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Homem recebe coração de suicida e se mata da mesma forma que doador

Homem recebe coração de suicida e se mata da mesma forma que doador



Esta história é de arrepiar. Digna de uma história contada com a maestria sinistra de um Stephen King. O cenário é o estado americano da Carolina do Sul. Tudo começa quando Terry Cottle se mata, em 1995. O coração de Terry é doado a Sonny Graham, a quem os médicos davam apenas seis meses de vida.


Um ano após a bem-sucedida cirurgia, Sonny começa a se corresponder com Cheryl, a esposa do doador. Os dois se aproximam e se casam. Decidem recomeçar a vida e se mudam para a Geórgia.


Só que 12 anos após se casar com Cheryl, Sonny se suicida da mesma forma que Terry: com um tiro. O corpo é encontrado na garagem, sem qualquer explicação para o ato extremo. A mulher fica viúva pela segunda vez e decide que o coração não será mais transplantado.


Amigos disseram, segundo a história relatada pelo "Daily Mail", que Sonny não apresentava qualquer sinal de depressão.


Só que cientistas afirmam que há mais de 70 casos de transplantes documentados em que os pacientes mudam sua personalidade e passam a ter características do doador do órgão. Mas a relação carece de maior embasamento científico.


Mês passado, uma mulher de Lancashire, na Inglaterra, comentou que o seu gosto literário havia mudado radicalmente após um transplante de rim. Antes costumava ler best sellers como "Código Da Vinci", e agora só se interessa por clássicos como "Crime e Castigo", de Dostoevsky.


Você já viu caso parecido?


Notícia publicada em O Globo Online, em 8 de abril de 2008.



Jorge Hessen* comenta


Transplantes na Visão Espírita


A imprensa noticiou que um homem recebeu coração de suicida e se matou da mesma forma que doador. A história é a seguinte:  Terry Cottle se matou, em 1995, seu coração foi doado a Sonny Graham e este começou a se corresponder com Cheryl, a esposa do doador. Sonny e Cheryl se casaram e após 12 anos Sonny se suicidou da mesma forma que Terry: com um tiro. Alguns pesquisadores afirmam que há muitos casos de transplantes documentados em que os pacientes mudam sua personalidade e passam a ter características do doador do órgão. Óbviamente que, sob o enfoque espírita, essa relação não possui conotação de causa e efeito. Ou seja, o órgão transplantado de um suicida não pode ser causa de mudança de personalidade, exceto que haja um processo profundo de obsessão, porém perfeitamente saneável através de tratamentos espirituais.


Sem nos prender a alguns casos isolados, urge refletir sobre a prática do transplante ante a ótica da Terceira Revelação.


Nas práticas médicas de todas as especialidades, o transplante de órgãos é a que demonstra, com maior clareza, a estreita relação entre a morte e a nova vida, o renascimento das cinzas como Fênix: o mitológico pássaro símbolo da renovação do tempo e da vida após a morte.


Sobre o assunto, temos poucas as informações instrutivas dos Benfeitores Espirituais, até porque a prática é uma conquista muito recente da medicina.


Alguns espíritas recusam-se a autorizar, em vida, a doação de seus próprios órgãos após a morte, escudados na má interpretação que Chico Xavier não era favorável aos transplantes. Isso não coincide com a verdade! É importante esclarecer que o médium de Uberaba quando afirmou "a minha mediunidade, a minha vida, dediquei à minha família, aos meus amigos,ao povo. A minha morte é minha. Eu tenho este direito. Ninguém pode mexer em meu corpo; ele deve ir para a mãe Terra", fê-lo por razões óbvias, pois quando ainda encarnado Chico recebeu várias propostas [inoportuníssimas] para que seu cérebro fosse estudado após sua desencarnação. Daí o compreensível receio de que seu corpo fosse profanado, nesse sentido. Esclarecido esse ponto, não podemos esquecer que se hoje somos potenciais doadores, amanhã, poderemos ser, ou nossos familiares e amigos, potenciais receptores. Para a maioria das pessoas, a questão da doação é tão remota e distante quanto à morte. Mas para quem está esperando um órgão para transplante, ela significa a única possibilidade de vida.


Lembramos de entrevista à TV Tupi em agosto de 1964, publicada na Revista Espírita Allan Kardec, ano X, n°38, onde Francisco Cândido Xavier comenta que o transplante de órgãos, na opinião dos Espíritos sábios é um problema da ciência muito legítimo, muito natural e deve ser levado adiante. Os Espíritos, segundo ele, não acreditam que o transplante de órgãos seja contrário às leis naturais. Pois é muito natural que, ao nos desvencilharmos do corpo físico, venhamos a doar os órgãos prestantes a companheiros necessitados deles, que possam utilizá-los com proveito.


Não há reflexos traumatizantes ou inibidores no corpo espiritual, em contrapartida à mutilação do corpo físico. O doador de olhos não retornará cego ao Além. Se assim fosse, que seria daqueles que têm o corpo consumido pelo fogo ou desintegrado numa explosão?


Questão que também amiudemente é levantada é a rejeição do organismo após a cirurgia. Consideramos a rejeição como um problema claramente compreensível, pois o órgão do corpo espiritual está presente no receptor. O órgão perispiritual provoca os elementos da defensiva do corpo, que os recursos imunológicos, em futuro próximo, naturalmente, vão suster ou coibir. Especialistas, a partir de 1967, desenvolveram várias drogas imunossupressoras (ciclosporina, azatiaprina e corticóides) para reduzir a possibilidade de rejeição, passando então os receptores de órgãos a terem uma maior sobrevida. Estatisticamente, o que há é que a taxa de prolongamento de vida dos transplantes é extremamente elevada. Isso graças não só às técnicas médicas, sempre se aperfeiçoando, mas também pelos esquemas imunossupressores que se desenvolveram e se ampliaram consideravelmente, existindo atualmente esquemas que levam a zero por cento (0%) a rejeição celular aguda na fase inicial do transplante, que é quando ocorrem.


No monumental livro "Evolução em Dois Mundos" - Ditado pelo Espírito André Luiz -, em sua 5ª edição, publicado pela FEB, em  1972, encontramos no capítulo intitulado "Células e Corpo Espiritual" a seguinte explicação: quando a célula é retirada da sua estrutura formadora, no corpo humano, indo laboratorialmente para outro ambiente energético, ela perde o comando mental que a orientava e passa, dessa forma, a individualizar-se; ao ser implantada em outro organismo [por transplante, por exemplo], tenderá a adaptar-se ao novo comando [espiritual] que a revitalizará e a seguir coordenará sua trajetória transferido o órgão para outro corpo, automaticamente o perispírito do encarnado passa a influenciá-lo, moldando-o às suas necessidades, o que exigirá do paciente beneficiado a urgente transformação moral para melhor, a fim de que o seu mapa de provações seja também modificado pela sua renovação interior, gerando novas causas desencadeadoras para a felicidade que busca e talvez ainda não mereça.


Os Espíritos afirmaram a Kardec em O Livro dos Espíritos, pergunta 155, que o desligamento do corpo físico é um processo altamente especializado e que pode demorar minutos, horas, dias, meses. Embora com a morte física não haja mais qualquer vitalidade no corpo, ainda assim há casos em que o Espírito, cuja vida foi toda material, sensual, fica jungido aos despojos, pela afinidade dada por ele à matéria [neste caso pode ocorrer a obsessão, porém contornável como já dissemos]. Entretanto, recordemos de situação que ocorre todos os dias nas grandes cidades: a prática da necrópsia, exigida por força da Lei, nos casos de morte violenta ou sem causa determinada: abre-se o cadáver, da região esternal até o baixo ventre, expondo-se-lhe as vísceras tóracoabdominais. Não se pode perder de vista a questão do mérito individual. Estaria o destino dos Espíritos desencarnados à mercê da decisão dos homens em retirar-lhes os órgãos para transplante, em cremar-lhes o corpo ou em retalhar-lhes as vísceras por ocasião da necrópsia?! O bom senso e a razão gritam que isso não é possível, porquanto seria admitir a justiça do acaso e o acaso não existe!


Em síntese, a doação de órgãos para transplantes não afetará o espírito do doador, exceto se acreditarmos ser injusta a Lei de Deus e estarmos no Orbe à deriva da Sua Vontade. Lembremos que nos Estatutos do Pai não há espaço para a injustiça e o transplante de órgãos (façanha da ciência humana) é valiosa oportunidade dentre tantas outras colocadas à nossa disposição para o exercício da amor.


* Jorge Hessen é servidor público federal, metrologista, Bacharel em História, Bacharel em Estudos Sociais, professor, expositor, articulista, escritor, espírita e colaborador do Espiritismo.net, além de manter um site pessoal: http://jorgehessen.net.