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Cientistas não conseguem explicar o nascimento de um bebê branco de pais negros

Cientistas não conseguem explicar o nascimento de um bebê branco de pais negros



O Globo


LONDRES - A imagem correu o mundo e intrigou muita gente. É possível que um casal de negros tenha um filho branco? Para os especialistas em genética, a resposta é sim, mas tudo depende de uma série de fatores. No caso da pequena Nmachi, que nasceu com cabelos louros e olhos azuis, a explicação está especialmente confusa. Os pais afirmam não ter ascendentes brancos, os médicos que cuidam da criança afirmam que ela não é albina, e exames de DNA provaram que a mãe não teve um caso extraconjugal.


Em entrevista ao jornal britânico ‘Daily Mail’, o professor de genética Bryan Sykes, da Universidade de Oxford, afirmou que o caso é "extraordinário". Ele explicou que quando há a mistura de raças (mãe branca e pai negro, por exemplo), não é raro ver este tipo de caso. Isto pode acontecer também se a criança tiver avós ou até bisavós de raças diferentes.


Mesmo que os pais neguem, Sykes afirma que, para a criança nascer de pele clara, ambos os pais necessariamente precisariam ter um ancestral branco.


- As regras da genética são complexas e até hoje não entendemos o que acontece em muitos casos - afirma o médico.


Sykes explica que este tipo de surpresa é mais comum em populações onde há muita mistura de raças, como nas populações latinas ou afro-caribenhas.


Notícia publicada no Jornal O Globo, em 20 de julho de 2010.



Carlos Miguel Pereira* comenta


Por maior que seja o fascínio devotado à Natureza, esta possui uma extraordinária capacidade de nos conseguir surpreender ainda mais. Através dos avanços científicos, o Homem retirou parte do véu a alguns dos mistérios mais enigmáticos, corrigindo teorias deturpadas e simplistas, percebendo, à medida que penetrava em níveis crescentes de conhecimento, a maravilhosa ordem e coerência que regem o Universo e a Vida. Conquistada uma maior compreensão sobre o funcionamento dos fenômenos naturais, algumas áreas da ciência tornaram-se algo prepotentes e rígidas, defensoras intransigentes de uma visão do mundo sustentada por um materialismo reducionista, incapazes de reconhecerem as suas limitações, as suas dúvidas e, sobretudo, a imensa ignorância que ainda possuem.


Perante Nmachi, nome que se traduz em “A beleza de Deus”, no idioma natal dos seus pais, os cientistas dividem-se em explicações das mais variadas, embora insuficientes, procurando encontrar nas leis da genética que conhecem, respostas para tão invulgar fenômeno, ignorando que, porventura, a peça chave do puzzle poderá estar naquilo que se recusam a aceitar: Cada organismo humano é dirigido por um Espírito único e imortal, dispondo de inúmeras existências físicas para se aprimorar em amor e sabedoria, exercendo, através da sua vontade e das suas ideias, expressas num corpo energético que o Espiritismo chama de perispírito, uma forte influência sobre a própria formação, desenvolvimento e vitalidade do corpo.


Na óptica espírita, a notícia traz interessantes pontos de reflexão que carecem de maior estudo e aprofundamento: Seria esta vontade do Espírito suficiente para fazê-lo nascer num corpo que contraria a herança genética dos seus pais? Qual a necessidade de tal situação? Seria uma prova para os pais? Sabemos que a complexidade das experiências reencarnatórias está muito longe da nossa capacidade de entendimento. Com base na teoria das vidas sucessivas, poderíamos esboçar algumas explicações, sondar possíveis causas e delinear elaboradas teorias, mas seria o mesmo que na mais profunda escuridão pretendermos atingir um alvo cuja posição desconhecemos. Em vez de formular conjecturas, é imprescindível que fique claro que o Espírito, tal como não tem sexo, também não possui cor de pele ou etnia. Se nesta existência detém um corpo de pele branca, numa outra poderá ter um de pele negra, ser asiático, índio ou outro qualquer. Tudo dependerá das suas exigências espirituais e das experiências iluminativas necessárias para que ele possa se superar, conquistando mais amor e sabedoria. A cor da pele, a beleza e harmonia das formas do corpo não são evidência de qualquer nível evolutivo do Espírito. Chico Xavier era branco, Gandhi Indiano e Luther King negro.


Diante do reconhecimento da existência da reencarnação, como nos refere Allan Kardec em A Gênese, “(…) enfraquecem-se os preconceitos raciais, os povos começam a considerar-se membros de uma grande família." De acordo com a ciência, o próprio termo “raça” não se adequa mais às variações da espécie humana, porque a diferenciação genética entre elas é tão ínfima que não é suficiente para originar diferentes raças. As diferenças existentes entre os seres humanos dão-se a um nível superficial e aparente e ocorreram devido à sua dispersão por diferentes regiões do Planeta, o que originou uma desigual adaptação física às especificidades climáticas, geográficas e culturais.


Mesmo não havendo uma compreensão científica para o que se passou com Nmachi, “a Beleza de Deus” vem comprovar, de uma forma inequívoca, que o racismo, a xenofobia, a pretensa superioridade de uns em relação a outros são absurdos ideológicos que a razão e as evidências reduzem a pó. As diferenças entre os homens são aparentes, todos somos iguais em essência, constituindo uma única raça: A Humanidade.


* Carlos Miguel Pereira trabalha na área de informática e é morador da cidade do Porto, em Portugal. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), na cidade do Porto, e colaborador regular do Espiritismo.net.