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Depressão afeta mais mulheres do que homens

Depressão afeta mais mulheres do que homens



Diferencie o mal de uma tristeza severa, mas passageira


Só os números já são de derrubar qualquer um: segundo a Organização Mundial da Saúde, a depressão acomete 121 milhões de pessoas no mundo inteiro. 20% dessa fatia são adolescentes. As estatísticas ainda apontam que 17% dos adultos sofrerão de depressão em algum momento da vida, em especial o grupo feminino.


As mulheres têm o dobro de chance de vir a desenvolver o distúrbio em razão da instabilidade hormonal a que estão sujeitas. Já são elas as responsáveis pelo consumo de 70% dos antidepressivos.



Sintomas


Sofrer é uma sensação inerente ao ser humano. Perder uma pessoa querida, acabar o relacionamento, travar desentendimentos no trabalho ou lidar com a falta de dinheiro não é moleza. "O problema é se sentir mal quando nada disso acontece", explica o psicanalista Hemir Barição, da PUC, de São Paulo.



Por que acontece?


Estudos demonstram que os baixos níveis de serotonina, neurotransmissor capaz de estabilizar humor, sono e apetite, em certas áreas do cérebro seriam a principal causa da doença.


Preste atenção nesses sinais: falta de sono, cansaço, tristeza, dificuldade de concentração e memória prejudicada. Esses são os sintomas mais comuns da depressão. Quando essas sensações persitem por mais de três semanas seguidas, é hora de buscar ajuda médica. Sentimento de culpa sem motivo, crises de choro, auto-estima muito baixa, pessimismo, irritabilidade, alterações na libido e no apetite e pensamentos de morte e suicídio também são indicadores típicos da doença.


O desânimo normalmente chega a impedir a realização de atividades rotineiras, como sair da cama, tomar banho ou ir trabalhar. Mas é comum encontrar pacientes que, mesmo doentes, continuam levando uma vida normal, apesar de existirem casos mais graves, que podem culminar no suicídio. A diferença entre um e outro está no sofrimento imposto a essas pessoas.


Outra hipótese tem a ver com a variação dos hormônios do estresse (CRF e cortisol). Em níveis elevados, eles prejudicariam a saúde dos neurônios, por modificar a composição química do meio em que essas células exercem suas funções.


O que se sabe ao certo é que a doença é causada por uma combinação de fatores. A predisposição genética é um deles. Filhos de pais depressivos possuem três vezes mais probabilidade de ficarem deprimidos. O uso de drogas, determinados medicamentos para emagrecer e tranqüilizantes, além das oscilações dos hormônios e doenças, em especial as da tireóide, contribuem para levar as pessoas para o fundo do poço.



Combatendo a tristeza


Seis em cada dez pacientes vítimas de depressão superam completamente os sintomas. As demais acabam sofrendo da forma crônica da doença, que exige acompanhamento e, em muitos casos, o uso de medicamentos por uso contínuo.


Os resultados mais efetivos são alcançados quando a depressão é tratada como uma doença multifatorial e individualizada, analisada caso a caso. O tratamento pode exigir remédios para tratar o desequilíbrio químico cerebral e, ao mesmo tempo, psicoterapia para atender os dramas psicológicos do paciente. Quando usados isoladamente, os medicamentos trazem resultados em cerca de 80% dos casos, quando são corretamente empregados.


No cérebro, a ação dos remédios consiste em regular a liberação de substâncias, os chamados neurotransmissores. São eles os responsáveis pela sensação de bem-estar. A maioria dos medicamentos demora pelo menos 15 dias para fazer efeito.


Isso acaba provocando a desistência de muitos pacientes logo no início do tratamento. Ao contrário do que muita gente pensa, esses medicamentos não viciam. Muitos pacientes tomam antidepressivos por meses ou anos e depois deixam de utilizá-los sem problemas, explica a neurologista. Mas só um médico é capaz de definir o momento certo para encerrar o tratamento.


O acompanhamento médico também é fundamental para controlar os efeitos colaterais desse tipo de remédio. Alterações no apetite sexual e no peso são os mais comuns. O ideal é discutir os efeitos do remédio com o médico, para o tratamento ser adaptado até encontrar o produto ideal para o paciente.


Por mais difícil que seja, também vale a pena fazer um esforço para praticar atividades físicas. Isso fornece um gás extra na recuperação. Os exercícios potencializam a resposta ao medicamento, pois elevam a concentração de serotonina no cérebro.


Matéria publicada no Portal Minha Vida.



Bianca Cirilo* comenta


As relações interpessoais constitutivas da vida pós-moderna têm trazido inúmeros aspectos relevantes ao entendimento da dinâmica de convivência a que o indivíduo se submete.


Curiosamente, parece que estamos vivendo a era da crença de que as pessoas são descartáveis, substituíveis de forma fácil, da mesma forma que tratamos nossos objetos de consumo também como sujeitos à reposição.


Identificados com aquilo que podemos adquirir através do dinheiro, de forma infantil e imatura, transpomos para as relações humanas a mesma modalidade de aquisição das coisas, como se a afetividade, o amor, a consideração pessoal, o respeito, enfim, os valores do Espírito Imortal que somos pudessem ser também adquiridos pelas transações comerciais que nos cercam.


Daí, vivemos a esmolar do outro o reconhecimento que cabe a nós nos fazer, justamente pela crença que ainda temos de que o bem-estar pessoal depende exclusivamente do quanto somos percebidos pelo contexto externo. Vivemos ávidos de uma consideração social que nem nós mesmos ainda conseguimos oferecer a nós e nem aos outros.


A depressão se apresenta não somente como um desequilíbrio das taxas de serotonina, diminutas na dinâmica neurológica do indivíduo, alterando-lhe o humor. Sabemos que por trás das disfunções cerebrais que afetam o homem há o Ser Imortal que no corpo reside, dando-nos as informações e pistas relevantes acerca da origem das dores que nos atingem.


De acordo com a visão transpessoal do ser humano, podemos melhor compreender a depressão, assim como todas as enfermidades que ainda nos alcançam.  Esta concepção holística do Ser nos permite observar a consciência como um fenômeno de natureza extra-física que, ao expandir-se, revela estados outros até então não percebidos nessa dimensão perceptiva a qual estamos habituados; estados esses onde as doenças da alma se alojam e se tornam complexas.


Logo, podemos conceber a depressão como uma patologia da alma, cuja origem remonta ao histórico das diferentes encarnações nas quais o Espírito vem construindo sua trajetória, fruto de ligações afetivas equivocadas, reflexo de perdas ressentidas, dificuldade de aceitação de mudanças circunstanciais próprias dos diferentes quadros da vida.


Na verdade, vemos, através da experiência, que, geralmente, os relatos típicos dos sujeitos depressivos expressam um saudosismo de um tempo onde a glória e poder faziam parte do seu contexto vivencial. Observamos, que há, nestes casos, uma forte tendência de identificação com uma imagem externa, socialmente investida, onde o Espírito se viu poderoso, em evidência, não necessariamente detentor de um poder bélico ou um poder típico de uma autoridade qualquer, mas sim vivendo um lugar de importância, que de alguma forma evidenciava-se acima dos outros.


Em outros relatos, encontramos o drama da dificuldade de aceitar uma mudança, onde o Espírito se viu perdendo alguém, alguma coisa, e é a dor dessa perda, no momento em que ela ocorre, que se constitui insuportável ou pelo menos, naquele momento, o foi. Neste caso, o Ser precisa de um tempo para digerir o impacto desse estado de coisas; tempo esse que adoece, na medida em que os fluxos mentais de renovação vão sendo bloqueados pelo egoísmo, o orgulho, em suma, pela postura de rebeldia moral perante os desígnios das leis divinas, que são de reequilíbrio.


De qualquer forma, não cabe de nossa parte julgamentos, cabe sim uma compreensão dinâmica do ciclo patológico da depressão.


Em seu artigo Luto e Melancolia, Freud nos traz algumas reflexões interessantes sobre o processo patológico da perda afetiva. Resumidamente, ele nos diz que o luto é a resposta emocional saudável, adequada para a situação da perda, já que há necessidade do sujeito reconhecer a perda como fato, como realidade que se apresenta e que, obviamente, gera dor, onde aquilo que está sendo significado como objeto perdido é diferente do próprio sujeito, isto é, o sujeito não se funde ao que ele está perdendo. O luto nos situa diante desse fato, nos dá condições de arrumar dentro de nós esse impacto frente ao que nos trouxe sofrimento, ele é, portanto, uma postura de reorganização. Na melancolia, há um movimento mais sério, onde o sujeito identifica-se com o objeto perdido, e, ao deparar-se com essa perda, a pessoa significa para si mesma que parte dela também está indo; há uma identificação doentia com este objeto. Vemos, então, que na melancolia há o que Freud chama de luto patológico, onde o ego não suporta essa ruptura e adoece, se ressente.


Considerando os estudos espíritas, bem como o conhecimento disponibilizado pelas pesquisas em Terapia de Vidas Passadas, temos um material vasto e eficaz para auxiliar o sujeito portador de depressão, pois diante da possibilidade deste indivíduo entrar em contato com seus nós reencarnatórios, suas amarras psíquicas que bloqueiam a retomada do seu sentido da vida, ele encontra oportunidade de transformação de seu estado mental e emocional, se assim desejar.


Portanto, esta é a grande questão: o sujeito sente que perdeu o sentido da vida e o seu corpo espiritual vai expressar isso pelas taxas substanciais e específicas de neurotransmissores, revelando uma dinâmica neurológica, bioquímica, peculiar as marcas que o Espírito imprime em si mesmo.


Os estudos trazidos por Allan Kardec, na obra o Céu e o Inferno, bem como aqueles informados pelo nosso querido André Luiz, nos mostram as conseqüências dolorosas do apego, refletindo no corpo espiritual as dores lancinantes que o Espírito experimenta. Através dessas fontes, temos um manancial riquíssimo de informações que nos capacitam ao auto-exame e a reflexão sobre a urgência de nossa reforma íntima.


Sabemos por esses autores e muitos outros que nosso perispírito, em sua plasticidade e capacidade de modelar nossos emoções e pensamentos, espelha o retrato de nossa individualidade, onde a morte é, na verdade, uma repercussão fiel de nossa jornada de encarnado. Daí, é comum, nos quadros depressivos, o sujeito desejar, abrigar a idéia suicida como solução de seus dissabores, e ao contrário do que ele espera, uma vez optando pelo auto extermínio, o que ele encontra é mais um agravante de dor, de horror e desespero que complica não somente a tessitura sutil de seu corpo espiritual, como também a organização mental que comanda o fluxo fluídico de suas idiossincrasias.


Não é à toa que o Espiritismo nos informa que somos herdeiros de nós mesmos. Como herdeiros, somos em potencial nossos construtores, num ininterrupto processo de progresso misericordioso que Deus nos concede cotidianamente.


A depressão é uma expressão urgente de dor que merece tratamento adequado, onde não devemos banalizar a dor de seus portadores, ao contrário, ela exige de nós um conhecimento técnico do assunto, assim como um constante aperfeiçoamento da sensibilidade, da capacidade empática e da própria melhoria, para que saibamos lidar com nossos irmãos em sofrimento, sem torná-los vítimas ou algozes, mas sim podermos auxiliá-los de maneira eficaz, solidária e verdadeiramente cristã.



Referências bibliográficas:


- FREUD, Sigmund. Luto e Melancolia. In Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Imago Editora LTDA, Rio de Janeiro, 1917, Vol. XIV;
- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. FEB, Rio de Janeiro, 36ª edição;
- KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. FEB, Rio de Janeiro, 81ª edição.


* Bianca Cirilo é psicóloga há 14 anos, estudiosa da Terapia de Vida Passada e funcionária pública com experiência em grupos. Atua como médium do Centro Espírita Léon Denis, do Rio de Janeiro/RJ, na área de divulgação doutrinária.