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Cenas de vandalismo dentro de escola chocam

Cenas de vandalismo dentro de escola chocam



Os pais estão preocupados. Os professores, assustados, com medo dos próprios alunos. Especialistas dizem que falta educação.


O caso mais recente foi registrado em São Paulo e confirma uma pesquisa feita pelo sindicato dos professores: 87% deles já presenciaram atos de violência. O vandalismo só fica atrás dos xingamentos contra professores.


Desordem total: as imagens gravadas pelo celular de um aluno mostram um estudante que corre sobre a mesa do professor, fecha a porta da sala e cadeiras são arremessadas. Os alunos que não participam da bagunça ficam em pânico com a ação dos colegas. O quebra-quebra é em uma sala da 6ª série, onde estudam adolescentes de 11 e 12 anos. O resultado é a destruição da escola estadual na Zona Sul de São Paulo.


O que pode levar uma criança ou um jovem a praticar um ato de violência? Especialistas acreditam que este não é um problema individual. É um problema social.


Hoje os estudantes crescem sem a educação ideal e, portanto, sem limites.


Para o educador Mário Sérgio Cortella, a correria do dia a dia de trabalho afasta os pais, os adultos do convívio com as crianças. Essa ausência é um dos motivos para o descontrole. Falta que acaba sobrecarregando as escolas.


“O jovem é muito apreendente por exemplos. Ele é exemplar na sua forma de aprendizado. Se há um descuido com ele, ele se descuida também. Se há um exemplo negativo ele absorve aquilo como referência. Por isso que, se nós quisermos educar os jovens, nós temos que nos educar melhor”, aponta o professor da PUC-SP Mário Sérgio Cortella.


Com uma marreta, vândalos quebraram a porta e reviraram toda a sala da direção em uma escola estadual, há um mês, na Zona Sul de São Paulo. Na sala dos professores, o cenário era ainda pior. Armários foram arrombados. Material didático foi perdido, atingido por mostarda e catchup. Só este ano, a escola já sofreu seis ataques.


Em maio, em outra escola estadual na Zona Leste, cadeiras, mesas, lixeiras e janelas foram quebradas. A confusão começou depois que dois alunos foram levados para a delegacia pela ronda escolar. Revoltados, os outros estudantes começaram a quebradeira.


“É a escola que eu estudo, é a escola que a gente estuda, quem não fica com raiva disso”, reclama uma aluna.


Episódios semelhantes se espalham pelo país. Em Curitiba, os alunos invadiram a escola, usando mesas e cadeiras como skate, para brincar nas escadarias. O colégio, que começou a funcionar há três anos, já teve paredes e muros pichados, portas quebradas e bebedouros arrancados.


“O mundo que vamos deixar para os nossos filhos depende muito dos filhos que nós vamos deixar para esse mundo. Se nós estamos descuidando desses filhos, nós estamos descuidando do mundo que com eles ficará e no qual nós vamos viver também, espero”, alerta o professor da PUC-SP.


De acordo com a diretoria regional de ensino, os pais dos alunos envolvidos no primeiro caso mostrado na reportagem participaram de uma reunião e se comprometeram a criar um projeto para ajudar na preservação da escola.


Notícia publicada na página do Bom Dia Brasil, em 24 de novembro de 2009.



Nara de Campos Coelho* comenta


Evolução em risco


Tem-nos sido altamente preocupante o comportamento dos jovens alunos nas escolas do Brasil. A mídia nos tem deixado a par de acontecimentos outrora impossíveis. Eis que já se vai longe o tempo em que professor era personalidade que inspirava respeito e exemplificação duradoura, que atravessava décadas influenciando seus alunos, marcando-lhes o caráter para além da vida material. E a escola? Ah, a escola era terreno sagrado que o aluno queria honrar.


Para uma análise, ainda que incompleta, podemos trazer à tona o maior de todos os motivos da decadência do nosso ensino, tanto o público quanto o privado: o materialismo. Graças a ele é que as pessoas, todas as pessoas, em todos os cargos que ocupam, desenvolvem o orgulho e o egoísmo que, no dizer de Allan Kardec, representam chagas da humanidade, e que a vem corroendo, lenta e decisivamente.


O materialismo espreme a criatura entre o berço e o túmulo, permitindo-lhe desenvolver a ansiedade de conquistas materiais, cujas possibilidades se expirarão em pouco tempo. Urge, pois, conquistá-las. Ainda que em detrimento de seus semelhantes. Abraçados pelo egoísmo aviltante e pelo orgulho desenfreado, o materialismo dita a regra de que só é feliz aquele que detém o poder, o dinheiro, os bens materiais, a beleza física. As políticas dos governos, sustentados por esta causa, removem os obstáculos que lhe surgem à frente, demovendo a ideia de que os bens morais devem forjar os caracteres das pessoas. E, a formação dos professores, bem como a remuneração digna que lhes é devida, escorrem pelos ralos da imprevidência.


A sociedade segue este rumo.


Pais e mães preferem sair de casa para aumentar o próprio salário do que dedicar-se a orientação dos filhos. “Isto a creche faz! A empregada faz! A escola faz! A vizinha faz! A rua faz...” E, como que anestesiados para os valores morais e espirituais, relegados ao deboche e até ao pouco caso, concretizam a assertiva de Jesus: “Desperta tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e o Céu te ajudará!” Dormindo e morta para os valores espirituais, está a nossa sociedade. Assim, a violência se alastra como uma peste, incontrolável.


O Espiritismo é o maior inimigo do materialismo. Graças a ele temos a certeza de que somos Espíritos em evolução, viajando de reencarnação em reencarnação em busca da sabedoria, como nos ensina Herculano Pires. Os filhos são herança do Pai, delegada aos pais físicos para que sejam educados, iluminados ao longo de sua trajetória terrestre. Os professores são aliados nesta tarefa sublime e intransferível da educação integral. Os governos são a possibilidade de realizações felizes no campo do bem.


Assim, na nossa atualidade, estamos falhando todos. A violência e a indisciplina nas escolas são apenas o reflexo de que estamos descendo a ladeira no campo da evolução integral a que nos destinamos. São gritos de alerta para quem tem “olhos de ver e ouvidos de ouvir”, segundo o Mestre Jesus. São o testemunho de que nossos exemplos têm sido os piores...


Com Espiritismo, podemos fazer a nossa parte, não engrossando as fileiras dos que estão “mortos ou dormindo” para os valores eternos do espírito. “Os males da humanidade provêm das imperfeições dos homens”, ensina-nos Kardec. Tenhamos cuidado, pois, além do nosso destino de evolução integral, temos a responsabilidade “de contribuir na obra de Deus”, como nos ensina O Livro dos Espíritos.


Temos a certeza de que a evolução é um determinismo, mas sabemos, também, que podemos estacionar na frieza e na indiferença, produzindo o caos que já nos ameaça. Mas, com Kardec, sabemos que somos artífices do nosso futuro.


Ainda há esperanças!


Sobre este assunto, leia também o artigo "Falta mãe em casa!".


* Nara de Campos Coelho, mineira de Juiz de Fora, formada em Direito pela Faculdade de Direito da UFJF, é expositora espírita nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, articulista em vários jornais, revistas e sites de diversas regiões do país.