Espiritismo .NET

Problemas sociais dos pais afetam biologicamente a personalidade dos filhos

Problemas sociais dos pais afetam biologicamente a personalidade dos filhos



Aves sob stress põem ovos com mais hormônios, o que gera filhotes mais cautelosos e suscetíveis a problemas. Em mamíferos, o caso é parecido


Uma pesquisa desenvolvida com codornas na França pode ajudar a entender melhor como os problemas dos pais influenciam biologicamente na formação da personalidade dos filhos. Um grupo de pesquisadores de três instituições europeias observou que, em circunstâncias de stress, as codornas botam ovos com maior abundância de testosterona. Os fetos desenvolvidos sob essa exposição hormonal são, na vida adulta, mais cautelosos, ativos e suscetíveis a problemas, além de crescerem  mais lentamente – ao menos durante as três primeiras semanas de vida. As conclusões do estudo foram publicadas na revista científica PloS ONE.


Entre as ciências que provam com mais eficiência que o determinismo genético é uma falácia – ou seja, que o código genético não determina necessariamente quem uma pessoa é – está a epigenética. Ela estuda como os hábitos dos pais e o estímulo do ambiente nessa geração podem deixar uma marca epigenética, “desligando” e “ligando” determinados genes nos filhos. É nesse ciência que se baseia o estudo da Universidade de Rennes 1 e Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica, da França, e Universidade de Medicina Veterinária, da Áustria.


Observando grupos de codornas criadas em cativeiro, os pesquisadores notaram que mudanças em sua estrutura social as deixavam mais agressivas umas com as outras. Nessas condições, as codornas fêmeas botavam ovos com muito mais testosterona que o comum, afetando a personalidade do feto até a vida adulta.


O pesquisador Erich Möstl, coautor do estudo, explica que o mesmo acontece com os mamíferos. “Sabemos que o stress sobre os mamíferos do sexo feminino influencia no desenvolvimento de seus descendentes, o que ocorre no útero. Mas foi uma grande surpresa saber que o stress cause mudanças sociais como o nível de hormônios nas gemas de ovos de aves", afirma.


Matéria publicada na Revista Veja, em 28 de dezembro de 2010.



Darlene Polimene Caires* comenta


Podemos encontrar na enciclopédia virtual Wikipédia que “herança genética ou biológica é processo pelo qual um organismo ou célula adquire ou torna-se predisposto a adquirir características semelhantes à do organismo ou célula que o gerou, através de informações codificadas (código genético) que são transmitidas à descendência. A combinação entre os códigos genéticos dos progenitores (em espécies sexuadas) e erros (mutações) na transmissão desses códigos são responsáveis pela variação biológica que, sob a ação da seleção natural, permite a evolução das espécies.”


E temos um contraponto desse pensamento acima citado: a Epigenética, que podemos definir como “um termo usado na biologia para se referir a características de organismos unicelulares e multicelulares (como as modificações de cromatina e DNA) que são estáveis ao longo de diversas divisões celulares, mas que não envolvem mudanças na sequência de DNA do organismo.” (Adrian Bird - 2007, Perceptions of epigenetics, Nature 447: 396-398.)


Nos últimos dias do ano, nos foi relatado pela comunidade científica a constatação dessa mudança de comportamento em algumas espécies de aves, confirmando a teoria da Epigenética.


Observou-se que codornas em cativeiro, e sob stress, desenvolvem em seus ovos maior quantidade de testosterona, tornando os “filhotes mais cautelosos, ativos e sujeitos a problemas, além de crescerem mais lentamente – ao menos durante as três primeiras semanas de vida”. (Revista científica PloS ONE.)


E essa influência, além de tudo, muda o comportamento dessas aves afetando-as até na vida adulta.


Isso também acontece com os mamíferos, de acordo com o pesquisador, Erich Möstl: “Sabemos que o stress sobre os mamíferos do sexo feminino influencia no desenvolvimento de seus descendentes, o que ocorre no útero. Mas foi uma grande surpresa saber que o stress cause mudanças sociais como o nível de hormônios nas gemas de ovos de aves", afirma.


Portanto, temos duas teorias materialistas e totalmente antagônicas. Uma nos diz que o código genético é modificado e outra nos diz que “os hábitos dos pais e o estímulo do ambiente nessa geração podem deixar uma marca epigenética, “desligando” e “ligando” determinados genes nos filhos”, mas não mudando o código genético.


A neurociência, através de pesquisas, descobriu que o hipotálamo é uma “fábrica” que funciona com o estímulo de nossas emoções. Nossas emoções foram “desenhadas” para reforçar quimicamente nossa memória. Ao sentirmos raiva, vitimização, insegurança, inveja, amor, alegria como resposta a determinados estímulos externos, as emoções associadas aos peptídeos (pequenas cadeias de aminoácidos existentes no hipotálamo) perpetuam esse comportamento em nós. Logo, pode-se dizer que sim, a gestante em estado de stress produz hormônios que influenciam o comportamento social de seus descendentes.


O Espírito Emmanuel, em O Consolador, na questão nº 35, nos diz que "(...) as leis da genética encontram-se presididas por numerosos agentes psíquicos que a ciência da Terra está longe de formular, dentro dos seus postulados materialistas. Esses agentes psíquicos, muitas vezes, são movimentados pelos mensageiros do plano espiritual, encarregados dessa ou daquela missão junto às correntes da profunda fonte da vida. Eis por que, aos geneticistas, comumente se deparam incógnitas inesperadas, que deslocam o centro de suas anteriores ilações".


E Allan Kardec, em A Gênese, nos dá o seguinte esclarecimento: “Com a preexistência, o homem traz, ao renascer, o gérmen das suas imperfeições, dos defeitos de que se não corrigiu e que se traduzem pelos instintos naturais e pelos pendores para tal ou tal vício”.


André Luiz, em Evolução em Dois Mundos, tem também uma opinião: “Os hormônios estrogênicos, oriundos do ovário, mantêm os caracteres femininos secundários, e os androgênicos, segregados pelo testículo, sustentam os caracteres masculinos da mesma ordem. Produzem ações estimulantes e inibitórias, todavia, como atendem necessariamente a impulsos e determinações da mente, por intermédio do corpo espiritual, incentivam o desenvolvimento ou a maneira de proceder da espécie, mas não os origina. Por isso, nenhum deles possui ação monopolizadora no mundo orgânico, não obstante patentearem essa ou aquela influência de modo mais amplo”. (Evolução em Dois Mundos, André Luiz, psicografada por Francisco Cândido Xavier.)


Como vimos nos trechos citados acima, o espírito, ao reencarnar, já traz consigo um projeto a executar, e a lei de afinidade o atrai para essa carga excessiva de estrogênio produzida pela mãe em estado de stress. Não afirmando que isso seja predestinação.


André Luiz continua nos esclarecendo sobre hereditariedade versus predestinação: “Portanto, como é fácil de sentir e apreender, o corpo herda naturalmente do corpo, segundo as disposições da mente que se ajusta a outras mentes, nos circuitos da afinidade, cabendo, pois, ao homem responsável reconhecer que a hereditariedade relativa, mas compulsória, lhe talhará o corpo físico de que necessita em determinada encarnação, não lhe sendo possível alterar o plano de serviço que mereceu ou de que foi incumbido, segundo as suas aquisições e necessidades, mas pode, pela própria conduta feliz ou infeliz, acentuar ou esbater a coloração dos programas que lhe indicam a rota, através das unidades de força psicossomática que atuam no citoplasma, projetando sobre as células e, consequentemente, sobre o corpo os estados da mente, que estará enobrecendo ou agravando a própria situação, de acordo com a sua escolha do bem ou do mal”. (Evolução em Dois Mundos, psicografado por Francisco Cândido Xavier, pelo espírito André Luiz.)


Concordamos ser impossível não passarmos por algo estressante em algum momento de nossa vida, principalmente quando vivemos em uma época cujos valores materiais parecem ser mais significativos e reais que os valores espirituais. Podemos dizer que estamos vivendo uma inversão de valores na atualidade, a competição muitas vezes desleal, o “ter” ser mais valorizado que o “ser”, sem contar com os problemas de comunicação entre familiares, profissionais e poderíamos enumerar muitos outros.


Como sabemos, nada escapa à lei Divina. E para confirmar as palavras de O Evangelho Segundo o Espiritismo, “os laços do sangue não criam forçosamente os liames entre os Espíritos. O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo. Não é o pai quem cria o Espírito de seu filho; ele mais não faz do que lhe fornecer o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo progredir”.


Logo, cabe aos pais, o cuidado consigo, com seus pensamentos, emoções e ações para que consigam ajudar aqueles que estão sob sua responsabilidade.


* Darlene Polimene Caires é professora aposentada e participa das atividades do Centro Espírita Nosso Lar, em Londrina, no Paraná.