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Escola árabe-judaica dá exemplo de convivência pacífica em Israel

Escola árabe-judaica dá exemplo de convivência pacífica em Israel



Judeus e palestinos vivem em harmonia, com respeito e amizade. Isso é possível para uma nova geração.


ARI PEIXOTO
Jerusalém


Duas professoras em sala de aula. Uma fala hebraico. A outra, árabe. Elas explicam as formas geométricas para alunos da quarta série, israelenses e palestinos. Não muito longe dali, as brincadeiras das crianças do jardim de infância, comandadas pelas professoras Mimi e Aya, também nos dois idiomas, confirmam que esta não é uma escola comum.


Das cinco escolas bilíngues Max Rayne que funcionam no país, a de Jerusalém, inaugurada em 2008, foi a pioneira. Lili, argentina de nascimento, diz que um idioma complementa o outro, e isso ajuda os alunos e que tanto ela quanto Angie, a colega de classe, se sentem realizados trabalhando na escola.


Atualmente, 500 alunos árabes e judeus sentam-se lado a lado nas salas de aula. Juntos, discutem as lições ensinadas pelos mestres. Aprendem a respeitar as diferenças culturais e, acima de tudo, aprendem que suas escolhas não dependem das questões políticas dos governos.


Em qualquer outra parte do mundo, isso não chamaria a atenção. Mas em uma região onde ódio e violência são matéria-prima do dia a dia, a iniciativa bem pode ser chamada de revolucionária.


Mais do que provar que a coexistência em harmonia entre árabes e judeus é possível, escolas como esta são uma espécie de ponte entre um presente e um passado de guerras e discórdias e um futuro de paz e compreensão.


Yael e Areen, de 14 anos, estudam juntas há nove. São amigas de dormir uma na casa da outra. Eyal, que é a caçula da sua família, diz que considera Areen como sua irmã mais nova. “Não pensamos uma na outra como árabe ou judia. Ela é minha amiga, ela é a pessoa de quem eu gosto e isso basta”, diz Areen.


Na parte administrativa, Ala Khatib e Dália Perez, os codiretores, discutem os assuntos relativos à escola e tomam juntos as decisões. Ala me diz que depois de 61 anos de existência seria um absurdo se Israel não tivesse uma escola árabe-judaica como esta. Ele afirma que ainda é cedo para dizer que o modelo da escola é vitorioso, mas reconhece que a lista de espera que existe hoje mostra que eles estão no caminho certo.


Ronen Weinberg, pai de dois alunos, diz que recebe muitas críticas de amigos e parentes. Mas não se importa, porque cada vez mais acredita que esse é o caminho certo.


Munir, também pai de aluno, estava me dizendo que não se trata apenas de mostrar que viver em paz é possível, mas também de que todas as pessoas são iguais, quando Suzana, mãe de Yael, apareceu. Foi recebida com beijos. Munir pergunta: “Vocês gravaram os beijos? É sobre este tipo de relacionamento que eu falava. É tudo sobre as pessoas, sempre sobre as pessoas”.

Notícia publicada na página do Bom Dia Brasil, em 27 de janeiro de 2010.



José Antonio M. Pereira* comenta


O amigo leitor pode ter a impressão de que a matéria acima é uma pieguice, uma reportagem sentimental para conquistar uma fatia da audiência. Mas se por um lado o amor, a amizade e o bem também tem seu lugar na preferência dos expectadores e leitores, esses sentimentos e valores também tem seu lugar na realidade, ainda que em menor escala. E iremos ainda mais longe. Observando o cotidiano e a história vemos que em algum momento o ódio, a guerra, a rivalidade, cansam as pessoas.


Por isso, velhos rivais às vezes mudam de ideia e lutam pela paz. Por isso, novas gerações desejam caminhos diferentes, porque não querem viver no medo e na animosidade dos seus pais e avós. Isto acontece no caminho de todos nós algum dia, e há de acontecer para toda a Humanidade.


Note-se que não se trata de utopia, mesmo que nem tudo sejam flores nessas cinco escolas de Israel, pois a mais antiga já tem mais de 10 anos de existência. E no mundo existem experiências semelhantes. Uma das mais impressionantes é o que acontece nas Ilhas Maurício. Por suas características histórico-geográficas, este pequeno país asiático tem hoje uma população de budistas descendentes de chineses, brancos católicos originários da França e Inglaterra, muçulmanos descendentes de mercadores e negros cujos ancestrais foram escravos na ilha. Unidos pela necessidade da sobrevivência de uma pequena nação sem muitos recursos naturais, as escolas de Maurício refletem essa cultura de convivência na adversidade e garante a continuidade da tolerância racial-religiosa. Seus alunos frequentam juntos as mesmas escolas, mantém contato desde cedo com culturas diferentes, fazem amizades, respeitam as diferenças e com o tempo até casam-se, mantendo suas culturas de origem preservadas. Isso sem falar nos índices de violência e analfabetismo que tendem a zero.


Segundo nos ensinam os Espíritos Superiores, tudo sempre progride na Natureza, tanto do ponto de vista material quando espiritual. Então, assim como os indivíduos se melhoram, o próprio planeta também. E o que vemos, embora quase que silenciosamente ou que passaria totalmente desapercebido se não fossem reportagens com esta, é um progresso ético-moral das pessoas. E consequentemente da Terra.


É assim que, contrariando os pessimistas de plantão, vemos que não, o mundo não está perdido...


Veja também: ONG tenta a paz entre israelenses e palestinos: http://www.espiritismo.net/content,0,0,1101,0,0.html.


* José Antonio M. Pereira coordena o ESDE e é médium da Casa de Emmanuel, além de integrante da Caravana Fraterna Irmã Scheilla, no Rio de Janeiro. Também é colaborador da equipe do Serviço de Perguntas e Respostas do Espiritismo.net.