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A forma como você reage a um erro influencia seus acertos futuros

A forma como você reage a um erro influencia seus acertos futuros



Ana Carolina Prado


Quando comete um erro, qual a sua reação? Você pensa “ok, na próxima eu acerto” ou “putz, sou um fracasso e nunca vou conseguir fazer nada direito”? Um estudo publicado no periódico Psychological Science descobriu que a sua atitude nesse momento pode influenciar seus acertos futuros. E mais: a forma como você reage aos erros está diretamente ligada à visão que você tem sobre sua própria inteligência. Algumas pessoas acreditam que a inteligência é algo constante e imutável, que não pode ser desenvolvida. Outras, porém, acreditam que é sempre possível melhorá-la com o tempo. A sua opinião a respeito dessa questão é mais importante do que se pensava.


Para realizar o estudo, pesquisadores da Michigan State University deram aos voluntários uma tarefa chatinha em que era fácil cometer um erro. Eles deveriam identificar a letra do meio de uma série de sequências com cinco letras, como “MMMMM” ou “NNMNN.” É até simples, mas depois que a tarefa se repete várias vezes, a mente se confunde mesmo. E aí a pessoa comete erros bobos, percebe imediatamente e se sente estúpida por causa disso. Durante os testes, os voluntários tinham sua atividade cerebral monitorada. O resultado mostrou que quem acredita que pode aprender com seus erros tem uma reação cerebral diferente de quem vê a inteligência como algo imutável.



Como o cérebro reage a um erro


Quando cometemos um erro, nosso cérebro faz dois sinais rápidos: uma resposta inicial que indica que algo deu errado (e Jason Moser, um dos autores da pesquisa, chama de fator “oh, droga!”) e um segundo indicando que a pessoa está consciente do erro e está tentando consertar o que fez de errado. Os dois sinais acontecem super rápido, cerca de um quarto de segundo após o erro.


Quem acreditava que a inteligência é algo que pode ser desenvolvido com o tempo e que, portanto, pode aprender com os erros, se saiu melhor depois de errar, recuperando-se rapidamente e acertando os testes seguintes. Foi possível observar uma diferença também na sua atividade cerebral: o segundo sinal (aquele que diz “cometi um erro, então devo prestar mais atenção”) foi mais intenso, indicando que elas têm o cérebro ajustado para ficar mais alerta depois de errar.


Isso pode ajudar quem é crítico demais em relação aos próprios erros a tentar dar uma relaxada: afinal, ficar se condenando só piora as coisas.


Matéria publicada na Revista Superinteressante, em 2 de dezembro de 2011.



Marcia Leal Jek* comenta


Essa reportagem nos faz comparar a visão da ciência materialista com a ciência espírita: “Algumas pessoas acreditam que a inteligência é algo constante e imutável, que não pode ser desenvolvida. Outras, porém, acreditam que é sempre possível melhorá-la com o tempo.”


Mas, como espíritas, sabemos que a inteligência é um atributo do espírito e que o corpo físico é apenas o envoltório do Espírito. Logo, o corpo físico é o instrumento que o espírito precisa para exercitar suas faculdades.


Com isso, podemos notar que a ciência espírita e a ciência materialista têm uma diferença: a primeira faz do cérebro apenas um instrumento do espírito e a segunda faz do cérebro o excretor da inteligência.


Se formos analisar o ser humano, nossa primeira reação a qualquer dificuldade é fugir, e precisamos uns dos outros para nos apoiar em muita coisa. Quando cometemos algum erro e o reconhecemos, tentamos apagá-lo de nossa vida.


Aprendemos também com os erros, o que também constitui uma forma de aprendizado. Precisamos ser generosos conosco mesmos, permitindo-nos errar, pois que estamos em processo de aprendizagem na Terra, e não é justo nos atormentarmos cobrando uma perfeição que estamos longe ainda de atingir.


Se aprendemos com nossos erros, por que temos tanto medo de errar? Será porque o erro causa consequências não muito boas?


Devemos entender que errar é saudável, desde que assumamos o erro, reparemos o dano que causamos e aprendamos com ele.


A ciência surgiu na Europa no século 18, logo após as teorias de Pascal e de Descartes e dos experimentos de Newton. Antes disso, as pessoas evoluíam a partir das tentativas, errando muito e acertando às vezes. Daí então começamos a fazer ciência quando aprendemos a aprender com os erros passados.


Tem um ditado, que conhecemos muito bem, que diz: “Errar é humano. Aprender também.” Mas algumas pessoas conseguem ter conexão entre essas duas qualidades. Aí sim é um grande erro. O erro somente é erro quando não é percebido. No momento que o percebemos, torna-se aprendizado. Isso quer dizer que se não tivermos essa percepção, corremos dois riscos: repetir erros sem aproveitá-los para evoluir e o de parar de tentar por medo de errar.


Um bom exemplo é o matemático austríaco Piet Hein, inventor do cubo mágico, aquele brinquedo em que é preciso deixar cada face do cubo de uma única cor. Há mais de 240 caminhos para resolver o cubo, e para chegar a um deles é preciso errar bastante. Isso quer dizer que o jogador terá que tentar muitas vezes até conseguir organizar os quadradinhos corretamente. Será preciso memorizar os erros para não cometê-los novamente. Se mesmo assim não aprender com o erro, vai insistir nele e continuar insistindo até o limite de seu controle emocional.


Portanto, coloco aqui uma alternativa: aprender com o erro dos outros. De preferência, daqueles que acabaram acertando no final.


Essa alternativa pode ser encontrada no estudo assíduo, na leitura edificante e na interação com outras pessoas.


* Marcia Leal Jek estuda o Espiritismo há mais de 25 anos e é trabalhadora do Centro Espírita Francisco de Assis, em Jacaraipe, Serra, ES.