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A fábrica de órgãos

A fábrica de órgãos



Primeira máquina capaz de criar tecidos humanos dá novo alento àqueles que estão na fila dos transplantes


André Julião


Embora transplantes de órgãos tenham se transformado em operações simples e frequentes, duas grandes questões persistem quando se fala sobre esse tipo de intervenção médica: a disponibilidade de doadores e o risco de rejeição que ocorre quando o organismo não reconhece a nova parte ligada a ele. Estudada pelos cientistas há alguns anos, a solução para ambos os problemas pode estar muito perto de se tornar realidade. Trata-se de uma máquina que poderia produzir novos tecidos e órgãos a partir das células de quem precisa deles. Na verdade, essa “impressora” finalmente está disponível para venda, a princípio, a grupos de pesquisa. Em breve, serão entregues os primeiros modelos fabricados em maior escala. Os pesquisadores interessados pagarão em torno de US$ 200 mil pela máquina, produzida pela americana Organovo, especializada em medicina regenerativa, e pela Inventech, companhia australiana de engenharia e automação. Um dos fundadores da Organovo é Gabor Forgacs, da Universidade do Missouri (EUA), que desenvolveu o primeiro protótipo da invenção e não está mais ligado à empresa – apesar de continuar pesquisando o assunto e ser uma das maiores autoridades do mundo nessa área. “O dispositivo criado por Forgacs estabeleceu a tecnologia que usamos agora”, diz Keith Murphy, presidente da Organovo.


“O aparelho atual utiliza o mesmo princípio, mas é mais rápido, tem alta capacidade de reprodução e possui calibragem a laser. Além disso, ele foi projetado para caber dentro de um armário de biossegurança, o que permite que qualquer laboratório possa usá-lo.” Hoje, quem faz esse tipo de estudo tem de adaptar instrumentos e máquinas já existentes. Apenas tecidos simples, como pele, músculo e partes de veias, serão criados – por enquanto, para pesquisas. Murphy espera, no entanto, que em cinco anos, quando mais estudos clínicos estiverem concluídos, as máquinas possam produzir vasos sanguíneos para enxerto em cirurgias do coração. Como o invento tem a capacidade de fazer tubos ramificados, ele poderia, por exemplo, fabricar redes de vasos necessárias para sustentar grandes órgãos, como coração e pulmões. Murphy se recusa a fazer previsões sobre a produção dessas partes do corpo. “Produzir órgãos é um objetivo de longo prazo. Não queremos especular um tempo específico para isso”, diz ele. O dispositivo funciona de forma similar às máquinas usadas na indústria de autopeças, por exemplo.


Nos dois casos, elas trabalham como uma impressora comum, mas “imprimem” em três dimensões, depositando gotas de um composto químico que se unem para formar uma estrutura. A cada passagem da cabeça de impressão, responsável por lançar a substância, a base sobre a qual o objeto está sendo feito desce um degrau, formando-o aos poucos. Estruturas com espaços vazios e formas mais complexas podem ser criadas graças a um molde de material solúvel em água – feito pela impressora ao mesmo tempo que a própria peça. O detalhe é que a máquina de tecidos usa células humanas, em vez dos polímeros aplicados na indústria. Ao que tudo indica, não está distante o tempo em que, quando um órgão não funcionar bem, bastará encomendar um novo. E sob medida.


Matéria publicada na Revista ISTOÉ, em 8 de agosto de 2010.



José Antonio M. Pereira* comenta


A questão que comumente surge quando nos deparamos com notícias como esta, é se temos o direito de interferir na natureza dessa forma; se a humanidade não estaria brincando de Deus quando tentamos criar órgãos artificiais, inseminação artificial, manipulação genética e coisas do gênero. Segundo o pensamento comum, qualquer pessoa que adote uma filosofia religiosa seria contra este tipo de aplicação da Ciência.


No entanto, o mesmo não ocorre na filosofia espírita. Segundo nos ensinam os Espíritos Superiores, podemos e muitas vezes até devemos interferir na Natureza. A justificativa é simples: se Deus nos outorgou a inteligência e os recursos que nos permitam tal interferência, e se isto for para o bem, não há razão para não fazermos uso dessa possibilidade.


Até mesmo em Jesus iremos encontrar apoio para esta opinião, quando, reafirmando o Velho Testamento disse que somos deuses. (João: 10,34.)


Somos então co-criadores, e se é para o bem de muitos, que venham todos os avanços que pudermos alcançar para melhorar nossa qualidade de vida. E muitas vezes, mais do que isto: salvá-la.


* José Antonio M. Pereira coordena o ESDE e é médium da Casa de Emmanuel, além de integrante da Caravana Fraterna Irmã Scheilla, no Rio de Janeiro. Também é colaborador da equipe do Serviço de Perguntas e Respostas do Espiritismo.net.