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A música do Cérebro

A música do Cérebro



Ciência revela que cada pessoa produz um som cerebral único. E ele pode ajudar a tratar doenças


Cilene Pereira


Em princípio, pode parecer estranho. Mas os cientistas estão descobrindo que todo cérebro tem sua própria trilha musical. É um som único, individual e produzido de acordo com a situação vivida. Quando se enxerga algo, ele tem determinadas "notas". Quando se está tenso, apresenta outras, diferentes. A descoberta desta "música" cerebral poderá ajudar no tratamento de problemas como o stress e a insônia e no entendimento de doenças como a epilepsia.


O som do cérebro é formado a partir das oscilações nos sinais elétricos emitidos pelos neurônios. Um dos grupos que estudam o tema é o de cientistas do Departamento de Ciência e Tecnologia de Segurança Nacional, órgão do governo americano. Eles estão conduzindo um trabalho interessante. Primeiro, gravaram as ondas elétricas produzidas por bombeiros em situação de alerta e de relaxamento. Depois, transformaram os sinais em notas musicais e criaram duas composições, obedecendo ao ritmo do cérebro para cada circunstância.


As músicas têm entre dois e seis minutos e, na sua maioria, são executadas ao piano. "As relaxantes se parecem com uma sonata de Chopin", diz Robert Burns, coordenador do trabalho. "E as indicadas para alerta têm melodias que lembram Mozart", conta. Os voluntários foram instruídos a escutar as canções de acordo com a necessidade. Não há resultados conclusivos, mas os pesquisadores acreditam que as melodias podem acalmar ou melhorar a concentração dos profissionais.


Na Inglaterra, cientistas da Universidade de Cardiff estão investigando a relação do ritmo cerebral observado quando se enxerga algo com a substância Gaba. Eles descobriram que, quanto maior sua concentração, mais altas as "notas musicais" fabricadas pelo cérebro. Como o composto está associado a doenças como esquizofrenia e epilepsia, eles acreditam que a informação pode contribuir para a melhor compreensão das enfermidades. "Com essa informação, esperamos entender melhor a ação de substâncias como o Gaba", explicou Krish Singh, autor da pesquisa.


Matéria publicada na Revista ISTOÉ, em 3 de junho de 2009.



Breno Henrique de Sousa* comenta


O Universo é Música


Conta a tradição Hindu, que o deus Shiva, a partir de sua dança, marca o compasso do universo. Shiva leva em sua mão o Damaru, que é um tambor na forma de ampulheta que representa o som de criação do universo que é o Om (ॐ), mantra sagrado do hinduísmo e de outras religiões. Dizem que ele contém o ensinamento dos vedas e é considerado o corpo sonoro absoluto. O Om é o som do infinito e a semente que fecunda os outros mantras. A alegoria representa bem a criação divina. Na gênese bíblica, é o som o primórdio da criação, o Fiat Lux (Faça-se a luz) simboliza uma ordem oral a partir da qual surge o universo.


Os sons são considerados sagrados desde a mais remota antiguidade e nas mais avançadas civilizações. No judaísmo, enfatiza-se o valor sagrado da palavra, sobretudo o nome de Deus que aparece sob diversas denominações, mas que não pode ser pronunciado ou utilizado em vão. A Secho-No-Ie, doutrina oriunda do Japão, reforça o poder criador dos sons e das palavras, de forma que as afirmações positivas ou negativas repercutem gravemente sobre nossas vidas, assim como nas tradições orientais os mantras são usados como sons sagrados que abrem determinados campos da consciência, permitindo o desenvolvimento psíquico, espiritual, a cura e a meditação. Outras tradições enfatizam o valor de palavras mágicas, orações poderosas ou fórmulas e conhecimentos que são passados através da tradição oral e não podem ser escritos.


A acústica sagrada é um campo do conhecimento que estuda como as antigas civilizações sabiam do valor sagrado dos sons e como manipulavam a acústica de ambientes para que os sons sagrados fossem usados em suas cerimônias, como por exemplo, os descobrimentos de David Lubman sobre o eco que se escuta na pirâmide maia de Kukulkán. Verifica-se que aos pés da pirâmide, produzindo-se um som como o bater de palmas, o eco reverbera na pirâmide produzindo o som do quetzal, um pássaro sagrado que representa o espírito do povo maia; assim, nas cerimônias sagradas, o pássaro poderia ser evocado. Em muitas civilizações, as construções foram propositalmente manipuladas para produzir sons sagrados que conduzem a estados de consciência alterados capazes de mudar a frequência mental e proporcionar uma percepção especial do mundo espiritual ou de aguçar determinadas capacidades imaginativas, criativas, meditativas ou mediúnicas.


Acredita-se que isso se passe também com as aleias megalíticas dos druidas, como a mais famosa, de Stonehenge, na Inglaterra. Os estudiosos David Keating e Aaron Watson comprovaram que as pedras do lugar são capazes de reter e ampliar sons de frequência mais alta, como os emitidos pela voz humana, no entanto, outras vibrações como a de tambores, escapam e podem ser ouvidas a certa distância. Esta era uma forma de proteger os conhecimentos sagrados e manipular a acústica intencionalmente, ou seja, as grandes e antigas civilizações conheciam o valor sagrado dos sons e utilizavam os mesmos de maneira muito sofisticada.


Em O Livro dos Espíritos, na questão 251, pergunta-se: Os Espíritos são sensíveis à música? - Queres falar da vossa música? O que é ela perante a música celeste, essa harmonia da qual ninguém na Terra pode ter ideia? Uma é para a outra o que o canto do selvagem é para a suave melodia: Não obstante os Espíritos vulgares podem provar um certo prazer ao ouvir a vossa música porque não estão ainda capazes de compreender outra mais sublime. A música tem, para os Espíritos, encantos infinitos, em razão de suas qualidades sensitivas muito desenvolvidas. Refiro-me à música celeste, que é tudo quanto a imaginação espiritual pode conceber de mais belo e mais suave.


Grandes compositores da humanidade alcançaram suas composições em um estado mediúnico de êxtase, onde vislumbraram a música celestial. O que dizer então das composições vulgares de hoje em dia? Como elas nos afetam? Como afetam a nossa saúde física e mental? E os sons estressantes da cidade? O barulho das máquinas e a balbúrdia da vida moderna? Se os espíritos falaram que a música terrena nada era, isso na época de grandes compositores como Bach, Chopin e Mozart, o que eles diriam das músicas tocadas nos nossos carnavais fora de época?


A ciência começa a dar sinais desta grande realidade. No polêmico best-seller A Vida Secreta das Plantas, lançado na década de 1970, relatam-se experimentos feitos em diversas universidades no mundo com plantas cultivadas em viveiros, sob iguais condições e submetidas experimentalmente a diferentes tipos de músicas. Foi notável como as plantas que eram submetidas a música como o rock pesado cresciam menos, chegando a inclinar-se em direção oposta as caixas de som, ao contrário das que cresciam vigorosamente ao som de Mozart chegando a se enroscarem nas caixas de som. Masaru Emoto, pesquisador japonês, lançou a obra A Vida Secreta da Água, indicando como a água é capaz de reagir ao som de palavras positivas ou negativas. Depois de ser submetida a sons ou papeis escritos com palavras como “amor”, “fraternidade”, a água era congelada rapidamente e verificava-se a forma dos cristais de gelo no microscópio. As formas eram simétricas e caleidoscópicas, porém feias, disformes e desarmônicas quando submetida a palavras com sentido negativo.


Todas estas informações poderiam estar restritas ao ciclo do espiritualismo. Até mesmo as pesquisas citadas nas obras A Vida Secreta das Plantas e A Vida Secreta da Água são alvo de polêmicas e questionamentos. Mas outros campos menos espiritualistas e mais rigorosos da ciência têm dado sinais claros da importância dos sons sobre o ser humano. Primeiramente, é válido lembrar que vivemos em um mar de energia e que a física moderna explica-nos como tudo está conectado. Luzes e sons são apenas formas diferentes que se apresenta a matéria em diferentes estados e frequências.


Outra notícia veiculada recentemente nos meios de comunicação foi de uma inglesa chamada Elizabeth, que é capaz de sentir sabores e enxergar cores relacionadas com os sons que escuta em qualquer lugar. É um caso raro de sinestesia, e da forma que se apresenta é único no mundo. Elizabeth tem conexões neuronais ativas que permanecem adormecidas na maioria das pessoas, e isso lhe permite uma percepção especial dos sons. É interessante que em ambientes como discotecas com som pesado ela enxerga quadrados negros e por isso não gosta destes ambientes.


Agora, finalmente descobrimos que nosso próprio cérebro possui uma assinatura acústica própria. É o som que representa você no universo, linguagem muito utilizada por antigos místicos e ocultistas, que parecia alegórica, mas tem se demonstrado literal com esta notícia. Esta assinatura acústica representa o que somos muito além das aparências físicas e assim como Elizabeth pode enxergar e sentir o gosto de sons, outros avançados sensitivos e videntes são capazes de enxergar esta assinatura acústica na forma das cores da aura que nos circunda.


De fato, esta me parece uma notícia de grande importância diante das imensas possibilidades que se abrem com esta descoberta. Novas ferramentas de análise psicológica, tratamentos baseados no uso de sons, de acordo com nossa frequência mental, além dos já citados na matéria, e a redescoberta de antigos conhecimentos de doutrinas orientais e ocultistas relidos à luz da ciência moderna e desprovidos de qualquer atmosfera mística ou miraculosa. Quando traduzida em linguagem musical, as frequências dos bombeiros analisados transformam-se em composições semelhantes à música clássica. Será esse um padrão na natureza? Será que os compositores clássicos traduziam sua própria frequência para a linguagem musical sem se dar conta disso? Não quero me alongar, especulando as possibilidades deste conhecimento, mas o que é certo é que os sons influem sobre nós e devemos estar atentos ao que falamos, pois somos os primeiros a escutar e a sentir os efeitos, e em seguida ter cuidado com o que buscamos ouvir.


* Breno Henrique de Sousa é paraibano de João Pessoa, graduado em Ciências Agrárias e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba. Ambientalista e militante do movimento espírita paraibano há mais de 10 anos, sendo articulista e expositor.