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OMS divulga mapa global da depressão

OMS divulga mapa global da depressão



Com informações da Agência Fapesp


Episódio depressivo maior


O episódio depressivo maior (MDE, na sigla em inglês) é uma preocupação considerável para a saúde pública em todas as regiões do mundo e tem forte ligação com as condições sociais.


Essa é a principal conclusão de um estudo que reuniu dados epidemiológicos provenientes de 18 países, incluindo o Brasil.


Os resultados foram apresentados no relatório Epidemiologia transnacional do MDE, publicado nesta terça-feira na revista de acesso aberto BMC Medicine.


O MDE é um conjunto de sintomas do chamado distúrbio de depressão maior, caracterizado por uma depressão severa e altamente persistente.



Depressão no mundo


Os países foram divididos em dois grupos: alta renda (Bélgica, França, Alemanha, Israel, Itália, Japão, Holanda, Nova Zelândia, Espanha e Estados Unidos) e baixa e média renda (Brasil - com dados exclusivamente de São Paulo -, Colômbia, Índia, China, Líbano, México, África do Sul e Ucrânia).


De acordo com o relatório, nos dez países de alta renda incluídos na pesquisa, 14,6% das pessoas, em média, já tiveram MDE. Nos 12 meses anteriores, a prevalência foi de 5,5%.


Nos oito países de baixa ou média renda considerados no estudo, 11,1% da população teve episódio alguma vez na vida e 5,9% nos 12 meses anteriores.


A maior prevalência nos últimos 12 meses foi registrada no Brasil, com 10,4%. A menor foi a do Japão, com 2,2%.



Depressão é maior entre mulheres


Os resultados do estudo mostraram que, nos países de alta renda, a idade média de início dos episódios de depressão maior foi de 25,7 anos, contra 24 anos nos países de baixa e média renda. Deficiências funcionais foram associadas a manifestações recentes de MDE.


O estudo também revelou que a prevalência dobra entre as mulheres. Nos países de alta renda, a juventude está associada com uma prevalência mais alta de MDE nos 12 meses anteriores. Por outro lado, em vários dos países de baixa renda, as faixas etárias mais altas mostraram maior probabilidade de manifestação de MDE.


A condição de separação de um parceiro apresentou a correlação demográfica mais forte com o MDE nos países de alta renda. Nos países de baixa e média renda, os fatores mais importantes foram as condições de divórcio e viuvez.


O relatório recomendou que futuras pesquisas investiguem a combinação de fatores de risco demográfico que estão associados ao MDE nos países incluídos na Iniciativa Pesquisa Mundial sobre Saúde Mental.



Estudo sobre depressão no Brasil


O trabalho faz parte da Iniciativa Pesquisa Mundial sobre Saúde Mental, um projeto da Organização Mundial da Saúde (OMS) que integra e analisa pesquisas epidemiológicas sobre abuso de substâncias e distúrbios mentais e comportamentais. O estudo é coordenado globalmente por Ronald Kessler, da Universidade de Harvard (Estados Unidos).


Os dados do Brasil foram coletados pelo estudo Brazil Megacity Mental Health Survey. Entre os autores do artigo estão Laura Helena Andrade, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), e Maria Carmen Viana, professora da Universidade Federal do Espírito Santo.


Segundo Maria Carmen, o Brazil Megacity Mental Health Survey é um estudo epidemiológico de base populacional que avaliou uma amostra representativa de residentes da região metropolitana de São Paulo, com 5.037 pessoas avaliadas em seus domicílios.


Todas as entrevistas foram feitas com base no mesmo instrumento diagnóstico. Atualmente, cerca de 30 países participam com pesquisas semelhantes da Iniciativa Pesquisa Mundial sobre Saúde Mental.


"Em todos os países foi aplicada a mesma metodologia. No artigo internacional, foram incluídos exclusivamente os dados sobre depressão maior, mas a nossa pesquisa avalia diversos outros transtornos mentais, entre eles os de ansiedade - como pânico, fobias específicas, fobia social e transtorno obsessivo compulsivo - e transtornos de humor, como o transtorno bipolar, distimia e a própria depressão maior", disse a pesquisadora.


Notícia publicada no Diário da Saúde, em 26 de julho de 2011.



Breno Henrique de Sousa* comenta


Nos dias atuais, há um grande esforço por parte dos profissionais da saúde para esclarecer a respeito de psicopatologias, como a depressão, o pânico, o transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e outros transtornos que acometem a cada dia um maior número de pessoas.


É preciso buscar informações para saber lidar, no caso específico da depressão, com esta enfermidade quando ela surge em alguém que nos é próximo ou em nós mesmos. Tratemos de alguns esclarecimentos básicos sobre o tema:


Depressão não é tristeza – quando estamos tristes por algum motivo, costumamos dizer que estamos deprimidos. É um uso inadequado da palavra e que prejudica o entendimento do que de fato é a depressão. A depressão é um estado persistente de profunda tristeza que chega mesmo a prejudicar a vida social e profissional, impedindo a pessoa de seguir com suas atividades normais. Diante de momentos difíceis na vida, é natural nos sentirmos tristes. O luto pela morte de um ente querido é natural e necessário, porém, se passados alguns meses não conseguimos retomar as atividades de uma vida normal, pode haver aí um quadro depressivo e há então a necessidade de ajuda médica.


Depressão não é fraqueza de caráter – existe um preconceito muito comum de achar que quem sofre de depressão está fazendo corpo mole, não tem caráter firme ou força de vontade para reagir. Diante de alguém deprimido, é comum as pessoas dizerem “- reaja, não seja fraco”. Este tipo de comentário é inoportuno. Quem não sabe o que dizer, é melhor ficar calado. A depressão é uma enfermidade que afeta quimicamente o cérebro, causando déficit de alguns neurotransmissores, como, por exemplo, a noradrenalina, responsáveis pela sensação de bem estar. Quem se encontra nesta condição, geralmente não consegue reagir sem ajuda. O fato de alguém chamar o deprimido de fraco lhe faz sentir ainda mais culpado, agravando ainda mais o estado em que ele se encontra. É melhor, se possível, oferecer recursos como a ajuda de um profissional qualificado.


Depressão não é loucura – parece mentira, mas muitas pessoas têm preconceito de se admitirem deprimidas, não apenas para não serem consideradas fracas, mas também para não serem consideradas loucas. É comum que as pessoas demorem em buscar ajuda psicológica ou psiquiátrica por preconceito ou medo de estarem loucas ou serem consideradas desta maneira. Recusam-se a usar a medicação receitada pelo médico, pois usá-la é uma forma de admitir a doença, admitir que estão loucas ou admitir que são fracas e não podem vencer o problema sem a ajuda do medicamento. Afinal, todo mundo tem algum preconceito em buscar estes profissionais e, geralmente, eles são buscados apenas quando perdemos completamente o controle de nossas vidas. É comum também a interrupção do tratamento por conta própria. O paciente, por se sentir bem pelo uso do medicamento, interrompe deliberadamente a medicação, complicando ainda mais seu tratamento. Pior são aqueles que se automedicam, conseguindo ilegalmente medicamentos de venda controlada, pondo em risco suas próprias vidas.


Origens e fatores que influem sobre a depressão – há diversas evidências estatísticas e médicas de que a depressão possui um forte componente de hereditariedade, porém, não são apenas os fatores internos e fisiológicos que levam a manifestação da doença. A pesquisa que a matéria destaca fala de fatores sociais, o sexo, a idade, a cultura e formação do indivíduo. Todos estes fatores podem gerar condições que predispõem ou inibem a manifestação da depressão. O fato de alguém ter boa cultura e ser uma pessoa bem informada provavelmente terá menos resistência em aceitar tratamento médico, que outro que, sendo ignorante sobre o assunto, recusa-o.


Obsessão e depressão – há um fator que a ciência oficial ignora, e que pode desencadear inúmeras enfermidades físicas ou mentais, que é a obsessão espiritual. Sem desconsiderar a influência dos outros fatores já citados, a ciência espírita verifica que pela influência obsessiva desencadeiam-se depressões. Neste caso, já pré-existiam outros fatores que se somam ao processo obsessivo, resultando na depressão e afetando igualmente a produção de neurotransmissores no cérebro. O tratamento médico é igualmente necessário, mas o problema espiritual poderá ser cuidado por um tratamento espiritual.


Tratamento médico e espiritual – o tratamento espiritual em uma casa espírita pode, certamente, ajudar na recuperação de quem sofre de depressão. Porém, sob nenhuma hipótese, o tratamento espiritual dispensará o tratamento médico. Quem quer que sofra de depressão deve, por isso mesmo, buscar ajuda profissional e, paralelamente, poderá buscar alguma terapia complementar de sua preferência e de acordo com a sua crença, mas que não interfira no tratamento médico. Não são poucos os casos onde um paciente, que vinha sendo tratado apenas com tratamento médico e apresentava uma melhora muito lenta ou inexpressiva, tenha uma melhora sensível após iniciar o tratamento espiritual.


Saúde e espiritualidade – como eu disse no início, jogar a culpa da enfermidade sobre o enfermo é algo contraproducente. É preciso entender que o indivíduo encontra-se momentaneamente incapacitado para reagir. Do ponto de vista materialista e de quem só enxerga a vida atual, esta é uma verdade absoluta, mas do ponto de vista espírita, esta é apenas uma meia verdade. É fato que o indivíduo está, por causa do seu organismo, “quimicamente incapacitado”, necessitando de tratamento médico, mas, do ponto de vista da vida espiritual, somos construtores do que somos. Não se trata simplesmente de por-lhe a culpa no sentido de dizer que a depressão é fraqueza de caráter, mas, considerando a existência de um Deus justo e bom, por que ele permite que uns nasçam com a doença e outros nasçam quimicamente mais felizes? Obra do acaso? Da aleatoriedade genética? Que justiça e bondade há nisso? Quem passa a ter um entendimento mais profundo da vida através do Espiritismo, descobre que vivemos muitas existências físicas e que guardamos o registro destas existências em nosso perispírito. Ao iniciarmos uma nova encarnação, pela lei de afinidade, atraímos a carga genética compatível com as provas e expiações que necessitamos viver nesta vida. O processo é complexo e necessita um estudo aprofundado do Espiritismo, mas, sob a ótica espírita, não existem vítimas. Somos todos responsáveis pela felicidade ou infelicidade. Esta não é uma concepção cruel e sim libertadora. Cruel é estar aprisionado na condição de vítima, onde não nos resta o que fazer a não ser lamentar a má sorte. Somos artífices do nosso destino. Felicidade ou desgraça é produto de nossa semeadura. Se sofremos hoje, é porque plantamos ontem sofrimento. Cabe-nos hoje, cientes desta realidade, acreditar que está em nós a capacidade de superar e mudar o nosso futuro, apoiando-nos em todos os recursos que dispomos. Devemos ter o cuidado de não alimentar a culpa que imobiliza e degenera o ser humano. Ao invés disso, devemos alimentar a consciência de que o futuro está em nossas mãos e, se somos obrigados a colher os frutos do passado, hoje, o plantio é livre. Esta consciência oferece força e responsabilidade para superar as dificuldades que mais não são que lições para educar-nos diante das leis da vida.


* Breno Henrique de Sousa é paraibano de João Pessoa, graduado em Ciências Agrárias e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba. Ambientalista e militante do movimento espírita paraibano há mais de 10 anos, sendo articulista e expositor.