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Macacos criam frases para se comunicar, diz estudo

Macacos criam frases para se comunicar, diz estudo



Um estudo da Universidade de St. Andrews, na Escócia, revelou que macacos combinam sons para passar mensagens específicas, da mesma forma que humanos combinam palavras para criar frases.


Com a descoberta, os pesquisadores esperam encontrar novas pistas sobre a evolução da linguagem humana.


Os cientistas gravaram mensagens de alarme de macacos-de-nariz-branco na Nigéria e observaram que eles combinam sons para, aparentemente, transmitir mensagens com diferentes significados.


Acreditava-se que os macacos poderiam apenas criar novos sons para se comunicar, em vez de combinar os já existentes.


Os cientistas pensavam que a combinação dos sons formando frases, entre humanos, só ocorreu porque o repertório desses sons ficou muito grande.


Já os macacos-de-nariz-branco combinam apenas um pequeno número de sons.



Grande repertório


Segundo Klaus Zuberbühler, da Escola de Psicologia da universidade, “a pesquisa revelou alguns paralelos interessantes no comportamento vocal dos macacos da floresta e esta característica crucial da linguagem humana”.


“Em algum momento, de acordo com a teoria, ficou mais econômico para os humanos combinar os elementos de comunicação já existentes, em vez de adicionar outros a um grande repertório.”


“Isso é baseado na noção de que os sinais seriam combinados apenas depois que houvesse um número suficiente. Nossa pesquisa mostra que essas suposições podem não estar corretas.”


Em 2006, os pesquisadores da universidade descobriram que os macacos produziam uma série de diferentes chamados de alarme para distinguir a qual predador se referiam.


Esta última pesquisa traz evidências de que os vários chamados podem conter pelo menos três tipos de informação: o evento testemunhado, a identidade do autor do chamado e se ele pretendia sair do local. Todas as informações seriam reconhecidas pelos outros macacos.


Notícia publicada na BBC Brasil, em 12 de março de 2008.



André Henrique de Siqueira* comenta


Então, os humanos são os únicos? - é assim que o site NewScientist inicia um interessante artigo sobre as diferentes capacidades identificadas nos animais. Aos poucos estamos descobrindo que os seres humanos não são os únicos que podem sentir afeição, usar instrumentos e - quem diria - construir expressões dentro de uma linguagem!


Ao escrever o seu livro A Escalada do Homem, o dr. Jacob Bronowsky afirmava ser o pensamento abstrato a característica principal de distinção dos seres humanos. Engano do mestre... Já em 1985, o famoso Carl Sagan refutava a concepção de Bronowsky, apresentando e comentando o resultado de algumas pesquisas realizadas com chimpanzés e indicando o poder de abstração das feras.


Por séculos acreditou-se que os seres humanos eram os únicos capazes de pensar abstratamente. Desde o século XVII a tradição científica iniciada em Descartes considerava os animais destituídos de vontade, considerados máquinas biológicas agindo por puro instinto.


O quadro atual é muito diferente. "Um estudo da Universidade de St. Andrews, na Escócia, revelou que macacos combinam sons para passar mensagens específicas, da mesma forma que humanos combinam palavras para criar frases." - afirma a BBC de Londres, noticiando os resultados do estudo coordenados por Klaus Zuberbühler, da Escola de Psicologia.


A pesquisa indica a intencionalidade dos animais na construção de fonemas linguísticos para alertar seus companheiros quanto à aproximação de predadores. Os sinais vocálicos conteriam três tipos de informações:




  • o evento testemunhado;


  • a identidade do autor do chamado;


  • se o autor do alerta pretende sair do local.

A construção de tais elementos não possibilitam dúvidas quanto à identificação de um evento e a intenção de comunicá-lo a outrem.


Corroborando a idéia, Mike Tomasello, do Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology, em Leipzig, Alemanha, coordenou um trabalho de pesquisa que compilou uma lista de gestos usados por diferentes animais e catalogado pelos pesquisadores daquele instituto. A partir da observação do comportamento de macacos, gorilas, chimpanzés, bonobos e orangotangos, os cientistas constataram que estes animais utilizam gestos como formas de linguagem não-verbais. Tais gestos são repletos de intenção e desempenham um importante papel da comunicação entre eles.


Mesmo o comportamento moral não é exclusividade dos seres humanos. O etologista Marc Bekoff, da Universidade do Colorado, tem encabeçado uma corrente de idéias que defende a existência de uma ética entre os animais. É conhecido desde 1964 um estudo, citado pelo New Scientist, no qual se observa o comportamento de um macaco Rhesus faminto ao rejeitar comida porque ao recebê-la um outro macaco tomará uma descarga elétrica. Rituais fúnebres nos elefantes e coisas similares parecem indicar a presença de um senso ético entre os animais.


É notável identificar em O Livro dos Espíritos, considerações a este respeito:


593. Poder-se-á dizer que os animais só obram por instinto?
"Ainda aí há um sistema. É verdade que na maioria dos animais domina o instinto. Mas, não vês que muitos obram denotando acentuada vontade? É que têm inteligência, porém limitada."


Não se poderia negar que, além de possuírem o instinto, alguns animais praticam atos combinados, que denunciam vontade de operar em determinado sentido e de acordo com as circunstâncias. Há, pois, neles, uma espécie de inteligência, mas cujo exercício quase que se circunscreve à utilização dos meios de satisfazerem às suas necessidades físicas e de proverem à conservação própria. Nada, porém, criam, nem melhora alguma realizam. Qualquer que seja a arte com que executem seus trabalhos, fazem hoje o que faziam outrora e o fazem, nem melhor, nem pior, segundo formas e proporções constantes e invariáveis. A cria, separada dos de sua espécie, não deixa por isso de construir o seu ninho de perfeita conformidade com os seus maiores, sem que tenha recebido nenhum ensino. O desenvolvimento intelectual de alguns, que se mostram suscetíveis de certa educação, desenvolvimento, aliás, que não pode ultrapassar acanhados limites, é devido à ação do homem sobre uma natureza maleável, porquanto não há aí progresso que lhe seja próprio. Mesmo o progresso que realizam pela ação do homem é efêmero e puramente individual, visto que, entregue a si mesmo, não tarda que o animal volte a encerrar-se nos limites que lhe traçou a Natureza.


594. Têm os animais alguma linguagem?
"Se vos referis a uma linguagem formada de sílabas e palavras, não. Meio, porém, de se comunicarem entre si, têm. Dizem uns aos outros muito mais coisas do que imaginais. Mas, essa mesma linguagem de que dispõem é restrita às necessidades, como restritas também são as idéias que podem ter."


595. Gozam de livre-arbítrio os animais, para a prática dos seus atos?
"Os animais não são simples máquinas, como supondes. Contudo, a liberdade de ação, de que desfrutam, é limitada pelas suas necessidades e não se pode comparar à do homem. Sendo muitíssimo inferiores a este, não têm os mesmos deveres que ele. A liberdade, possuem-na restrita aos atos da vida material."


Vemos que o pensamento espírita compreende não serem os animais simples máquinas. E identifica a natural escala de distinção entre o homem e seus irmãos menores: a capacidade de pensar em Deus. Reconhecendo a liberdade relativa que possuem os animais, o Espiritismo relaciona a inteligência e a moral como elementos necessários para o desenvolvimento do Ser, os animais incluídos.


Grande é, assim, a responsabilidade da raça humana. A consciência do projeto evolutivo requer atenção para com todos os seres vivos. Reconhecendo nos animais valores novos que os distinguem de simples máquinas, somos conduzidos a uma compreensão superior da vida em sociedade. Integrados a uma realidade eco-sócio-espiritual, temos em nossas mãos a oportunidade de colaborar com a melhoria da qualidade de vida da nossa e de outras espécies vivas na Terra. Filhos mais velhos, cabe-nos compartilhar com o Pai Celestial a prática da providência em relação a nossos irmãos mais novos, a biosfera terrena.


* André Henrique de Siqueira é bacharel em ciência da computação, professor e espírita.