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Cirurgia para depressão pode ser solução quando os medicamentos não respondem

Cirurgia para depressão pode ser solução para casos que não respondem aos medicamentos



O Globo


RIO - Uma cirurgia polêmica vem chamando a atenção de especialistas e poderá, no futuro, ser mais uma opção para pessoas que não conseguem se livrar das crises de depressão profunda. Ela consiste na eletroestimulação cirúrgica de uma parte do cérebro e está sendo testada por pesquisadores do centro médico da Universidade Pittsburgh, nos Estados Unidos.


A experiência parece saída de um filme de terror, mas neurologistas garantem que a técnica é indolor. No procedimento, cirurgiões fazem dois pequenos furos no crânio do paciente, inserem pequenos eletrodos em uma região específica do cérebro e ajustam a voltagem de acordo com o caso. Os eletrodos funcionam com baterias minúsculas que são colocadas embaixo da pele na região peitoral e são controlados por controle remoto.


Segundo o neurologista Douglas Kondziolka e o psiquiatra Robert Howland, o objetivo do implante é regular a atividade dos neurônios no campo que controla a ansiedade e a tristeza, geralmente super ativos em pessoas deprimidas. Até o momento, o procedimento foi testado por 30 pacientes e o resultado da experiência deve ser divulgado em quatro meses.


Estima-se que existam 13 milhões de pessoas com depressão no Brasil e cerca de 450 milhões de pessoas pelo mundo sofrem diariamente com este tipo de transtorno mental. Cerca de um quinto dos portadores do distúrbio tem sintomas difíceis de serem controlados apenas com medicamentos ou psicoterapia. Mulheres costumam ser mais atingidas pela doença do que os homens, numa proporção de três para um. Dados da Organização Mundial de Saúde indicam que a depressão será a doença mais comum do mundo daqui a vinte anos.


Notícia publicada no Jornal O Globo, em 20 de janeiro de 2010.



Carlos Miguel Pereira* comenta


A notícia relata-nos uma experiência inovadora para o tratamento da depressão em que se pretende sujeitar partes do cérebro dos pacientes depressivos a choques elétricos com o objetivo de regular o funcionamento dos neurônios. Técnicas similares fazendo incidir energia elétrica sobre partes do cérebro eram já utilizadas no tratamento de alguns distúrbios mentais e todas elas têm como objetivo reativar circuitos cerebrais danificados e, segundo estudos científicos, têm produzido resultados positivos no curto prazo.


A medicina, desconhecendo o que está na origem de determinadas anomalias físicas e sobretudo mentais, procura naturalmente a amenização das suas consequências. A visão médica e os seus métodos de tratamento não estão errados, antes, pelo contrário, têm, inclusive, proporcionado excelentes resultados, se compreendermos a vida unicamente como orgânica. Mas para a ciência a procura de uma causa para as doenças termina naquilo que os seus olhos conseguem ver, ignorando as evidências de algo para além da matéria, que é fundamental no equilíbrio mental e físico do ser humano. Procedem da mesma forma como aquele homem que, possuindo um jardim florido e encantador, todos os dias, às primeiras horas da manhã, encontra um canteiro completamente destruído. Incapaz de desvendar a origem daquela devastação, o homem refaz pacientemente o canteiro para no dia seguinte descobrir o seu precioso trabalho devastado novamente. Este ciclo repete-se continuamente. O fenômeno que esteja na origem desta destruição vai permanecer ativo até que o homem decida observar para além do dia claro embrenhando-se pelo mistério da noite profunda.


Diz-nos o Espírito Hammed, no livro Renovando Atitudes, pela psicografia de Francisco do Espírito Santo Neto: “As predisposições físicas das pessoas às enfermidades nada mais são do que as tendências morais da alma, que podem modificar as qualidades do sangue, dando-lhe maior ou menor atividade, provocar secreções ácidas ou hormonais mais ou menos abundantes, ou mesmo perturbar as multiplicações celulares, comprometendo a saúde como um todo. Portanto, as causas das doenças somos nós sobre nós mesmos, e, para que tenhamos equilíbrio fisiológico, é preciso cuidar de nossas atitudes íntimas, conservando a harmonia na alma.”


Assim acontece também com a depressão em muitas das suas formas.


O modo de vida atual da nossa sociedade, com predominância da posse material e da aparência, onde tudo se esgota a um ritmo vertiginoso e necessita de surtir efeitos imediatos, potencia uma ansiedade profunda no ser humano que, em muitos casos, evolui para uma patologia depressiva. Curiosamente, esta é uma epidemia que, de uma forma paradoxal, varre todos os extratos sociais: De um lado, temos aqueles que sofrem angustiados pelo fosso que os distancia das vidas que julgam edílicas e que os meios mediáticos publicitam como protótipos da felicidade, acabando muitas vezes vergados a uma tristeza profunda. Do lado oposto, vemos pessoas que possuem todas as condições que julgavam necessárias para obter a felicidade a sofrer desiludidas pelo vazio que as invade, pela improficuidade de todas as posses amealhadas, caindo numa melancolia permanente e ininterrupta. Por detrás desta pandemia depressiva que parece assolar a Humanidade, para além de um corpo doente está também um Espírito insatisfeito. Um Espírito que se sente atrofiado pelo modo de vida competitivo, egoísta e pouco solidário, que se mostra incapaz de lidar com a doutrina materialista sem outro sentido para a vida que não o prazer imediato.


Para os doentes depressivos, para além do tratamento médico, que é fundamental na reposição do equilíbrio orgânico no curto prazo, é muito importante que lhes sejam proporcionadas oportunidades para refletir sobre a vida, reeducando a sua forma de se comportar e de pensar, ajudando-os a libertarem-se do passado que os martiriza, incutindo-lhes a coragem necessária para reorientar a sua bússola para um futuro que ainda está por construir. Não conseguiremos enfrentar devidamente este surto de tristeza profunda que inunda o planeta Terra, sem conseguirmos oferecer às pessoas um sentido válido para as suas vidas. Com esta convicção, salientamos a importância da vivência de uma espiritualidade sadia, sem dogmas ou imposições irracionais, onde a auto-descoberta seja trabalhada como um caminho pessoal e intransmissível para a renovação interior e o aperfeiçoamento um objetivo a alcançar gradualmente. Essa espiritualidade tornar-se-á um instrumento precioso para cortarmos com as amarras de um mundo que vive frustrado por aquilo que não tem e jamais terá, reformulando os propósitos existenciais naquilo que fazemos, no que criamos e sobretudo naquilo que somos verdadeiramente como Homens e como Espíritos.


* Carlos Miguel Pereira trabalha na área de informática e é morador da cidade do Porto, em Portugal. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), na cidade do Porto, e colaborador regular do Espiritismo.net.