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Macacos sentem remorso

Macacos sentem remorso



Pesquisadores descobrem que animais se arrependem de alguns comportamentos e planejam acertos para o futuro


Tatiana de Mello


Há um ditado que diz: é errando que se aprende. Pelo menos no campo da experimentação científica, no qual se comemora o acerto mas não se lamenta o insucesso que ensina, essa máxima funciona - as escolhas equivocadas e as oportunidades perdidas podem ser processadas pelo cérebro como base para positivas decisões futuras. Na semana passada, pesquisadores americanos da Universidade de Duke anunciaram que essa característica não é um privilégio do homem. Também os macacos aprendem com as escolhas erradas.


Os cientistas submeteram um grupo de animais ao seguinte teste: eles tinham de escolher, entre objetos iguais, aquele que lhes resultaria na melhor recompensa. Diante deles foram depositados oito cubos idênticos, todos brancos. Quando os macacos selecionavam um cubo, os outros acendiam, revelavam a sua cor verdadeira e o prêmio correspondente. Os bichos aprenderam rapidamente a associar o prêmio de que mais gostavam (suco) à cor verde e o prêmio de menor significância (água) às demais cores.


A reação cerebral das cobaias foi rigorosamente monitorada pelos pesquisadores por meio de ressonância magnética em diversas situações: quando "ganhavam" o suco, quando o "perdiam" e quando "invejavam" o companheiro bem-sucedido. A pesquisa mostrou imensa atividade dos neurônios no córtex cingular anterior (ACC), mesma região cerebral que é responsável pelos processos de pensamentos imaginativos desenvolvidos por uma pessoa quando ela se arrepende de determinada decisão - esse processo de imaginação está ligado à capacidade de fantasiar para sublimar (tolerar) uma frustração e não agir impulsivamente. Quantas vezes não falamos para nós mesmos: "da próxima vez vai dar certo"? "Da próxima vez agirei diferente"?


Costumamos experimentar essa sensação de frustração e remorso quando nos damos conta de "consequências", ou seja, de que poderia ter acontecido algo bom (ou, pelo menos, não acontecido nada) se tivéssemos tomado uma decisão diversa da que tomamos diante de determinado estímulo. Processo semelhante ocorre nos macacos: os seus neurônios acusavam o golpe da recompensa perdida (o que os especialistas em psicologia animal nos EUA estão chamando de frustração ou remorso).


Em idêntico processo cerebral, ficou demonstrado aquilo que "sentiam" quando alcançavam a melhor recompensa. Com base nisso percebeu-se que as escolhas feitas pelos macacos não eram aleatórias. "O ponto mais importante é que eles aprenderam não apenas com os erros, mas também projetando o que teria acontecido se agissem de maneira diferente", disse à ISTOÉ o pesquisador americano Ben Hayden, principal autor do estudo.


Quando um macaco ganhava a melhor recompensa (suco), os seus neurônios tinham uma reação intensa, e essa mesma área do cérebro respondia quando ele perdia. "Os macacos não têm a consciência do remorso, mas o comportamento deles demonstra que são capazes de entender o que poderia ocorrer se selecionassem outro cubo, ou seja, se tivessem feito outra opção. E isso é essencial para o arrependimento", diz Hayden.


Embora o cérebro dos macacos atue da mesma maneira que o dos humanos arrependidos, os biólogos ainda preferem ser cautelosos quando se cotejam as duas espécies. "É preciso ter cuidado porque nós projetamos sentimentos humanos em animais. Eles não têm condições de refletir nem de avaliar aquilo que estão sentindo", disse à ISTOÉ Mauro Lantzman, veterinário e professor de psicobiologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.


"Os macacos não têm consciência do remorso, mas percebem que erraram. Isso é arrependimento"
Ben Hayden, cientista dos EUA


Matéria publicada na Revista ISTOÉ, em 17 de junho de 2009.



Breno Henrique de Sousa* comenta


O Despertar da Consciência


“Tudo em a Natureza se encadeia por elos que ainda não podeis apreender. Assim, as coisas aparentemente mais díspares têm pontos de contato que o homem, no seu estado atual, nunca chegará a compreender.” (O Livros dos Espíritos, questão 604.)


Este interessante relato sobre os avanços da ciência, no entendimento do psiquismo animal, e de suas possíveis semelhanças com o psiquismo humano, nos faz lembrar a afirmação espírita destacada acima. Hoje, pode-se verificar que nosso parentesco com o reino animal não se dá apenas pela biologia, mas também pela evolução do princípio inteligente que desperta na matéria.


Afirma o Espiritismo que o princípio inteligente interage com a matéria, intelectualizando-a, e a matéria proporciona também o avanço deste princípio, que caminha para o despertar da consciência plena de si mesmo que ocorre no estágio de humanidade.


Temos razões para acreditar que a “vida”, enquanto princípio espiritual, é uma força que preexiste à matéria e que dirige e orienta a organização da mesma e isso é o que os Espíritos chamaram de “intelectualização da matéria”. O princípio espiritual atua sobre a matéria, manifestando-se no seu estado mais material como vida biológica, tornando o organismo sempre mais complexo e mais apto a manifestar esse princípio que chamamos de princípio espiritual. No seu ápice, a vida orgânica manifesta um sistema nervoso capaz de ter atividade psicológica e buscar compreender-se, compreender o mundo, suas causas e seu destino. A vida busca explicar-se, busca a sua causa e sua origem. Defendemos que o bem e a noção do espiritual não são inventados pelo organismo, são sim descobertas pelo ser “vivo” que desperta da animalidade e do material para as causas inerentes e subjetivas.


A complexidade dos organismos e da matéria é condição para a manifestação deste princípio, que é superior e preexiste a matéria. A vida não é consequência da complexificação da matéria e sim o contrário. É a vida que age sobre a matéria diminuindo a entropia e permitindo a geração de sistemas estáveis que chamamos organismos.


O amor, a ética e o bem são qualidades inerentes à vida e a vida manifesta-se na matéria. Descobertas e teorias recentes da ciência caminham para o consenso de que a vida é dirigida por um campo externo e não é apenas um arranjo casual e complexo da matéria. O Espiritismo vem afirmar a superioridade da vida e o bem, a ética e a moral como leis naturais inerentes à vida e como forças atuantes na organização da matéria.


O animal, em sua trajetória evolutiva, ensaia seus rudimentos de consciência, apresenta lampejos de entendimento, é o despertar do princípio espiritual, é o processo de individualização que resultará em um espírito. Este processo é ainda misterioso para nós, no entanto, revelam-nos os espíritos, e agora sinala a ciência, que ele ocorre, por elos que ainda não podemos compreender.


* Breno Henrique de Sousa é paraibano de João Pessoa, graduado em Ciências Agrárias e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba. Ambientalista e militante do movimento espírita paraibano há mais de 10 anos, sendo articulista e expositor.