Espiritismo .NET

Cientistas encontram região do cérebro responsável por medo de perder dinheiro

Cientistas encontram região do cérebro responsável por medo de perder dinheiro



Estudando pacientes com lesões raras no cérebro, pesquisadores americanos identificaram grupo de neurônios que nos fazem não gostar de perder dinheiro


REDAÇÃO ÉPOCA


Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos, estudando dois pacientes com lesões raras no cérebro conseguiram evidências diretas de por que não gostamos da ideia de perder dinheiro. Os dois pacientes tinham lesões nas amídalas cerebelosas, um grupo de neurônios importante para o controle emotivo e para a tomada de decisões, que foram importantes para o estudo de um fenômeno chamado "aversão à perda". Os resultados da pesquisa foram publicados na segunda-feira (8) no periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences.


Pessoas com aversão à perda tendem a evitar decisões que causem qualquer tipo de perda, mesmo quando acompanhada de um ganho igual ou maior. Esse novo estudo estudou a hipótese de a amídala ter um papel de mediação na aversão à perda. As lesões dos pacientes os impediam de perceber, reconhecer ou sentir medo. Nem mesmo podem reconhecer a expressão de medo no rosto de uma outra pessoa. Cada paciente, com um grupo de outras doze pessoas, participou de um teste para perceber como a possibilidade de perder dinheiro afeta a possibilidade das pessoas apostarem em jogos de azar.


Os dois pacientes com problemas na amídala eram menos afetados pela diferença entre os potenciais ganhos e perdas, e, às vezes, mesmo quando as perdas potenciais eram maiores que os ganhos eles escolhiam apostar, mostrando uma falta de aversão à perda. "A amídala em pleno funcionamento parece nos tornar mais cautelosos", afirmou Ralph Adolphs, professor de Psicologia e Neurociências, ao Science Daily. "Nós já sabíamos que a amídala estava envolvida no sentimento de medo, e ela também parece nos fazer ficar com ‘medo’ de perder dinheiro", disse.


Matéria publicada na Revista Época, em 9 de fevereiro de 2010.



Breno Henrique de Sousa* comenta


O medo é um mecanismo básico, relacionado originalmente com o instinto de sobrevivência. Sem o medo, a espécie humana haveria sido extinta, pois é o medo que nos permite manter a noção do perigo e defender-nos. Como se diz no linguajar popular, excesso de valentia é burrice, pois quem nunca recua diante de um perigo eminente, está mais sujeito a sofrer as consequências de sua impulsividade. O medo pode tornar-se patológico no ser humano, que, devido à sua capacidade de abstração, cria medos imaginários como as pessoas que sofrem de síndrome do pânico. É comum que certos medos imaginários tenham sua nascente na consciência culpada, pelos equívocos desta ou de outras encarnações, que se projetam do inconsciente para o consciente do indivíduo. Muitas vezes tais medos são agravados pela cobrança de antigas vítimas convertidas agora em algozes cruéis.


Na notícia em destaque, é demonstrado o papel do cérebro na expressão de nossas emoções, com destaque para a sensação do medo. Os noticiários científicos, desde as experiências de Skinner e Pavlov, no início do século passado, que demonstraram o condicionamento clássico e operante, têm dado a ideia de que o cérebro é o gerador das emoções. De fato, inúmeros experimentos, como o que está em destaque nesta matéria, evidenciam a relação de partes específicas do cérebro com o desempenho de funções motoras e emocionais. Nos meios espíritas e espiritualistas, é comum dizer-se que o espírito é a fonte do pensamento e do sentimento, de onde se transmite as ordens ao cérebro para que ele possa executar suas funções. Esta ideia é verdadeira, porém incompleta, pois induz-nos a perceber o cérebro como detentor apenas de uma função mecânica, o que seria uma visão simplista. Somos seres interexistenciais dotados de estruturas para a expressão e o processamento de nossas emoções, desde o nível espiritual até o nível material. Isto quer dizer que o espírito pensa e sente, mas de alguma maneira é certo dizer que o cérebro pensa e sente também.


O cérebro assimila informações, assim como o perispírito as assimila. Como lemos na literatura de André Luiz, o perispírito armazena informações, mas ele não é a origem pensante do ser, da mesma forma, o cérebro é capaz de reter informações, viciar-se em emoções provocadas por comportamentos desequilibrados, ou assimilar hábitos comportamentais saudáveis, ainda que ele não seja o núcleo do ser existente. As nossas experiências são registradas nos nossos diversos níveis interexistenciais, permitindo-nos senti-las nestes diversos níveis. Neste sentido, o cérebro não é uma simples máquina para funções mecânicas, mas é também um complexo instrumento emocional. O espírito sente emoções que são decodificadas pelo cérebro que também sente emoções, de tal maneira que repercute sobre todo o corpo, causando sensações de bem ou mal estar físico-emocional. De igual maneira, os desequilíbrios orgânicos são emocionalmente interpretados na relação cérebro-espírito. Por isso, naqueles dias de uma forte gripe, nos sentimos desanimados e até tristes.


Estas relações começam a ser desvendadas, porém a maioria dos cientistas está convicta de que o cérebro é a origem do ser pensante. O pensamento materialista não permite enxergar além e perceber que mesmo nos meios acadêmicos e científicos já é possível encontrar sinais bem evidentes da transcendentalidade humana e da possibilidade da inversão da mente como efeito do cérebro, para tornar-se causa do mesmo. Este complexo mecanismo mecânico cognitivo mnemônico e emocional chamado cérebro é produto de milênios de evolução e da ação do principio espiritual com sua ação intelectualizante sobre a matéria.


É natural que qualquer lesão no aparelho cerebral comprometa a manifestação de determinadas habilidades, como no caso em questão, onde algumas pessoas são incapazes de sentir medo por lesões raras em seus cérebros. Neste caso, devido às suas lesões, o indivíduo encontra-se privado de manifestar alguma sensação ou habilidade cognitiva ou emocional no nível de sua expressão física corpórea, o que não significa que o espírito tenha perdido sua capacidade de sentir ou manifestar tal sentimento. Diversas lesões podem causar os mais raros e curiosos distúrbios ou limitações na manifestação de capacidades mecânicas, afetivas e cognitivas, evidenciando o papel bem mais que mecânico deste maravilhoso mecanismo que é o cérebro. De fato, apenas uma estrutura com a complexidade e riqueza do cérebro seria adequada para manifestarmos os potenciais do espírito humano. Entretanto, o nosso cérebro não manifesta todas as habilidades e possibilidades do ser espiritual, de maneira que o espírito, livre da matéria, pode manifestar mais amplamente todas as suas faculdades além daquelas que não poderia manifestar através da mente física. Neste sentido, devido a sua ascendência e superioridade, o espírito continua a exercer sua função organizadora e evolutiva sobre a matéria, permitindo que gradativamente o cérebro desenvolva-se para a manifestação dos potenciais do espírito humano.


* Breno Henrique de Sousa é paraibano de João Pessoa, graduado em Ciências Agrárias e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba. Ambientalista e militante do movimento espírita paraibano há mais de 10 anos, sendo articulista e expositor.