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Novas evidências indicam que a meditação fortalece o cérebro

8 de junho de 2012



Novas evidências indicam que a meditação fortalece o cérebro



Pesquisadores americanos descobriram mais evidências de que meditar fortalece o cérebro.


Estudos anteriores feitos pela Universidade da Califórnia (UCLA), nos Estados Unidos, já haviam sugerido que meditar durante anos torna o cérebro mais espesso e fortalece conexões entre células cerebrais.


As novas pesquisas feitas pela mesma equipe californiana revelaram ainda mais benefícios associados à prática. Os resultados foram publicados pela revista Frontiers in Human Neuroscience.


O cientista Eileen Luders e seus colegas do Laboratory of Neuro Imaging da UCLA dizem ter encontrado indícios de que pessoas que meditam durante muitos anos têm quantidades maiores de dobras no córtex cerebral do que pessoas que não meditam. Isso poderia acelerar o processamento de informações.


A equipe também encontrou uma relação direta entre a quantidade de dobras e o número de anos durante os quais a pessoa meditou.


Isso pode talvez ser mais uma prova da neuroplasticidade do cérebro - a habilidade do órgão de se alterar, ou se adaptar, em resposta a estímulos externos.



Córtex


O córtex é a camada externa do cérebro e tem papel fundamental na memória, atenção, pensamento e consciência.


Os dobramentos corticais são o processo pelo qual a superfície do cérebro se altera para criar sulcos e dobras. Sua formação pode promover e melhorar os processos nervosos.


Presume-se, portanto, que quanto mais dobras se formam, maior a capacidade do cérebro de processar informações, tomar decisões e formar memórias.


"Em vez de simplesmente comparar pessoas que meditam com as que não meditam, queríamos ver se havia uma relação entre a quantidade de prática da meditação e o grau de alteração do cérebro", disse Luders. "Quer dizer, associar o número de anos de meditação com a incidência das dobras".



Testes


Os pesquisadores fizeram exames de ressonância magnética em 50 praticantes de meditação - 28 homens e 22 mulheres. Esse grupo foi comparado a outro, de não praticantes, com idade e sexo equivalentes.


Os praticantes haviam meditado em média 20 anos. Os tipos de meditação eram variados, entre eles, Zen e Vipassana.


A equipe disse ter encontrado grandes diferenças na incidência das dobras em participantes que praticavam meditação.


Para os pesquisadores, a revelação mais interessante foi a correlação positiva entre o número de anos de meditação e a quantidade de dobras, especialmente em uma estrutura do cérebro conhecida como ínsula.


Sabe-se que essa estrutura está associada às emoções humanas. E que lesões na ínsula podem resultar em apatia, perda de libido e alterações na memória.


"Talvez (a descoberta) mais interessante tenha sido a relação positiva entre o número de anos de meditação e a quantidade de dobramentos insulares".



Emoção e raciocínio


Luders mencionou estudos anteriores que indicam que a ínsula funcionaria como um integrador entre a emoção e o raciocínio.


"Pessoas que meditam são conhecidas por serem mestras em introspecção e consciência, assim como em controle emocional e autorregulação, então os resultados fazem sentido - quanto mais tempo alguém medita, maior a a incidência das dobras na ínsula".


Luders adverte que fatores genéticos e ambientais podem ter contribuído para os efeitos observados.


Ainda assim, "a relação positiva entre as dobras e o número de anos de prática dá suporte à ideia de que a meditação aumenta a incidência das dobras".


Notícia publicada na BBC Brasil, em 15 de março de 2012.



José Antonio M. Pereira* comenta


Mais uma pesquisa que corrobora princípios espiritualistas. Existem muitos profissionais da área de saúde, pesquisadores e praticantes que já atestam os efeitos benéficos da meditação, mas pesquisas como esta são importantes, porque utilizando metodologia apropriada, ficam afastadas conclusões precipitadas ou tendenciosas. Além disso, este tipo de trabalho ainda tem o mérito de investigar um assunto que seria inimaginável nos primeiros anos de revolução científico-industrial e mesmo há algum tempo atrás.


Vemos que se tornam cada vez mais comuns os indícios da união entre Ciência e Religião. Uma briga que já não faz mais sentido, num tempo onde as sociedades abandonam, dia a dia, todo o preconceito. Tudo parece contribuir para que a Terra possa ser promovida a mundo de regeneração. Mas ainda há muito que se avançar. Se, de um lado, é preciso abandonar ideias preconceituosas por parte da Ciência, por outro, a Religião precisa abandonar crendices e dogmas. A humanidade só tem a lucrar.


* José Antonio M. Pereira coordena o ESDE e é médium da Casa de Emmanuel, além de integrante da Caravana Fraterna Irmã Scheilla, no Rio de Janeiro. Também é colaborador da equipe do Serviço de Perguntas e Respostas do Espiritismo.net.