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Sintetizador de pensamentos permite escrever com a força da mente

15 de agosto de 2012



Sintetizador de pensamentos permite escrever com a força da mente



Redação do Diário da Saúde



Leitura da mente


Cientistas têm relatado avanços seguidos em uma área que dificilmente escapa da descrição de leitura da mente.


Alguns experimentos já saíram dos hospitais, sendo utilizados até para permitir que um motorista freasse um carro sem tomar nenhuma ação motora.


Agora, uma equipe da Universidade de Maastricht, na Holanda, usou a técnica para fazer com que uma pessoa totalmente paralisada fisicamente se comunicasse usando apenas o cérebro.


Eles criaram um "sintetizador de pensamentos".



Comunicação mental


Bettina Sorger e seus colegas partiram dos resultados obtidos pela equipe de Adrian Owen, que estabeleceu uma comunicação mental com um paciente em estado vegetativo em 2010.


"O trabalho de Owen me fez pensar se seria possível usar fMRI, tarefas mentais e um aparato experimental adequadamente projetado para codificar livremente os pensamentos, letra por letra," disse Bettina.


fMRI, ou imageamento por ressonância magnética funcional, é uma técnica usada para acompanhar o que está acontecendo no cérebro por meio do rastreamento do fluxo sanguíneo para as diversas partes do órgão.


E deu certo.



Leitura do cérebro


Os pacientes aprenderam a gerar diversos padrões, correspondentes às diversas letras e a uma barra de espaço.


Ou seja, é como se os pacientes "digitassem mentalmente" seus pensamentos.


Para cada letra, os participantes precisam executar uma tarefa mental diferente por um determinado período de tempo.


As tarefas - que incluem falar consigo mesmo, imaginar um movimento e fazer um cálculo mental - foram escolhidas porque é possível identificá-las com precisão no exame de fMRI. Hoje ainda não é possível, por exemplo, identificar quando a pessoa pensa em um "A" ou em "B".


As três tarefas foram combinadas com durações de cada tarefa e com a demora para iniciar a execução de cada uma delas. Assim, 3 tarefas, com 3 durações diferentes, iniciadas em três tempos diferentes, perfazem 27 possibilidades: as 26 letras mais o espaço.


Não se trata, portanto, a rigor, de leitura da mente, no sentido de que uma máquina estaria lendo os pensamentos, mas de uma leitura do cérebro: o paciente deve executar, intencionalmente, tarefas mentais que o exame de fMRI decodifica como sendo cada uma das letras.



Sintetizador de pensamentos


A técnica ainda é incrivelmente lenta: leva cerca de uma hora para uma "conversa" consistindo de duas perguntas e duas respostas.


Mas o avanço é significativo em relação à "comunicação de múltipla escolha" feita até agora, quando os pacientes apenas podiam marcar sim ou não a perguntas que lhes eram feitas.


Agora o paciente pode se comunicar livremente, mostrando sua mensagem letra por letra.


Isto pode fazer toda a diferença para pessoas completamente paralisadas, que não conseguem se beneficiar de outras técnicas de comunicação.



Prática


Os cientistas sabem que é pouco prático usar a fMRI para conversar com os pacientes, uma vez que estes são equipamentos caríssimos e enormes, e que estão disponíveis apenas em alguns poucos centros médicos.


Por isso, a Dra. Bettina afirma que, agora que se demonstrou que a técnica funciona, ela e seus colegas vão tentar executá-la com equipamentos e exames mais simples, como a espectroscopia funcional no infravermelho próximo (fNIRS).


Notícia publicada no Diário da Saúde, em 3 de julho de 2012.



Claudio Conti* comenta


Os avanços nesta área estão acontecendo de uma forma gradual, mas constante. Com certa frequência, são divulgadas, nos meios de comunicação, descobertas e possibilidades novas. Sem sombra de dúvidas que é uma possibilidade muito promissora e que, uma vez estabelecida, será uma ferramenta fundamental para muitos que se encontram impossibilitados de realizar alguma tarefa, decorrente das mais variadas limitações físicas e/ou mentais. A ciência bem aplicada deve servir para auxiliar a humanidade no que for possível, especialmente nos casos em que minimize sofrimentos e limitações na qualidade de vida. A encarnação consiste em nos desenvolvermos intelectualmente, superando as dificuldades que ela impõe e, nesta caminhada, auxiliar o próximo.


Todavia, é importante ressaltar que existe, muitas vezes, certa confusão entre "mente" e "cérebro" e os conceitos se confundem, tomando um pelo outro. Na reportagem em questão, esta diferença é explicada, apesar da ambiguidade do uso, mas a grande maioria não apresenta a distinção. Estas pesquisas detectam ondas cerebrais ou ativação de áreas do cérebro, que são distintas das ondas mentais. As ondas cerebrais são decorrentes dos processos que ocorrem no cérebro, variado em frequência. Assim, cada frequência corresponderia a um processo que seria decodificado pelo equipamento. Em contrapartida, as ondas mentais são exteriorizações decorrentes dos processos mentais e podem irradiar a grandes distâncias, carregando consigo a informação inerente ao processo que deu origem. As ondas mentais corresponderiam ao que é denominado de "pensamento" pela Doutrina Espírita, quando, por exemplo, Kardec diz que "para os Espíritos, o pensamento e a vontade são o que é a mão para o homem." (A Gênese, Capítulo XIV.)


As ondas mentais ainda não são detectadas por instrumentos. Os seus efeitos são percebidos de outras formas mais subjetivas. Vários experimentos foram realizados utilizando sensitivos e um experimento em particular é muito conhecido, chamado de "dupla fenda", onde elétrons se comportam diferentemente dependendo da ação ou não de um observador para uma mesma configuração. Muitos destes estudos são debatidos no livro Entangled Minds: Extrasensory Experiences in a Quantum Reality (Mentes Entrelaçadas: Percepção Extra-sensorial em uma Realidade Quântica - tradução livre), escrito por Dean Radin.


* Claudio Conti é graduado em Química, mestre e doutor em Engenharia Nuclear e integra o quadro de profissionais do Instituto de Radioproteção e Dosimetria - CNEN. Na área espírita, participa como instrutor em cursos sobre as obras básicas, mediunidade e correlação entre ciência e Espiritismo, é conferencista em palestras e seminários, além de ser médium pscógrafo e psicifônico (principalmente). Detalhes no site www.ccconti.com.