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Transplante de traqueia entra para história da medicina

Transplante de traqueia entra para história da medicina



O feito de cirurgiões britânicos, espanhóis e italianos, que realizaram com sucesso o primeiro transplante de um órgão criado em laboratório, já entrou para a história da medicina.


Um marco. Uma revolução. O feito de cirurgiões britânicos, espanhóis e italianos, que realizaram com sucesso o primeiro transplante de um órgão criado em laboratório, já entrou para a história da medicina.


E leva esperança para milhares e milhares de pessoas em todo o mundo. O órgão transplantado foi uma traqueia elaborada a partir de células-tronco.


Mas quem vai explicar melhor isso pra gente é a geneticista da Universidade de São Paulo, Lygia Pereira.


Lygia Pereira é um das maiores especialistas do país em células-tronco. Foi ela que conseguiu produzir a primeira linhagem dessas células aqui no Brasil.


Bom Dia Brasil – Que esperanças esse transplante feito na Espanha traz?


Lygia Pereira – Ele é muito impressionante porque pela primeira vez a gente consegue construir uma estrutura do corpo humano em laboratório, preencher essa estrutura com células da própria paciente, ou seja, evita a história da rejeição e quando é colocada na paciente ele se integra e funciona. Esse é o primeiro passo para a gente conseguir construir órgãos em laboratórios.


A paciente recebeu a doação da traqueia de um outro paciente. Essa traqueia foi raspada, foi colocada dentro de uma solução com células-tronco da própria paciente, da receptora.


Bom Dia Brasil - Como é a construção de um novo órgão? Como é que elas fazem o que o médico quer que elas façam?


Lygia Pereira – A gente vem aprendendo já há muitos anos que soluções, que reagentes colocados no meio de cultura dessas células, para que elas virem células de osso, de diferentes tecidos. Então ele usou uma malha com a forma do doador, tirou todo o material vivo – as células do doador que dariam a rejeição – e re-popularam com as células da paciente. As células-tronco tiradas da medula, que viram cartilagem, as células do epitélio, da parte de dentro, que vira uma coisa parecida com o que a gente tem na traqueia, e colocaram de volta. É claro que essa é uma estrutura relativamente simples, a traqueia é um tubo. Um coração é uma estrutura mais complexa, um fígado, um cérebro. Mas é um primeiro passo na construção, na direção de se construir órgãos no laboratório.


Bom Dia Brasil – Um detalhe importante é que se retira as drogas imunossupressoras porque elas tornam o paciente sujeito a várias doenças. É uma conquista de qualidade de vida para o paciente.


Lygia Pereira – Sem dúvida nenhuma. Se você não precisa encontrar um doador compatível, e mesmo com doador compatível você tem que tomar essas drogas imunossupressoras, você melhora a qualidade de vida do paciente.


Bom Dia Brasil – É certo que não vai haver rejeição? Tem certeza que não vai haver rejeição daqui a três, quatro anos?


Lygia Pereira – Não. A gente não tem certeza. Esse grupo está começando esses experimentos em seres humanos. Eles já viram que em animais isso funciona. Mas sempre que você dá esse passo enorme do modelo animal para ser humano você não pode garantir que vai funcionar da mesma forma. Por eles terem divulgado, é porque eles já tiveram tempo suficiente sem rejeição que já representa um avanço significativo. Mas a gente não pode jurar que essa coisa piore. É uma coisa nova, uma novidade que está sendo experimentada em seres humanos.


Bom Dia Brasil – O grande feito desse caso não foi apenas a reprodução das células-tronco em volta da traqueia e sim a reprodução de células-tronco da paciente para que assim se possa evitar a rejeição. Esse foi o grande fato?


Lygia Pereira – O grande fato foi o conjunto. Você conseguir fazer com que essas células constituam essa matriz do doador com as células-tronco da própria paciente. E depois que isso tenha se integrado no corpo do paciente. Foi vascularizado, ou seja, veias começaram a alimentar aquilo, aquilo se integrou no organismo dela, não foi rejeitado. Foi reconhecido como uma coisa dela. Na medicina, o que vem sendo feito com células-tronco a gente tenta regenerar os tecidos. Por exemplo, no caso do coração infartado, joga-se a célula-tronco no coração e essa célula regenera aquele órgão. O que foi feito é a construção de um órgão no laboratório. É uma coisa mais complexa. Começamos com um órgão simples, que é essa traqueia, que é um tubo, quem sabe um dia façamos um coração, um fígado.


Os avanços na medicina são realmente impressionantes. Uma adolescente norte-americana, de 14 anos, sobreviveu durante quatro meses sem coração. Ela usou um equipamento sob medida até que se conseguisse um transplante. É o primeiro caso de uma pessoa dessa idade que sobrevive tanto tempo. A adolescente disse que a experiência foi assustadora.


Notícia publicada no site do Bom Dia Brasil, em 20 de novembro de 2008.



Jorge Hessen* comenta


Recentemente, foi realizado um transplante de órgão (traqueia) que é um marco histórico para a Ciência. A façanha foi realizada por cirurgiões britânicos, espanhóis e italianos, que lograram êxito no primeiro transplante de um órgão criado e desenvolvido em laboratório. Conforme Lygia Pereira, geneticista da Universidade de São Paulo, uma das maiores especialistas do país em pesquisas com células-tronco(1), essa é a primeira vez que se consegue construir uma estrutura de corpo humano (traqueia) em laboratório, preenchida com células-tronco tiradas da medula da própria paciente. O grande feito desse fato não foi, apenas, a reprodução das células-tronco em volta da traqueia, mas a reprodução de células-tronco da paciente para se evitar a rejeição.


A rejeição é um problema, claramente, compreensível, pois o corpo espiritual do receptor continuará intacto, exercendo pleno governo mental sobre o mais recente órgão correspondente. O órgão transplantado, fora do governo mental que o dirigia (nos casos de retirada de órgãos de doadores), permanece com vitalidade, desde que, cuidadosamente, imunizado. Para tanto, o perispírito do paciente transplantado provoca os elementos de defesa do seu corpo físico, cujos recursos imunológicos, em futuro próximo, naturalmente, vão suster ou coibir de forma mais eficaz. Especialistas, a partir de 1967, desenvolveram várias drogas imunossupressoras (ciclosporina, azatiaprina e corticóides), para reduzir a possibilidade de rejeição, passando, então, os receptores de órgãos a ter maior sobrevida.


Apesar da construção em laboratório da traqueia acima citada, os transplantes ainda são realizados com órgãos retirados dos doadores. Razão pela qual, quando a célula é retirada da sua estrutura formadora, no corpo humano, indo, laboratorialmente, para outro ambiente energético, ela perde o comando mental que a orientava e passa, dessa forma, a individualizar-se; ao ser implantada (a célula) em outro organismo - nos transplantes, por exemplo - tenderá a adaptar-se ao novo comando [espiritual] que a revitalizará e, a seguir, coordenará sua trajetória. Transferido o órgão para outro corpo, automaticamente o perispírito do encarnado passa a influenciá-lo, moldando-o às suas necessidades, o que exigirá, do paciente beneficiado, a urgente transformação moral para melhor, a fim de que o seu mapa de provações seja, também, modificado pela sua renovação interior, gerando novas causas desencadeadoras para a felicidade que busca e, talvez, ainda que não mereça.(2)


É fantástico o que vem sendo realizado com células-tronco para regenerar os tecidos. No caso do coração infartado, introjeta-se a célula-tronco no coração e essa célula regenera o órgão. Sem dúvida, o grande feito foi a construção de um órgão inteiro em laboratório. É uma conquista muito mais complexa. Começou-se com um órgão simples, no caso, a traqueia, que é um conduto situado na frente do esôfago. Quem sabe, um dia, consiga-se fazer um coração(3), um fígado, um rim. (?) Outra conquista científica tem sido as pesquisas com células-tronco embrionárias. Sendo estudadas desde o século XIX, só há 20 anos pesquisadores conseguiram imortalizá-las, ou seja, cultivá-las, indefinidamente, em laboratório. Para isso, utilizaram células retiradas da massa celular interna de blastocistos (um dos estágios iniciais dos embriões de mamíferos) de camundongos. Essas células são conhecidas pela sigla ES, do inglês embryonic stem cells (células-tronco embrionárias), e são denominadas pluripotentes, pois podem proliferar, indefinidamente, in vitro, sem se diferenciar, ou, também, diferenciam-se, uma vez modificadas as condições de cultivo. Por causa de suas capacidades, as células-tronco têm sido objeto de intensas pesquisas, atualmente, "pois poderiam, no futuro, funcionar como células substitutas em tecidos lesionados ou doentes, como nos casos de Alzheimer, Parkinson e doenças neuromusculares em geral, ou, ainda, no lugar de células que o organismo deixa de produzir por alguma deficiência, como no caso de diabetes. Entretanto, cabe dizer que a aplicação imediata ainda está longe."(4)


O tema (utilização de células-tronco embrionárias) é complexo e muitas outras observações podem ser feitas. O assunto deve e pode ser debatido de forma inteligente, e livre do ranço religiosista tacanho e preconceituoso, levando-nos a conclusões futuras mais satisfatórias. Não adianta posicionamento radical, até porque, a proposta científica, aqui no Brasil, é a da utilização, em pesquisa, dos embriões excedentes nas clínicas de reprodução assistida. O geneticista Oliver Smithies, de 82 anos, prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 2007, tem alertado que o nosso País deve acelerar o processo de pesquisas com células-tronco, que já começou (graças a Deus!) com a anuência da Lei de Biossegurança pelo Supremo Tribunal Federal (STF).


Cabe, aqui, explicar que há diferença entre células-tronco embrionárias e células-tronco adultas no tratamento de um paciente. As células adultas têm uma capacidade limitada de se transformarem em tecidos, em que pese a façanha acima da traqueia construída; já as células embrionárias podem dar origem a todos os tecidos do corpo humano. Será que, hoje, aqueles que se opõem às pesquisas científicas, em questão, poderão garantir, com a máxima segurança, que, no futuro, não se beneficiarão dessa inovadora proposta de terapia humana? Diante destas questões tão polêmicas, é preciso que a sociedade como um todo se manifeste através de seus legisladores, e defina o que é socialmente aceitável no uso de células-tronco embrionárias humanas para fins médicos.


Inaceitável é impedir o progresso científico, baseado na premissa de que o uso do conhecimento pode infringir conceitos arraigados em dogmas estanques, medievais, ou morais, como matizes de "defesa da vida". Não podemos permanecer na ignorância. A ciência tem que atingir a finalidade que a Providência lhe assinou. Kardec ensina que nos instruímos pela força das coisas.


Nas práticas médicas de todas as especialidades, o transplante de órgãos é a que demonstra, com maior clareza, a estreita relação entre a morte e a nova vida, o renascimento das cinzas como Fênix.(5) Sobre o assunto, não temos fartas informações instrutivas dos Benfeitores Espirituais, até porque, a prática do transplante é uma conquista recente da medicina.


Francisco Cândido Xavier comenta que o "transplante de órgãos, na opinião dos Espíritos sábios, é um problema da ciência muito legítimo, muito natural e deve ser levado adiante." Os Espíritos, segundo ele, "não acreditam que o transplante de órgãos seja contrário às leis naturais. Pois é muito natural que, ao nos desvencilharmos do corpo físico, venhamos a doar os órgãos prestantes a companheiros necessitados deles, que possam utilizá-los com proveito."(6)


Enfim, as pesquisas com células-tronco, adultas ou embrionárias, e o transplante de órgãos (façanha da Ciência humana) são valiosas oportunidades, dentre tantas outras colocadas à nossa disposição, para o exercício do amor.



Fontes:


(1) Disponível no site http://g1.globo.com/bomdiabrasil/0,,MUL869063-16020,00-TRANSPLANTE+DE+TRAQUEIA+ENTRA+PARA+HISTORIA+DA+MEDICINA.html>;


(2) Xavier, Francisco Cândido e Waldo Vieira. Evolução em dois Mundos, ditado pelo Espírito André Luiz, 5ª edição, Rio de Janeiro: Editora FEB, 1972, Capítulo 5 "Células e Corpo Espiritual";


(3) Há relatos de que uma adolescente norte-americana, de 14 anos, sobreviveu durante quatro meses sem coração. Ela usou um equipamento sob medida até que se conseguisse um transplante. É o primeiro caso de uma pessoa dessa idade que sobrevive tanto tempo;


(4) Lygia da Veiga Pereira, do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP);


(5) O mitológico pássaro, símbolo da renovação do tempo e da vida após a morte;


(6) Entrevista, à TV Tupi, em agosto de 1964, publicada na Revista Espírita Allan Kardec, ano X, nº 38.


* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal lotado no INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.