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Vai ter para todo mundo?

Vai ter para todo mundo?



O preço dos alimentos disparou, e o aumento médio no mundo passa dos 80%. A crise atual, a pior dos últimos trinta anos, é um grito de alerta sobre uma questão que pouca gente ousa discutir: o planeta mal consegue alimentar 6,7 bilhões de bocas hoje. O que ocorrerá em 2050, quando seremos 9,2 bilhões de terráqueos? A comida será cara e rara como nunca


André Petry, de Nova York


Se tudo der certo, na noite deste domingo, precisamente às 8h38, hora de Brasília, a sonda Phoenix vai pousar na região norte de Marte, um pedaço ainda não explorado do planeta vermelho. Sua missão será cavar a superfície em busca de água líquida e bactérias ou outros sinais que denunciem a possibilidade de existir vida em Marte. Na mesma hora, precisamente às 8h38 da noite, o número de crianças mortas no mesmo dia em todo o planeta Terra por causas relacionadas à fome terá chegado a 14.856. Só no domingo. A fórmula macabra é a seguinte: a cada cinco segundos morre uma criança no mundo em decorrência de problemas provocados pela carência de calorias e proteínas mínimas para a sobrevivência. É dramático que a humanidade, em meio a progressos estupendos como a capacidade de escavar o solo de outro planeta em busca de vida pregressa, ainda seja assombrada pelo fantasma da fome – que ceifa a vida presente e futura na Terra. O mais dramático é que, durante os dez meses em que a Phoenix rasgou o éter em direção a Marte, a situação aqui embaixo ficou ainda pior. O trigo, o milho, o leite, o açúcar, o ovo, o frango – tudo subiu. Em alguns casos, como o do arroz, esse cereal que alimenta metade dos habitantes do planeta, o preço dobrou em um ano. Pela primeira vez na história, o custo global de importar alimentos passará de 1 trilhão de dólares.


Os pobres do mundo estão inquietos. Na Somália, a polícia dispersa multidões famintas a tiros. Na Indonésia, com quase metade de seus 230 milhões de habitantes vivendo na pobreza, cada aumento de 10% no preço do arroz joga 2 milhões de pessoas na miséria absoluta. No Haiti, os preços altos derrubaram o governo. Na Malásia, país nem tão pobre assim, o governo andou balançando. No México, protestos de rua contra o preço das tortillas assustaram as autoridades. Na Tailândia, um dos celeiros de arroz do planeta, há mercados limitando a compra do produto por cliente. Na Argentina, assolada pelo populismo da presidente Cristina Kirchner, os panelaços voltaram a ser ouvidos, com produtores rurais reagindo contra medidas do governo e consumidores irritados com a escassez nos supermercados. Existem situações críticas no Paquistão, no Egito, no Senegal. Em Gana, Bangladesh, Mianmar. Há fome na Coréia do Norte, na Etiópia. No Brasil, o quadro é mais confortável, mas um pedaço da crise mundial chegou ao país, com o preço dos alimentos ultrapassando a média da inflação. No Palácio do Planalto, estuda-se aumentar em 5% o benefício concedido pelo Bolsa Família para compensar a alta nos preços.


"Estamos vivendo a pior crise dos últimos trinta anos", alarma-se o economista Jeffrey Sachs, professor da Universidade Colúmbia, em Nova York, e conselheiro especial de Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas (ONU). E não vai melhorar. Um relatório da FAO, a entidade da ONU que cuida dos alimentos e da agricultura no mundo, acabou de sair do forno em Roma, trazendo previsões sombrias. O documento, divulgado na quinta-feira passada, diz que os alimentos não voltarão a ser baratos como antes. A comida mais cara, portanto, chegou para ficar. É uma situação que deixa ainda mais vulneráveis 850 milhões de pessoas ao redor do planeta, uma massa cronicamente subnutrida que vive sempre sob o espectro da fome. Antes, uma análise elaborada por uma equipe do Banco Mundial já fazia previsões parecidas. Dizia que os preços ficarão altos até 2009, quando então começarão a cair. A queda, porém, não será acentuada, e os preços ficarão "bem acima" do nível registrado em 2004. O Banco Mundial calcula que a situação ficará como está, ameaçadora e preocupante, pelo menos até 2015. E em 2015 a população mundial terá cerca de 600 milhões de bocas a mais para alimentar. É o equivalente a quase três Brasis a mais. Vai dar?


Em 1798, o economista inglês Thomas Malthus previu que a humanidade se afundaria em guerras e doenças porque a fome reinaria no planeta. Seus cálculos indicavam que a produção de alimentos crescia em ritmo aritmético (1, 2, 3, 4...) e a população aumentava em ritmo geométrico (1, 2, 4, 8...). Malthus errou tudo. Em seu tempo, não tinha como prever a invenção dos fertilizantes, que fizeram disparar a produção de alimentos, ou dos contraceptivos, que permitiram planejar o tamanho das famílias em sociedades mais afluentes. Agora, no entanto, começa a ganhar fôlego no meio acadêmico a escola dos neomalthusianos. Eles acham que a armadilha agora é gente demais vivendo num meio ambiente degradado demais. Em 2050, prevê-se, seremos 9,2 bilhões de pessoas – ou 2,5 bilhões a mais do que hoje. Em seu último livro, Jeffrey Sachs arrasta uma asa para o neomalthusianismo e faz um apelo para que o total de habitantes não passe de 8 bilhões até 2050. Escreve Sachs: "A atual trajetória econômica, demográfica e ambiental do mundo é insustentável". Ele defende a "cooperação global" para salvar o planeta e superar "o paradoxo de uma economia global unificada e uma sociedade global dividida".


A crise atual decorre de uma combinação de causas: colheitas ruins, especulação de preços, aumento excepcional do barril de petróleo e a explosão dos biocombustíveis. Mas o que ajudará a perpetuar o problema é o aumento do consumo de alimentos, sobretudo na China e na Índia, as locomotivas asiáticas que, juntas, têm mais de um terço da população mundial. A China, em especial, tem peso fenomenal. Se cada chinês comer um frango a mais, dentro de cinco anos explodirá o mercado de milho, a ração básica da ave. "O frango é um milho com asa", brinca o professor Mauro de Rezende Lopes, economista da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. "E, quanto maior o poder aquisitivo, mais carne as pessoas consomem." Com a economia crescendo a 10% e o consumo de calorias aumentando 20%, a China, essa terra onde aconteceram mais de 1.500 ondas de fome na era cristã, está formando uma imensa classe média – que quer comer carne. O problema é que, para cada quilo de carne que a vaca engorda, são necessários 8 quilos de grãos para alimentá-la. Considerando que boa parte é gordura e osso, a conta muda: para cada quilo de carne boa vão 13 quilos de grãos. É preciso produzir isso tudo.


"Temos de acreditar que seremos capazes de dar de comer a todos e tomar as providências necessárias", diz o estudioso David Orden, do International Food Policy Research Institute, em Washington, e professor da Universidade Virginia Polytechnic. As providências foram deixando de ser tomadas. Na década de 60, com a população crescendo mais que a produção de comida, uma crise se avizinhava, mas foi espantada pela "revolução verde", que multiplicou a produção de alimentos. Índia e Paquistão adotaram novas sementes, irrigação, fertilizantes. O processo foi capitaneado por um velhinho simpático, o agrônomo Norman Borlaug, que hoje, aos 94 anos, morando no Texas, ainda tenta trabalhar nos intervalos entre uma hospitalização e outra, sempre sob os cuidados de uma neta. Da revolução verde para cá, com comida farta e barata, investimentos foram sumindo e pesquisas, minguando. Países que não plantavam não se preocupavam em fazê-lo. Existia alimento de sobra. Há mais de duas décadas, o ministro americano da Agricultura, John Block, disse que a proposta de que os países pobres deveriam produzir o próprio alimento era "um anacronismo de eras passadas", ou seja, eles podiam comprar os produtos americanos, fartos e baratos. Assim, o mundo foi-se esquecendo de cuidar da agricultura. Um exemplo financeiro. Em 1980, o Banco Mundial desembolsou 7,7 bilhões de dólares para empréstimos agrícolas. Em 2004, foram apenas 2 bilhões.


Em paralelo, intensificou-se a urbanização. Neste ano, ocorreu a virada: pela primeira vez na história da humanidade há mais gente vivendo na cidade do que no campo. No campo, produz-se o que se come na cidade. Isso significa que há menos gente produzindo para mais gente – e, quando isso acontece, é preciso ter boa distribuição da comida. Nos Estados Unidos, as famílias rurais são 1% da população e alimentam 99%. "Talvez metade da fome global seja problema de infra-estrutura e distribuição", diz Josette Sheeran, que comanda o Programa Mundial de Alimentação da ONU, entidade que socorre vítimas da fome mundo afora. Recentemente, Sheeran ganhou as manchetes globais ao dizer, diante do Parlamento inglês, que a crise atual é um "tsunami silencioso". Uma forma de combatê-lo é melhorar a distribuição. A produção mundial é suficiente para alimentar todos. Só que não chega a todos. Nos Estados Unidos, a distribuição é ótima, mas o desperdício é um escândalo. Um estudo de 1995 descobriu que os americanos jogam fora 27% da comida disponível para consumo. São números assombrosos. Uma família de quatro pessoas põe 4,7 quilos de carne e peixe no lixo todo mês! Se um quarto do desperdício fosse recuperado, daria para alimentar 20 milhões de pessoas num dia! Se falta comida na Somália, onde a insegurança alimentar ameaça mais de 2 milhões de pessoas, e sobra comida nos EUA, onde 66% da população está acima do peso, o problema não está apenas na produção.


Não há receita pronta para superar a atual crise, mas duas medidas são inevitáveis. A primeira, de curto prazo, é despachar ajuda imediata aos milhões ameaçados pela fome, de modo a evitar uma crise humanitária de grandes proporções. A segunda é voltar a jogar dinheiro na agricultura. Num instituto de pesquisa no México, desenvolveu-se um milho capaz de resistir à seca da África e um trigo que sobrevive às pragas do sul da Ásia. Mas nunca apareceu o dinheiro para que as duas variedades chegassem às mãos dos pobres. Nas Filipinas, onde as mulheres têm protestado exibindo panelas vazias nas ruas, os cientistas identificaram catorze traços genéticos que podem salvar o arroz da praga do gafanhoto, mas não têm dinheiro para executar o trabalho. É uma negligência inadmissível. Intercâmbios são exeqüíveis há séculos: os europeus trouxeram para as Américas o trigo e o cavalo e, daqui, levaram a batata, por exemplo. Como hoje uma semente não consegue sair do México e chegar ao Togo?


A fome nunca se ausentou da vida humana, seja por fúria da natureza, que criou o fungo da batata que matou 1 milhão de irlandeses em meados do século XIX, seja como conseqüência da bestialidade humana. Na II Guerra Mundial, além da bomba atômica, a fome foi uma arma poderosa. No gueto de Varsóvia, onde cada judeu tinha direito a uma ração de menos de 200 calorias diárias – o recomendado é em torno de 2.500 –, a fome estava à espreita em cada esquina dos 100 quarteirões que abrigavam meio milhão de judeus. A fome também matou milhares de soviéticos no cerco nazista a Leningrado, que ficou nove meses sem receber comida. Contando-se a história da fome, conta-se a história da humanidade. A fome está na guerra. A fome está na política, na forma (sempre pública e barulhenta) da greve de fome. A fome está na religião, na forma (sempre reservada e silenciosa) do jejum, seja para judeus, católicos, muçulmanos ou hindus. A fome está no centro da tragédia humana, mas sempre fomos salvos pelo engenho científico do próprio homem. A ciência que fertilizou a terra, controlou pestes, reinventou sementes. A ciência terá, mais uma vez, de nos salvar.


Se tudo der certo, a sonda Phoenix vai tirar uma fotografia de sua aterrissagem sobre o solo de Marte. A imagem percorrerá 680 milhões de quilômetros e, em duas horas, chegará ao centro da Nasa, nos Estados Unidos. Durante a viagem da foto, morrerão 1 440 crianças de fome no mundo.


Matéria publicada em Veja.com, em 28 de maio de 2008.



Jorge Hessen* comenta


EVANGELHO COMO O MAIS PODEROSO ELIXIR PARA A RENDENÇÃO SOCIAL


Pesquisadores projetam um drástico quadro de fome generalizada por escassez de comida para o ano 2050, quando seremos 9,2 bilhões de pessoas encarnadas. Atualmente tem ganho um novo fôlego no ambiente intra-acadêmico a escola dos neomalthusianos.(1) Havia cerca de 1,5 bilhão na época de Kardec e estima-se que atingiremos pelo menos 11 bilhões daqui a cem anos. Muitos crêem que a matriz da questão é gente demais vivendo num meio ambiente bastante degradado. Todos os absurdos das teorias sociais decorrem da ignorância dos homens relativamente à necessidade de sua cristianização. Nunca tivemos tanta capacidade de proporcionar bem estar, casa, educação e alimento à todos, embora nunca tivéssemos tantos desabrigados, famintos e principalmente carentes de educação.


Deus nos deu inteligência, raciocínio, razão justamente para enfrentarmos os inúmeros problemas sociais. Vivemos um momento de transição em que talvez não sejam encontradas as soluções ideais para o problema da fome e outros, igualmente cruciais, mas temos de lutar estoicamente para encontrar as melhores soluções possíveis. A ciência que fertilizou a terra, controlou pestes, reinventou sementes; a ciência terá, mais uma vez, de nos tirar do atoleiro da possível escassez de comida. Até porque Deus se manifesta ao homem através do próprio homem e "Deus provê para que haja equilíbrio entre a população crescente e os meios de subsistência".(2)


Temos tarefa intransferível junto ao solo da terra, fonte de manutenção de nossa existência, competindo-nos o bom serviço de cultivar e aperfeiçoar o trato do solo, sob a nossa administração transitória, "porquanto é na oficina do orbe que nos preparamos, de modo geral, para nosso futuro infinito, cheio de beleza e de realizações definitivas no plano eterno".(3) O meio ambiente em que renascemos, muitas vezes é processo provacional e expiatório; com poderosas influências sobre nossa personalidade, razão pelo qual "faz-se indispensável que o coração esclarecido coopere na sua transformação para o bem, melhorando e elevando as condições materiais e morais de todos os que vivem na sua zona de influenciação".(4)


É triste citar, porém hoje, a cada cinco segundos (isso mesmo! cinco segundos), morre uma criança na Terra em decorrência de problemas provocados pela carência de calorias e proteínas mínimas para a sobrevivência. É dramático que a humanidade, em meio a progressos estupendos como a capacidade de escavar o solo de outro planeta em busca de vida, ainda seja assombrada pelo fantasma da falta de comida. E em 2015 a população mundial terá cerca de 600 milhões de bocas a mais para alimentar. A pobreza, a miséria, a guerra, a ignorância, como outras calamidades coletivas, são enfermidades do organismo social, devido à situação de prova da quase generalidade dos seus membros. "Cessada a causa patogênica com a iluminação espiritual de todos em Jesus-Cristo; a moléstia coletiva estará eliminada dos ambientes humanos".(5)


É inegável a força avassaladora do progresso, seja no campo tecnológico, no pensamento acadêmico, na ética, na filosofia, etc. As experiências da genética sobre as clonagens, os avanços na cibernética, as viagens espaciais, o domínio dos raios lasers, das fibras óticas, dos supercondutores, dos microchips, etc. não nos conduzirão a lugar algum se não for determinado rumos evangélicos nas conquistas tecnológicas.


O homem fez várias viagens para o mundo externo, porém ainda não teve a capacidade de viagens interiores pela introspecção, para descobrir quem é, de onde veio, a que veio e para onde vai. O Homo Tecnologicus perambula pelas estradas da vida sobre os despojos de suas angústias esfaceladas. Sonha com os planetas, as estrelas, as galáxias, porém nega indiferente um pedaço de pão ou um prato de comida ao faminto que lhe implora atenção fraterna nas calçadas frias das metrópoles.(6) Nesse proscênio amargamos os contrastes de uma suprema tecnologia no campo da informática, da genética, das viagens espaciais, dos supersônicos, ao mesmo tempo em que ainda temos que conviver com a dengue hemorrágica, febre amarela, a tuberculose, a AIDS, e com todos os tipos de droga (cocaína, heroína, skanc, ecstasy, o crack, etc.).


Segundo dados do UNICEF, estima-se que 55% das mortes de crianças no mundo estão associadas à desnutrição, à fome que debilita lentamente. Há cenas pela mídia em que abutres e crianças disputam as sobras que encontram nos aterros sanitários. Como se não bastassem, a Organização Mundial da Saúde, OMS, estima existirem 100 milhões de crianças vivendo nas ruas do mundo subdesenvolvido ou em desenvolvimento, das quais 10 milhões no Brasil. A maioria dessas crianças abusa das drogas, que as ajudam a negar, a fugir da realidade, a matar a fome, e a se aquecer. Nos mundos desenvolvidos també há misérias. Nas proximidades da Disneylândia, a Terra da Fantasia, crianças, filhos de pais viciados em drogas, catam latas a fim de complementar o orçamento familiar.


Nos paradoxos pregamos a paz, fabricando os canhões homicidas; pretendemos solucionar os problemas sociais, intensificando a construção das cadeias e dos prostíbulos. "Esse progresso é o da razão sem a fé, onde os homens se perdem em luta inglória e sem-fim".(7)


O Brasil pode se tornar o quinto maior mercado consumidor do mundo em 2030, ultrapassando Alemanha, Grã- Bretanha e França.(8) Mas atualmente o País desperdiça aproximadamente 500 bilhões de reais (1/4 do PIB - Produto Interno Bruto) por ano. É inaceitável que um País negligencie valores de tamanha proporção pelos bens e serviços produzidos em um ano, por invigilância e insensatez da sociedade, de um modo geral, e das autoridades no poder de fiscalização.


Muitos de nós já presenciamos, nas estradas brasileiras, o desperdício de grãos transportados nas carrocerias dos caminhões que, numa rápida vista-de-olhos, parece-nos "insignificante." Como se não bastasse, há, ainda, o sério problema da estocagem de grãos, feita de maneira imprópria em vários armazéns do planeta, de que temos notícia, redundando em vultosos prejuízos para as Nações. Até quando?


Cerca de 30% dos alimentos produzidos no Brasil vão parar no lixo, sem qualquer chance de aproveitamento. Essa é a conclusão de um estudo realizado pela Associação Prato Cheio(9) que visa combater ao mesmo tempo a fome e o desperdício de alimentos nos centros urbanos.(10) O processo de perda de produtos tem início logo após a colheita, na zona rural. Muitos alimentos são encaixotados sem cuidado e em recipientes não apropriados.


Se fosse possível recuperar um quarto de todo o desperdício das pessoas ricas, daria para alimentar 20 milhões de pessoas miseráveis a cada dia. O desperdício é uma tragédia. Um estudo realizado há dez anos descobriu que os americanos jogam fora 27% da comida disponível para consumo. São números assombrosos!


Qual o mundo que deixaremos para as crianças de hoje, para as que ainda nascerão? Segundo Érico Veríssimo, o oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença.(11) A felicidade não pode existir, por enquanto, na face do orbe, porque, em sua generalidade, as criaturas humanas se encontram intoxicadas e não sabem contemplar a grandeza das paisagens exteriores que as cercam no planeta.(12) Na hora atual da humanidade terrestre, em que todas as conquistas da civilização se subvertem nos extremismos, o Espiritismo é o grande iniciador da questão social , por significar o Evangelho redivivo que as religiões literalistas tentam inumar nos interesses econômicos e na convenção exterior de seus prosélitos.(13)


Portanto, nessa conjuntura, a mensagem do Cristo é o único elixir poderoso, o mais seguro para a redenção social, que haverá de penetrar em todas as consciências humanas, sobretudo dos políticos e governantes a fim de que possam incluir ‘compaixão social’ nas suas pautas e agendas de trabalho em nome do amor preconizado por Jesus.



Fontes:


1) Em 1803, Thomaz Robert Malthus (1766-1834), economista inglês e ao mesmo tempo religioso ligado à Igreja Anglicana, formulou célebre teoria econômica, baseada em observações colhidas na Noruega, Suécia, Finlândia, norte da Rússia, França, Suíça e na própria Inglaterra, pela qual preconizava abertamente o controle do aumento da população;


2) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, RJ: ed. FEB, 2001, questão 687;


3) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 2001, perg. 92;


4) Idem, perg. 121;


5) Idem, perg. 55;


6) A descrição da fome é horripilante. Nos estertores dos primeiros dias, a fome come as forças. Os movimentos tornam-se lentos, não se dorme bem à noite, só se tem vontade de comer. Quem levantar há que cuidar para não cair. Os níveis de colesterol e triglicérides ficam elevadíssimos. Os níveis de glicose e pressão abaixam. Nestes instantes viver, respirar, até mesmo pensar é um fardo. Nas primeiras semanas, a fome passa a ser um desespero que transforma o corpo no reino da doença e da dor. Não sobra mais energia nem para as funções básicas das células. Vem a visão dupla. O vômito de bílis esverdeada. Não se ouve direito. As pernas não mais se movem. Os braços doem. Os músculos, fracos, causam lesões no sistema nervoso. É a morte chegando!...;


7) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 2001, perg. 199;


8) Disponível em http://clipping.radiobras.gov.br/clipping/novo/Construtor.php?Opcao=Sinopses&Tarefa=Exibir>, acessado em 20/08/2008;


9) Disponível em http://www.pratocheio.org.br/>, acessado em 20/08/2008;


10) Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u132246.shtml>, acessado em 06/12/2007;


11) Disponível em http://www.imotion.com.br/frases/?p=15> acessado em 11/08/2008;


12) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 2001, perg. 240;


13) Idem, perg. 59.


* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal lotado no INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.