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Australiano com sangue raro já salvou mais de 2 milhões de bebês

Australiano com sangue raro já salvou mais de 2 milhões de bebês



Giovana Vitola
De Sydney para a BBC Brasil


O australiano James Harrison, dono de um tipo sanguíneo raro, já salvou a vida de 2 milhões e 200 mil recém-nascidos, incluindo a do próprio neto.


Seu plasma sanguíneo é usado na criação de uma vacina aplicada em mães para evitar que seus bebês sofram da doença de Rhesus, também conhecida como doença hemolítica ou eritroblastose fetal.


A doença causa incompatibilidade entre o feto e a mãe. A doença acontece quando o sangue da mãe é Rh- e o do bebê é Rh+. Após uma primeira gravidez nestas condições ou após ter recebido uma transfusão contendo sangue Rh+, a mãe cria anticorpos que passam a atacar o sangue do bebê.


O sangue de Harrison, de 74 anos, no entanto, é capaz de tratar essa condição mesmo depois do nascimento da criança, prevenindo a doença.


Após as primeiras doações à Cruz Vermelha australiana, descobriu-se a qualidade especial do sangue de Harrison. Foi quando ele ganhou o apelido de "o homem com o braço de ouro".


"Nunca pensei em parar de doar", disse Harrison à mídia local. Em mais de uma década, ele fez 984 doações de sangue e deve chegar a de número mil ainda nesse ano.


Harrison se tornou voluntário de pesquisas e testes que resultaram no desenvolvimento de uma vacina conhecida como Anti-D, que previne a formação de anticorpos contra eritrócitos Rh-positivos em pessoas Rh-negativas.


Antes da vacina Anti-D, Rhesus era a causa de morte e de danos cerebrais de milhares de recém-nascidos na Austrália.


Aos 14 anos de idade, Harrison teve de passar por uma cirurgia no peito e precisou de quase 14 litros de sangue para sobreviver. A experiência foi o que o levou, ao completar 18 anos de idade, a passar a doar com constância o próprio sangue.


Seu sangue foi considerado tão especial que o australiano recebeu um seguro de vida no valor de um milhão de dólares australianos, o equivalente a R$ 1,8 milhão.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 23 de março de 2010.



Claudia Cardamone* comenta


Muitas vezes imaginamos que reencarnamos com missões e que seremos chamados a ela de uma forma ‘maravilhosa’. A verdade é que a nossa missão pode ser tão simples como o ato de doar sangue, algo que hoje em dia é corriqueiro.


Na hora, este gesto nos parece banal, em nada se aproxima de uma grande missão. Mas estas missões não têm caráter espetacular; elas são grandes porque não são feitas por uma única pessoa, nem tão pouco são realizadas num curto período de tempo.


Nossa missão é um objetivo que desejamos alcançar enquanto estivermos encarnados. Pode não nos parecer algo muito importante ou significante. Muitas vezes, alguns menosprezam o que fazem por não ser algo ‘glorioso’ aos olhos daqueles que não sabem enxergar, assim como um pedreiro pode se achar insignificante numa obra sem conseguir enxergar que aquele prédio maravilhoso foi erguido pelo esforço comum, inclusive o dele.


Isto não quer dizer que sem aquele pedreiro o prédio não iria ser construído e é isto que ainda incomoda muitas pessoas. Queremos grandes missões pessoais, uma coisa que uma grande missão nunca é. Como numa banda de música há um vocalista que se sobressai, algumas pessoas nestas missões podem se sobressair, mas jamais conseguiriam fazer a mesma coisa se estivessem sozinhas.


É isto que temos que aprender a fazer: doar. Não apenas doar sangue, nem doar só parte do nosso tempo, nem doar cestas básicas. Nós devemos aprender a doar as nossas vidas para o bem do conjunto. Não importa se outro receberá frágeis louros, os terrestres. Nós receberemos os louros mais preciosos, os da consciência tranquila e o sentimento de dever cumprido.


* Claudia Cardamone nasceu em 31 de outubro de 1969, na cidade de São Paulo/SP. Formada em Psicologia, no ano de 1996, pelas FMU em São Paulo. Reside atualmente em Santa Catarina, onde trabalha como artesã. É espírita e trabalhadora da Associação Espírita Seareiros do Bem, em Palhoça/SC.