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Religião influencia decisões médicas, diz pesquisa

Religião influencia decisões médicas, diz pesquisa



Médicos ateus e religiosos agem de forma diferente em relação a pacientes em fase terminal


BBC


A fé religiosa de um médico tem "forte influência" nas decisões que toma em relação a pacientes terminais. Os médicos ateus ou agnósticos – afirma estudo publicado no Journal of Medical Ethics – têm mais probabilidade de tomar decisões que acelerem o fim da vida de um paciente terminal que médicos profundamente religiosos. E é menos provável que os últimos discutam com seus pacientes muito graves as opções de tratamentos paliativos, revelou a pesquisa, conduzida pela Universidade de Londres.


Os especialistas afirmam que os resultados são "preocupantes" e revelam que é necessário dar mais atenção em como as crenças religiosas influem no cuidado médico. Os investigadores levaram a cabo uma pesquisa com mais de 8.500 médicos do Reino Unido, respondida por menos da metade.


Ainda que os entrevistados praticassem uma ampla gama de especialidades, a pesquisa foi centrada em particular nos que estavam envolvidos em tomadas de decisão de fim de vida, por exemplo, e em cuidados paliativos e com idosos. Foi perguntado aos médicos sobre o tratamento aplicado a seu último paciente falecido, se haviam oferecido uma sedação profunda contínua – ou sedação terminal – até a morte e se haviam discutido com seu paciente decisões que, em seu juízo, poderiam encurtar a vida. Também foram perguntados sobre suas crenças religiosas, origem étnica e opinião sobre a eutanásia e morte assistida.


No Reino Unido, é ilegal ministrar medicamentos com a intenção deliberada de por fim à vida de uma pessoa, mas os médicos podem oferecer morfina e outros fármacos para aliviar a dor ou o sofrimento. Esse procedimento – chamado sedação profunda terminal – pode ter o efeito de encurtar a vida.


Ateus x religiosos — O Conselho Médico Geral (GMC, na sigla em inglês), que regula a profissão no país, recomenda que as discussões com o paciente terminal sobre seu cuidado paliativo, que inclui a alimentação por sonda, hidratação e ressuscitação (os quais podem causar sofrimento desnecessário), devem começar o mais cedo possível. O GMC estabelece que ainda que os médicos partam da premissa que a vida deve ser prolongada, não deve perseguir o objetivo a qualquer preço.


Os resultados mostraram que os médicos que se qualificam como muito ou extremamente não religiosos mostraram 40% mais probabilidades de praticar a sedação que os médicos religiosos. Por outro lado, os que se descreveram como muito ou extremamente religiosos mostraram menos probabilidade de discutir com seus pacientes sobre decisões sobre seu tratamento paliativo.


Mais de 12% dos médicos pesquisados se descreveram como "muito ou extremamente religiosos". Os médicos dedicados ao cuidado de idosos tinham mais probabilidade de serem hindus ou muçulmanos, e os médicos dedicados aos cuidados paliativos mostraram mais probabilidade de serem cristãos, brancos e de descreverem-se como "religiosos". Um em cada cinco se revelou "muito ou extremamente não religioso". Em geral, os médicos brancos, que representam o maior grupo étnico da pesquisa, mostraram menos probabilidade de identificar-se com fortes crenças religiosas.


Matéria publicada na Revista Veja, em 26 de agosto de 2010.



Leila Henriques* comenta


Em síntese, o artigo focaliza:


- a religiosidade, ou a falta dela, por parte dos médicos, e como isso influencia nos cuidados com o paciente;


- os procedimentos com os doentes terminais, quanto a abreviar a vida;


- os procedimentos com os doentes terminais quanto à sedação profunda até a morte, o que tira do paciente a consciência.


O médico que aliar à prática médica o sentimento de religiosidade, certamente estará vendo em seu paciente não apenas um corpo em vias de falecimento, mas também um Espírito que sobreviverá a este corpo e que, enquanto nele habitar, merecerá, por parte de seu médico, todos os cuidados possíveis para que seja mantida a vida pela qual esse Espírito ansiou e a qual está mais ou menos apegado, quer por questões de preservação instintiva, quer por maior ou menor condição de materialidade do próprio Espírito.


Quanto aos procedimentos para com os doentes terminais no sentido de abreviar-lhes a vida, ficamos com o que nos diz São Luís, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V, item 27, quando lhe é perguntado:


- Um homem está agonizante, presa de cruéis sofrimentos. Sabe-se que seu estado é desesperador. Será lícito pouparem-se-lhe alguns instantes de angústias, apressando-se-lhe o fim?


E São Luís responde:


- Quem vos daria o direito de prejulgar os desígnios de Deus? Não pode ele conduzir o homem até à borda do fosso, para daí o retirar, a fim de fazê-lo voltar a si e alimentar ideias diversas das que tinha? Ainda que haja chegado ao último extremo um moribundo, ninguém pode afirmar com segurança que lhe haja soado a hora derradeira. A Ciência não se terá enganado nunca em suas previsões?


Quanto à sedação profunda, é preciso separá-la da analgesia. A analgesia visa aliviar a dor sem suprimir a consciência do paciente. A sedação implica em suprimir a consciência.


Tentar aliviar a dor é um ato de amor. Tirar a consciência é levar o paciente deliberadamente a um estado vegetativo, onde ele não poderá aproveitar as experiências pelas quais está passando e que, com certeza, visam um aprendizado, um crescimento espiritual com vistas à melhores condições na vida futura, a vida espiritual que sobrevém depois do término da vida na matéria.


* Leila Henriques é espírita e colabora na divulgação da Doutrina Espírita na Internet.