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EUA: Um milhão de mortos por suicídio por ano

21 de novembro de 2012



EUA: Um milhão de mortos por suicídio por ano



Problema se agrava segundo o relatório da Organização Mundial de Saúde


Da AFP


Um milhão de pessoas por ano se suicidam, uma quantidade maior que o total de vítimas de guerras e homicídios, um problema que se agrava, segundo o relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) publicado em Genebra.


O relatório foi elaborado para a décima edição do Dia Mundial de Prevenção de Suicídio que acontece na próxima segunda-feira.


A OMS destacou que as taxas de suicídio mais elevadas são a dos países do leste da Europa, como Lituânia ou Rússia, enquanto as mais baixas se situam na América Central e do Sul, em países como Peru, México, Brasil ou Colômbia. Estados Unidos, Europa e Ásia estão na metade da escala. Não há estatísticas sobre o tema em muitos países africanos e do sudeste asiático.


"Uma pessoa se suicida no mundo a cada 40 segundos aproximadamente, ou seja, mais do que o número combinado das vítimas de guerras e homicídios", informou o relatório da Organização Mundial da Saúde.


O número de tentativas de suicídio ainda é muito grande, com 20 milhões de tentativas por ano. Cinco por cento das pessoas no mundo fazem uma tentativa de suicídio pelo menos uma vez em sua vida, segundo a OMS.


O problema está se agravando e o suicídio "se transformou em um problema de saúde muito importante" para a OMS, informou nesta sexta-feira o doutor Shekhar Saxena, ao apresentar esse relatório à imprensa em Genebra.


"O suicídio é uma das grandes causas de morte no mundo e durante os últimos anos, sua taxa aumentou em 60% em alguns países", acrescentou.


O suicídio é a segunda causa de morte no mundo entre os adolescentes de 15 a 19 anos, mas também alcança taxas elevadas entre pessoas mais velhas. A OMS destaca que há três vezes mais suicídios entre homens do que entre mulheres, independente das faixas de idade e os países considerados.


Por outro lado, há três vezes mais tentativas de suicídio entre as mulheres que entre os homens. A disparidade entre as estatísticas é explicada pelo fato que os homens empregam métodos mais radicais que as mulheres para morrer.


Notícia publicada no Portal band.com.br, em 7 de setembro de 2012.



Carlos Miguel Pereira* comenta


Esta reportagem surgiu-me na sequência da triste notícia do suicídio de um antigo professor da faculdade. Ao tomarmos conhecimento do suicídio de alguém que conhecemos, é como se fôssemos atingidos por um murro no estômago que nos paralisa o discernimento. Mais do que a dor da perda, ficamos agonizados pela incompreensão, e o primeiro impulso é tentar entender as razões que levou à auto-destruição, como se através dessas razões fosse possível atenuar a impotência e a culpa que sentimos como membros do seu círculo social, como se através dessas razões conseguíssemos tornar o suicídio menos absurdo e mais suportável. Não há razão alguma que consiga fazer isso.


O suicídio é, antes de tudo, um grito de desespero que nos confronta com a dimensão do sofrimento de alguém que não consegue aceitar a vida com aquilo que ela tem para lhe oferecer. Perdido numa dor psicológica que não encontra forma de ultrapassar, desajustado da normalidade social, enleado por conflitos íntimos aterradores, sentindo-se isolado no meio de uma multidão, humilhado pela indiferença de uma turba que não abranda o seu ritmo por quem fica para trás, o potencial suicida surpreende-se na ausência de um sentido para a sua vida. Sem razões significativas para viver, a coragem para enfrentar os desafios vacila e a ideia do suicídio afigura-se como uma solução prática. Normalmente, a ideia de suicídio manifesta-se através de um processo gradual, com um crescendo de intensidade, até à edificação de um monoideísmo à volta do pensamento suicida, altura em que o potencial suicida já não consegue pensar de forma lúcida.


Segundo informações da Organização Mundial de Saúde, em cada 40 segundos, há alguém que comete suicídio no mundo inteiro e a mesma organização estima que, até 2020, mais de 1,5 milhões de pessoas irão cometer suicídio por ano. São números assustadores. O suicídio constitui uma questão dramática de saúde pública e um grave problema espiritual. O aumento dos números de suicídios que as estatísticas nos mostram, leva-nos a pensar que este comportamento não pode ser encarado apenas como uma questão pessoal derivada de questões genéticas, perturbações mentais ou uma simples consequência de acontecimentos traumáticos, mas deverá ser compreendido também como um sintoma do profundo mal-estar que varre a nossa sociedade e que agride de forma violenta todo o ambiente familiar e social em que nos movemos. Não é apenas um recurso de gente em desequilíbrio mental e social, mas também de pessoas em situação vulnerável, que depois de uma vida em que deram tudo de si mesmo, surpreendem-se privados do retorno afetivo daqueles a quem mais amam, veem-se rejeitados para a vida ativa e atirados para a inutilidade, vivem sem esperança no futuro e não encontram mais nada por que lutar.


Vivemos atualmente numa sociedade de consumo que se movimenta a um ritmo frenético, promove uma sensibilidade superficial, uma forma de vida descartável, prometendo gratificações imediatas enquanto frustra as ilusões que ela própria cria. Um modo de vida que potencia o desencanto. A consciência humana, subjugada pelos desafios do mundo moderno, está carente de transcendência, vazia de espiritualidade. Está carente de um sentido para a sua vida, sobretudo de uma vida com significado. E a conjugação de todos estes fatores faz o homem neurótico, ansioso, assustado e tremendamente depressivo, ficando mais vulnerável às doenças mentais, ao alcoolismo, à toxicodependência, e, por inerência, ao suicídio.


Desde o final do século XIX até hoje, tendo iniciado com as pesquisas do sociólogo francês Émile Durkheim, vários investigadores se têm debruçado sobre a relação entre religião e o suicídio, comprovando que as taxas de suicídio são menores quando existe uma maior religiosidade. Mesmo sendo a religiosidade apenas uma entre diversas variáveis nesta problemática, que mecanismos levam-na a exercer uma considerável influência na prevenção do suicídio? São várias as razões: a identificação com uma ideologia de cunho moral proporciona um modelo de conduta fiável para enfrentar as crises, dá significado através da devoção, promove uma maior integração social e interação com a comunidade, diminuindo assim o isolamento e a solidão, sustenta a convicção íntima da imortalidade da alma - que a vida é muito mais ampla do que os nossos sentidos físicos conseguem perceber - e isso fortalece a esperança durante as mais violentas tempestades, é um tônico para a autoestima e dá um significado às dificuldades, mesmo quando é preciso enfrentar as crises mais duras: Proporciona um sentido à vida.


Muitos homens ainda vivem na ignorância de que a sua vida é um processo interminável, que se estende pela eternidade através de um ciclo contínuo de erros e acertos, falhanços e conquistas, encontros e desencontros. Se fossem conhecedores do triste relato mediúnico daqueles que foram arrastados para o abismo do aniquilamento de si próprios, compreenderiam a ineficácia e ilusão do suicídio. É uma atitude profundamente equivocada que não resolve dor alguma, pois a destruição dá-se unicamente ao nível físico. O que em nós sente e sofre é o Espírito, e o Espírito é imortal, não sendo destruído pela morte do corpo. A imensa decepção dos suicidas é perceberem que continuam a viver para além da dimensão física e que não conseguem fugir dos seus sofrimentos e emoções perturbadoras. É uma frustração de dimensões que é difícil de transcrever. A autodestruição, além de inútil, ao interferir no processo natural da existência terrena, intensifica as dores já existentes. O suicídio não põe termo aos sofrimentos físicos nem morais porque a morte não existe, o Espírito permanece ligado de uma forma intensa às suas emoções, incapaz de se libertar dos seus sentimentos mais aflitivos.


Se cogitas a ideia do suicídio, pede ajuda. Procura um médico, fala com alguém da tua confiança sobre o que sentes, ou se não te sentires confortável com isso, liga para a linha CVV - Centro de Valorização da Vida - www.cvv.org.br ou liga 141 – que oferece um serviço extraordinário procurando estabelecer pontes de afeto com pessoas em desespero, sempre em regime de confidencialidade. Procura um Centro Espírita, onde encontrarás amigos prontos a darem-te a mão e a mostrarem-te razões para lutar e viver. A nossa vida é reflexo de nós próprios, do nosso passado e do presente, e as provas que temos de enfrentar são aquelas que melhor nos convêm para o crescimento espiritual. Essas provas não poderão ser ultrapassadas pela fuga ou desistência, apenas pela superação de nós próprios. Enquanto não o conseguirmos fazer, teremos de recapitular sucessivamente a prova, enfrentar os mesmos desafios, até interiorizarmos a aprendizagem que ela exige. É verdade que os caminhos desta vida ainda são tortuosos, escondem espigões aguçados difíceis de suportar, mas, ao conquistamos uma mais ampla compreensão da realidade que nos transcende, veremos de forma clara a preciosa a oportunidade que Deus nos ofereceu para viver, para amar e aprender, sentindo a vida como um privilégio que vale a pena ser vivido por mais duros que sejam os desafios e as dificuldades. Nesta vida, as dores, os conflitos e as desilusões são inevitáveis, mas depende apenas de nós superá-los, apoiados na fé e na esperança, acreditando, desenvolvendo a nossa inesgotável capacidade para amar, para que nesse amor encontremos a motivação para a vida e o significado que tanto procuramos.


Alimenta a esperança e então compreenderás que apesar de a noite ser fria e escura, se a soubermos suportar com coragem e galhardia, a madrugada nunca falha.


* Carlos Miguel Pereira trabalha na área de informática e é morador da cidade do Porto, em Portugal. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), na cidade do Porto, e colaborador regular do Espiritismo.net.