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Bebê nasce de embrião congelado há quase 20 anos

Bebê nasce de embrião congelado há quase 20 anos



Cientistas americanos conseguiram que uma mulher de 42 anos tivesse um filho saudável a partir de um embrião que permaneceu congelado por quase 20 anos.


A técnica foi aplicada no Instituto Jones de Medicina Reprodutiva, da Escola de Medicina de Eastern Virginia, em Norfolk, na Virgínia.


A mulher que recebeu os embriões havia registrado uma baixa reserva ovariana, ou seja, baixo estoque de óvulos disponíveis, e fazia tratamento de fertilização havia dez anos.


Os médicos descongelaram cinco embriões que haviam sido doados anonimamente por um casal que realizara o tratamento de fertilização na clínica 20 anos antes.


Dos embriões descongelados, dois sobreviveram e foram transferidos para o útero da paciente. Ao fim de uma única gravidez, a mulher deu à luz um garoto que nasceu saudável.


O caso foi relatado em um artigo científico na publicação especializada Fertility and Sterility, da Sociedade Americana para a Medicina Reprodutiva.


A equipe, liderada pelo pesquisador Sergio Oehninger, disse que não conhece nenhum caso de gravidez em que um embrião humano tenha permanecido tanto tempo congelado – 19 anos e sete meses.


"Congelar embriões é uma prática que só começou a ficar frequente nos anos 1990, então este certamente estava entre os que foram congelados logo no início deste processo", explicou à BBC Brasil o diretor científico e professor honorário do Centro de Medicina Reprodutiva da Universidade de Glasgow, Richard Fleming.


"Este é sem sombra de dúvida o caso mais antigo de que já ouvi falar, e mostra como um embrião de boa qualidade pode perfeitamente se desenvolver independentemente de ter sido gerado em 1990 ou 2010."



Tempo em suspenso


O congelamento suspende biologicamente o envelhecimento das células, e os cientistas defendem que um embrião pode permanecer neste estado por décadas.


Ate agora, o maior tempo que um embrião permaneceu congelado antes de ser transferido para o útero e gerado um bebê foi 13 anos, em um caso na Espanha.


No Brasil, o recorde é de uma mulher do interior de São Paulo que deu à luz um bebê nascido de um embrião que ficara congelado por oito anos.


Há ainda casos de pacientes que congelam suas células reprodutivas com fins terapêuticos, antes de tratamentos que podem deixá-los estéreis.


Em 2004, um casal teve um filho a partir de esperma que havia permanecido congelado por 21 anos.


Nesse caso, o pai tinha congelado espermatozoides aos 17 anos de idade, antes de começar a tratar um câncer de testículo com radioterapia e quimioterapia, que o deixaram sem capacidade reprodutiva.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 11 de outubro de 2010.



Carlos Miguel Pereira* comenta


“Tudo se deve fazer para alcançar a perfeição, e o homem é ele mesmo um instrumento de que Deus se serve para atingir os seus fins.” (Questão 692, de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec.)


As tecnologias de reprodução medicamente assistida são um prodígio da inteligência humana, constituindo-se como uma fonte de esperança para milhões de pessoas em todo o mundo que, possuindo problemas de infertilidade, anseiam pela oportunidade de serem pais. A fertilização in vitro é uma técnica de reprodução assistida que consiste na fertilização dos oócitos fora do corpo da mulher e em ambiente laboratorial, sendo posteriormente transferidos para a cavidade uterina. Devido ao delicado método de recolha dos oócitos, à elevada taxa de insucesso do processo e à necessidade da sua repetição, são fertilizados um número de oócitos superior ao necessário. Devido a esse fato, nem todos os embriões resultantes da fertilização são implantados no útero.


Alguns, devido a malformações, são inviáveis para implantação e os restantes serão criopreservados em azoto líquido a 196ºC negativos, de acordo com a legislação em vigor, para que possam ser utilizados em caso de insucesso.


Através desta notícia, tomamos conhecimento do nascimento de uma criança saudável na sequência da implantação no útero de uma mulher de um embrião que esteve congelado durante quase 20 anos. Esta evidência é mais uma valiosa oportunidade para refletirmos sobre a problemática dos embriões congelados à luz da Doutrina Espírita. Na codificação Espírita, os Espíritos afirmaram que a ligação de uma alma a um corpo físico “começa na concepção, mas não se completa senão no instante do nascimento.” (Questão 344, de O Livro dos Espíritos.) Isto significa que existem Espíritos ligados a embriões congelados? O que aconteceu então com o espírito que anima o bebê da notícia? Permaneceu em estado de congelamento durante quase 20 anos? Qual a finalidade?


Para analisarmos esta questão, é necessário relembrarmos o aprendizado escolar na área da biologia, quando estudamos que a fecundação é a união do gameta masculino, o espermatozóide, com o gameta feminino, o óvulo, dando origem ao zigoto ou óvulo fecundado. A partir desse momento, tem início o processo de divisão celular que resulta no embrião. Na reprodução natural, consequência de uma relação sexual, todas as etapas dependem das condições humanas do casal, o que permite que após a união dos gametas masculino e feminino se inicie imediatamente a ligação do Espírito ao corpo em desenvolvimento, tal como é descrito na pergunta 344, de O Livro dos Espíritos, e tão bem evidenciado no livro Missionários da Luz, do Espírito André Luiz e psicografado por Chico Xavier, ao narrar o processo reencarnatório de Segismundo.


Mas, e quando o processo é realizado em laboratório? Fora do amparo uterino, as condições não são as mesmas. Sabemos que se o embrião for mantido fora do corpo da mãe por um tempo superior ao adequado, a sua divisão celular tomará uma direção diferente daquela que o levaria a formar um corpo humano. De alguma forma, apesar das células embrionárias se manterem vivas, ultrapassado esse tempo, o embrião sofrerá uma desorganização da sua estrutura multicelular, retirando-lhe a potencialidade de gerar uma vida humana. Então, para que as células que constituem o embrião mantenham a potencialidade de dar origem a um corpo humano, é necessário selecionar um dos seguintes procedimentos:  1) Sejam colocadas no útero (caso elas consigam juntar-se à mucosa uterina, isso resultará numa gravidez, diferenciando-se posteriormente em duas estruturas diferentes: o feto e a placenta); 2) Sejam criopreservadas, ou congeladas, como é vulgar dizer-se.


Mas quais os embriões que o médico irá seleccionar para nidificação no útero e quais os que enviará para congelamento? Esta é uma escolha que depende do livre-arbítrio do médico responsável, que pode selecionar alguns embriões para implantação no útero em detrimento de outros que serão relegados para criopreservação. Então, como se comportará um Espírito preparado para a reencarnação numa determinada família para se ligar ao embrião nos casos de fertilização in vitro? Será que cada oócito fertilizado terá uma alma ligada? Por que os Espíritos iriam ligar uma alma a um grupo de células, cujo fim poderá ser a eliminação ou o congelamento? Na conclusão de O Livro dos Espíritos, item VI, Allan Kardec afirma que uma das maiores forças do Espiritismo “(…) é o apelo que faz à razão e ao bom senso”. É o bom senso que impede a difusão da ideia que um embrião congelado possa ter uma alma ligada.


O Espírito deverá ligar-se ao embrião apenas quando existe a possibilidade deste se desenvolver e se tornar um feto. No caso das fertilizações in vitro, esta condição apenas estará satisfeita após o embrião ser implantado no útero materno. Só então é que a ligação da alma ao embrião deverá ocorrer.


Algumas notas adicionais que, por falta de espaço, apenas servirão como mote para reflexão:


1) A questão da desorganizarão da divisão celular do embrião fora do útero materno é muito interessante do ponto de vista espiritual, já que na pergunta 136, de O Livro dos Espíritos, é afirmado que: “O nosso corpo, se não tivesse alma, seria uma massa de carne sem inteligência, tudo o que quiserdes, exceto um homem.” É o que parece suceder à divisão celular do embrião fora do ventre da mãe, que após alguns dias deixa de possuir a potencialidade de gerar uma vida humana. Apesar de todos os avanços e conquistas, a medicina desconhece ainda qual é a essência que produz a vida e de onde provém esta força que dá vida às células e orienta a formação de um corpo humano.


2) Um embrião criopreservado manterá o fluido vital das células ativo? Será que o embrião criopreservado conseguiria manter uma vitalidade suficientemente forte para manter a ligação de um Espírito?


3) Um embrião, dentro ou fora do útero materno, exige o mais elevado respeito para com a potencialidade de vida humana que nele reside. Os procedimentos médicos ou científicos, ao conseguirem adquirir o conhecimento para interferirem na sequência normal dos processos naturais, para além dos mecanismos éticos a que devem estar sujeitos, não se podem excluir à responsabilização pela intenção e finalidade para que estão a utilizar esse conhecimento.


* Carlos Miguel Pereira trabalha na área de informática e é morador da cidade do Porto, em Portugal. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), na cidade do Porto, e colaborador regular do Espiritismo.net.