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Pais se agridem em shopping no RJ após os filhos brigarem na escola

Pais se agridem em shopping no RJ após os filhos brigarem na escola



A mãe diz que o filho é vítima constante de ‘bullying’ na escola e na rua, pelo filho do agressor. A mãe resolveu tirar satisfação com a criança. Foi quando o ‘bullying’ entre os filhos virou pancadaria entre os pais.


A palavra ‘bullying’ é usada para descrever atos de violência física e moral entre crianças. Mas e quando o pai de uma criança agride a mãe de outra que palavra usar? Veja que história absurda aconteceu na cidade de Petrópolis, que fica na Região Serrana do Rio de Janeiro.


A agressão aconteceu em uma galeria e foi registrada pelas câmeras de segurança. A mulher conversava com uma amiga ao lado do filho de 9 anos. O pai de um colega da escola se aproxima, também acompanhado do filho. E, mesmo na frente das crianças, começa a discussão. A mulher é atingida no rosto, é empurrada, cai no chão e ainda recebe um chute. O homem é afastado, e agora é ela quem vai atrás dele, joga a sandália e é novamente agredida.


A briga foi provocada por um desentendimento entre as crianças. A mãe diz que o seu menino é vítima constante de ‘bullying’ na escola e na rua. As situações de constrangimento seriam provocadas pelo filho do agressor. A mãe resolveu tirar satisfação com a criança. Foi quando o ‘bullying’ entre os filhos virou pancadaria entre os pais.


“Eu falei: ‘se você não sabe, isso é crime. No colégio, quem paga é o colégio. Fora da escola, quem vai pagar, por isso, são seus pais’. Falei isso apenas. Dez minutos depois esse rapaz, que eu jamais tinha visto na minha vida, desceu e fez o que vocês viram”, relata a mulher.


Uma semana após a briga, ela ainda sente dores no pescoço, na cabeça e nas costas. Movimenta o braço com dificuldade. E mostra a radiografia de uma fratura na costela. "Eu vou defender ele para vida, enquanto eu durar”, desabafa.


Notícia publicada na página do Bom Dia Brasil, em 15 de outubro de 2010.



Marcia Leal Jek* comenta


Ouvimos tantos comentários a esse respeito na sociedade, e a maioria é desagradável, do tipo: “Que exemplo eles deram aos filhos?”, “Homem que bate em mulher tem que apanhar MUITO!”, “Ainda é pouco para a raiva que me dá quando eu vejo coisas assim!”.


Diante desse dilema, indagamos: Como os pais podem proteger os filhos ante os desequilíbrios emocionais que assolam a juventude de hoje?


Os pais deveriam observar seus filhos desde o berço, a fim de observar suas inclinações. A escola, depois do núcleo familiar, é o primeiro contato do jovem com a sociedade.


Devemos começar a educação dos filhos a partir do ventre, pois, como sabemos, nossos filhos são espíritos e a reencarnação começa quando se dá a vinculação dos gametas; quando o espermatozóide se junta com o óvulo, formando assim o zigoto.


O espírito é atraído a essa ligação por essa energia que nasce dessa junção de espermatozóide e óvulo. O espírito é atraído magneticamente para esse conjunto e, a partir daí, por um processo automático, começa a produção do corpo físico. A partir do momento em que a mulher já sente que está grávida, já se inicia o amor pela criança.


Esse processo de amor entre pais e filhos depende muito da energia enviada. Se a energia é de amor, a criança receberá esse amor, e se for energia negativa, ela também receberá o negativismo.


A renovação da humanidade só se processará através da educação. Infelizmente, neste mundo materialista em que vivemos, muitos pais deixam para educar seus filhos depois que eles crescem, sendo que neste momento eles já não entenderão mais, porque já terão assimilado os valores do mundo e da mídia.


Santo Agostinho comenta sobre a missão dos pais: “A tarefa é difícil, mas não impossível; não exige o saber do mundo; o ignorante como o sábio pode cumpri-la e o Espiritismo veio facilitá-la, dando a conhecer a causa das imperfeições do coração humano”.(1)


Educar é observar o filho desde o berço, como propõe Santo Agostinho. Já que as crianças não nascem com manual de instrução, cada filho mostrará aos pais como eles são, depois desta observação geral. Os pais, a partir daí, darão conta de como conduzir o processo da educação.


Importante sabermos que nossos filhos são espíritos, e não seres em branco aonde os pais vão começar a escrever neles. Eles já são um livro com muitas páginas escritas, e somente contribuímos na escrita de uma nova página. Eles estão em processo de evolução como nós mesmos.


Se formos analisar, tem crianças que foram criadas sem limites, e hoje, na fase adulta, elas não têm limite. Acabam se tornando, como este pai, agressivo e cruel. Em outras palavras, podemos entender que muito desse problema tem origem dentro de nossas casas, onde não temos a devida atenção com nossos filhos. Ou pior, não soubemos lhes passar os valores morais e de respeito ao próximo.


Pergunta 754, de O Livro dos Espíritos: “A crueldade não derivará da carência de senso moral? Dize – da falta de desenvolvimento do senso moral; não digas da carência, porquanto o senso moral existe, como princípio, em todos os homens. É esse senso moral que dos seres cruéis fará mais tarde seres bons e humanos. Ele, pois, existe no selvagem, mas como o princípio do perfume no gérmen da flor que ainda não desabrochou.”


Aprendemos, na Doutrina Espírita, que nada acontece por acaso, e, sendo assim, tudo na vida encerra um ensinamento para o nosso crescimento. As crianças que sofrem esta prática de assédio moral (bullying) podem estar passando por um processo de aprendizado que as impeça de se comportarem desta forma com os outros no futuro, e, ao mesmo tempo, podem estar sendo incentivadas à humildade e a solidariedade.


Sobre a cura de todos os males morais do homem, se fará somente pela educação. Devemos investir na evangelização espírita, na mocidade espírita e, nos estudos sistematizados da Doutrina Espírita (ESDE). São as chaves para uma comunidade escolar mais solidária e fraterna.


Fazemos a seguinte reflexão: Como é que os pais estão recebendo seus filhos?



Fonte:


(1) O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XIV, item 9, A ingratidão dos filhos e os laços de família, editora FEB.


* Marcia Leal Jek estuda o Espiritismo há mais de 25 anos e é trabalhadora do Centro Espírita Francisco de Assis, em Jacaraipe, Serra, ES.