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Garoto de 13 anos cria forma mais eficaz de captação solar

Garoto de 13 anos cria forma mais eficaz de captação solar



Um estudante americano de 13 anos conseguiu criar energia solar a partir da sequência de Fibonacci. Com o experimento, Aidan Dwyer ganhou uma patente provisória do governo dos EUA, além do interesse de diversas entidades em comercializar a inovação.


A sequência de Fibonacci se caracteriza pelo início no número 0 e, a cada número subsequente, faz-se a soma dos dois números anteriores. Por exemplo, 0-1-1-2-3-5-8-13-21... O que Aidan criou foi uma espécie de árvore em PVC em que as folhas e os galhos, na verdade, são pequenos painéis solares que respeitam esta sequência.


Aidan contou ao site Huffington Post que ficou fascinado quando percebeu, durante uma caminhada pelas montanhas de Catskills, nos EUA, que a organização das folhas e dos galhos nas ávores obedecia à Fibonacci. "Eu sabia que aqueles galhos e folhas coletavam a luz do sol para fotossíntese, então meu próximo experimento iria investigar se a sequência de Fibonacci ajudaria", disse o estudante.


O resultado foi que, ao analisar a coleta de luz solar na árvore de Fibonacci e em um painel plano, a imitação da natureza se mostrou mais eficaz. Além disso, a árvore ocupa menos espaço físico que um painel plano e aumenta a coleta de luz solar durante o inverno.


Notícia publicada no Portal Terra, em 31 de agosto de 2011.



Carlos Miguel Pereira* comenta


“A matemática é o alfabeto que Deus usou para escrever o Universo” – Galileu


Ao pensar em matemática, muitas pessoas poderão ser assaltadas pelas dolorosas memórias do tempo em que suavam para resolver funções trigonométricas, derivadas parciais ou cálculo integral. Existe algum preconceito em relação à matemática, que normalmente é mal justificada com a incapacidade para entender a sua aplicação prática. Será que a compreensão da matemática não nos ajudaria a entender melhor o mundo que nos rodeia?


Muitos cientistas, ao longo da história, estavam convencidos de que Deus era um matemático prodigioso e de que a matemática seria a própria linguagem do Universo. A história da ciência é a história da procura dos mecanismos que fazem funcionar a natureza, a vida e o Cosmos. Para alcançar tal aspiração, a matemática é um instrumento indispensável. É quase mágico imaginar como ela consegue explicar de uma forma tão elegante algumas das leis da natureza, como é tão eficaz para descrever e até prever o mundo que nos rodeia. Toda a vastidão e complexidade do Cosmos são regidas pelas mesmas leis: um átomo obedece às mesmas leis na Terra como em qualquer planeta de um qualquer sistema de uma qualquer galáxia; conseguimos receber a luz dos mais distantes quasares porque as leis do eletromagnetismo são as mesmas aqui como a bilhões de anos-luz de distância. As leis da Natureza, aplicando-se em toda a parte, podem ser traduzíveis pela regularidade da linguagem matemática, mesmo em sistemas dinâmicos e caóticos. Não será esta constatação um precioso indício que a ordem e beleza que nos rodeiam são produto de uma inteligência sublime que se encontra para além da nossa capacidade de compreensão?


A sequência de Fibonacci, sendo uma sequência numérica tão simples, consegue ser bastante intrigante, pois é encontrada na natureza, no corpo humano e no universo, surgindo no comportamento da refração da luz, dos átomos, do crescimento das plantas, nos furacões, nas ondas dos oceanos, nas espirais das galáxias, etc. Aidan Dwyer, de apenas 13 anos, fascinado pela sequência de Fibonacci e encontrando-a refletida no mundo natural, teve a ideia de a aplicar aos painéis solares de captação de energia. É do mais puro bom senso utilizar a Natureza como inspiração para descobrir formas mais eficazes de suprir as nossas necessidades energéticas, pois a Natureza é incrivelmente sábia, desenvolvendo eficientes e distintas formas de captação, produção e transformação de energia. Se nos inspirássemos mais na Natureza, em vez de desgastarmos os seus recursos, a ideia de insustentabilidade ambiental não seria tão real como é hoje em dia. Aidan observou atentamente a Natureza, através daquilo que conhecia, questionou o que estava implementado, estudou e colocou hipóteses, elaborando uma engenhosa experiência para verificá-las. Ao compilar os resultados, os dados deram suporte à sua teoria e ganhou o prêmio de “2011 Young Naturalist Award”, do Museu Americano de História Natural. Com isso, atraiu a atenção da mídia e o epíteto de novo prodígio que, com um modelo matemático do século XIII, passou a perna em milhares de engenheiros que fazem da captação e produção energética a sua vida.


Há, no entanto, um dado importante que a notícia não refere: Algumas semanas depois da atribuição do prêmio, o Museu Americano de História Natural, alertado por um especialista em engenharia ecológica, publicou uma nota em que corrige as conclusões de Aidan, uma vez que ele testou a variável errada, medindo a diferença de potencial elétrico entre dois pontos (voltagem) em vez da potência gerada. Ou seja, os dados não são suficientes para suportar a sua teoria.


Mas o equívoco, compreensível dada a inexperiência do pequeno cientista, não é determinante para aquilo que pretendemos demonstrar: Aidan revelou uma criatividade, persistência, capacidade inovadora e curiosidade intelectual que não é vulgar na sua idade. A sua preocupação pela sustentabilidade ambiental e sobretudo a sua vontade em contribuir com ideias novas e modelos mais eficientes para produção de energia são indícios de um gênio precoce que o seu erro não apaga. Ele é uma fonte de inspiração para todos nós, para que nos tornemos indivíduos mais engajados na proteção do ambiente, fascinados pelo estudo da Natureza, empenhados na construção de um mundo mais saudável e menos desigual. Para que não nos conformemos às adversidades, sendo capazes de encontrar soluções criativas e responsáveis para a resolução de muitos dos problemas que nos afetam como humanidade.


* Carlos Miguel Pereira trabalha na área de informática e é morador da cidade do Porto, em Portugal. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), na cidade do Porto, e colaborador regular do Espiritismo.net.