão de dar contas.


Portanto, quis Deus dar à criança uma fragilidade que não sobrevive sem os cuidados e a afeição do adulto. Deu também à criança um cérebro favorecido para o processo de aprendizagem, sobretudo da linguagem e do raciocínio que dela se utiliza. Ao mesmo tempo deu-lhe a dependência do convívio e da interação emocional com o adulto para humanizar-se. E, com isso, tanto os filhos quanto os pais deparam-se com oportunidades redentoras de renovação moral e intelectual.


Os processos de Deus são sempre os melhores e, quando se tem o coração puro, facilmente se lhes apreende a explicação. Assim, portanto, a infância é não só útil, necessária, indispensável, mas também consequência natural das leis que Deus estabeleceu e que regem o Universo.


* Raphael Vivacqua Carneiro é engenheiro e mestre em informática. É palestrante espírita e dirigente de grupo mediúnico em Vitória, Espírito Santo. É um dos fundadores do Espiritismo.net.