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Menino diz ter fotografado ‘fantasma’ durante festa de casamento

Menino diz ter fotografado ‘fantasma’ durante festa de casamento



Torso e cabeça de mulher aparecem ‘flutuando’ em imagem. ‘Tenho certeza que é um fantasma’, diz garoto britânico.


Do G1, em São Paulo


Um garoto inglês de 12 anos apresentou nesta semana uma foto tirada em um casamento e que, segundo ele, capturou a imagem de um fantasma. Na fotografia, ao lado do casal dançando a primeira valsa, aparece a cabeça e o torso de uma mulher "flutuando".


Jordan Martin, que jura que a fotografia não foi editada, conta que tirou cerca de 50 fotos durante o casamento de Nigel e Helen Davis, no dia 31 de maio. "Só percebi que tinha algo estranho quando olhei depois, no computador", conta o menino.


"Não acreditei no que estava vendo. É muito estranho. Eu tenho certeza que é um fantasma", diz Jordan. A mãe do menino, Ann Martin, não acredita na existência de fantasmas, mas não conseguiu convencer o filho do contrário. "Fiquei em choque quando vi a foto. Parece algo tão real", diz ela.


Notícia publicada no Portal G1, em 23 de agosto de 2008.



Pedro Vieira* comenta


É cada vez mais difícil, dado o advento e a profissionalização de ferramentas de edição de imagens, atestar a veracidade de uma imagem vinda de um equipamento não inspecionado e em condições desconhecidas. Por isso, trabalharemos com o pressuposto de que não existe fraude na figura, tendo ela sido obtida de forma autêntica e honesta.


Inicialmente, admitimos como primeira hipótese a fotografia do pensamento. Como se sabe, a Doutrina Espírita nos mostra que o homem é um ser trino: alma, perispírito e corpo. O perispírito é um envoltório semi-material que liga a alma ao corpo e possui propriedades e funções muito peculiares. Uma delas é a plasticidade ao pensamento, conforme pode ser lido na citação a seguir: "(...) o pensamento se reflete no envoltório perispirítico, como num espelho (...) (Allan Kardec, em A Gênese, Cap. XIV, item 15). Tudo bem que o perispírito possa apresentar imagens-pensamento, mas como plasmá-las fora dele? Ainda outra vez recorremos à sábia palavra do Prof. Allan Kardec, em Obras Póstumas, quando fala da fotografia do pensamento: "Sendo os fluidos o veículo do pensamento, este age sobre os fluidos como o som age sobre o ar; carregam o pensamento como o ar nos traz o som. Pode-se, pois, dizer, com toda a verdade, que há nos fluidos ondas e raios de pensamentos que se cruzam, sem se confundirem, como há no ar ondas e raios sonoros." É possível, de alguma sorte, que essas vibrações sutis possam ser captadas, em situações especiais, por aparelhos, principalmente se, no local, encontre-se um bom doador de fluido ectoplasmático (médium de efeitos físicos, nesse caso, de um encarnado).


A segunda hipótese é a da comunicação espiritual (mediúnica). Ou seja, um Espírito desencarnado que plasma, na fotografia, seu perispírito, como numa aparição. É comum se referir a esse fenômeno modernamente por "transfotos", no âmbito da Transcomunicação Instrumental, embora ele exista desde o fim do século XIX, desde as pesquisas do Prof. Paul Gibier, na França. Nesse caso há o mesmo processo, mas iniciando de um desencarnado. Um Espírito pode ser fotografado? Sim, por meio de seu perispírito, caso ele encontre, outra vez, no meio, um mínimo de fluido livre para poder "materializar" essa presença. Mesmo assim há várias formas de isso ser feito.


Se fosse uma materialização completa, todos teriam visto e poderia ser fotografada, como, aliás, foram vários Espíritos ao longo da história (com Florence Cook, Elizabeth d’Ésperance, Mirabelli, Chico Xavier, etc.). Trata-se, aí, de um difícil e desgastante fenômeno de efeitos físicos, que normalmente deixa o médium doador prostrado e profundamente cansado ao final.


Se essa materialização for mais etérea, mas ainda assim for uma materialização, pode ter se tornado observável apenas nos milésimos de segundo do flash, não tendo tempo de o cérebro humano registrar de forma consciente a presença, embora o fenômeno fosse idêntico. Como o grau de materialização é inferior, a necessidade de ectoplasma também é.


Por último, admitimos a possibilidade da interferência direta do Espírito no sistema eletrônico da câmera: no sensor ou no cartão de memória, o que também é possível, pois que ali existem apenas um misto de correntes elétricas, que são interpretadas e armazenadas. Esse efeito de indução elétrica necessita também energia materializada, mas em muitíssimo menor quantidade. Os Espíritos já diziam, em O Livro dos Espíritos, que a eletricidade não é "senão matéria mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar independente." (questão 27a).


Enfim, caros amigos, há um mundo de possibilidades que merecem ser apreciadas e estudadas de forma séria e direcionada para que possamos entender melhor o que se passa no Mundo Espiritual à nossa volta.


Recomendo, fortemente, a respeito do tema, o livro A Transcomunicação através dos tempos, de Hernani Guimarães Andrade, Editora FE.


* Pedro Vieira é expositor e médium espírita. Colabora com o centenário Centro Espírita Cristófilos e com o Centro Espírita Léon Denis, no Rio de Janeiro, além de algumas outras casas.