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Investir em mulheres é "central" para paz sustentável na RD Congo e Nigéria

Avaliação é da vice-secretária-geral; Amina Mohammed apresentou informe ao Conselho de Segurança sobre sua recente visita aos países com foco no papel das mulheres na paz, na segurança e no desenvolvimento.

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

Investir em mulheres e crianças deve ser central nas ações globais que buscam uma paz sustentável e o desenvolvimento na Nigéria e na República Democrática do Congo, declarou a vice-chefe da ONU, Amina Mohammed.

Ao Conselho de Segurança, a vice-secretária-geral disse que embora cada país seja único, as situações têm semelhanças.

Viagem Inédita

Segundo a representante, ambos têm níveis muito baixos de participação política das mulheres e estão vivendo conflitos marcados por níveis "extremamente altos de violência sexual e de gênero".

Mohammed fez o informe ao Conselho de Segurança sobre sua recente visita à Nigéria e a República Democrática do Congo, onde foi acompanhada da chefe da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, da representante especial do secretário-geral para violência sexual em conflito, Pramila Patten, e da enviada especial da União Africana para Mulheres, Paz e Segurança, Bineta Diop.

A vice-secretária-geral afirmou que a visita de alto nível, que decorreu entre 19 e 27 de julho, foi a "primeira do tipo", porque concentrou-se inteiramente no papel das mulheres na paz, na segurança e no desenvolvimento.

Violência

Amina Mohammed alertou que na República Democrática do Congo a violência sexual é amplamente difundida. No norte da Nigéria, sequestros, casamentos forçados e o uso de mulheres como bombistas suicidas teve um impacto terrível.

A vice-chefe da ONU pediu à comunidade internacional que entenda melhor o papel das mulheres no desenvolvimento e na construção da paz e as dimensões de gênero dos conflitos para que as respostas globais sejam eficazes.

Ela concluiu afirmando que investimento em mulheres e meninas deve estar no centro das ações globais na Nigéria, na RD Congo e outros países para que se alcance a paz sustentável e o desenvolvimento.

Notícia publicada na Rádio ONU, em 10 de agosto de 2017.

Márcia Rodrigues* comenta

Nos dias de hoje, algumas pessoas podem até duvidar se a humanidade está de fato caminhando rumo ao progresso, no entanto, quando temos a informação que uma mudança tão importante de paradigma está começando a ser proposta, a nossa certeza quanto ao progresso dessa caminhada é fortalecida.

As mulheres, que, em sua grande maioria, têm latente os sentimentos mais puros que as levam a cuidar, orientar e proteger o próximo, em conseguindo se posicionar nos núcleos que detenham algum nível de poder de decisão, terão a oportunidade de levar esses sentimentos a ações que beneficiem toda a sociedade nas quais estiverem incluídas.

A participação das mulheres precisa ser estimulada para que se dê voz às diferenças, permitindo que o processo de tomada de decisões seja mais inclusivo, dando atenção à parcela da população que por muito tempo não foi vista ou considerada, e que isso ocorra de uma forma mais conciliadora. Levando em conta diferenças de opiniões e prioridades, as escolhas ficam mais abrangentes, já que novas possibilidades surgirão.

“O papel da mulher é imenso na vida dos povos. Irmã, esposa ou mãe, é a grande consoladora e a carinhosa conselheira. Pelo filho é seu o porvir e prepara o homem futuro. Por isso, as sociedades que a deprimem, deprimem-se a si mesmas. A mulher respeitada, honrada, de entendimento esclarecido, é que faz a família forte e a sociedade grande, moral, unida!”(1)

Observamos que, hoje em dia, a diversidade de opiniões começa a ser valorizada. A Doutrina Espírita, que vem atuando de forma progressista, já nos falou sobre isso desde o seu surgimento. Homens e mulheres têm papeis diferentes, e suas características, tanto físicas como psicológicas, diferem para conseguirem dar conta desses papéis; “a condição de homem ou mulher é uma forma de termos experiências diferentes, no caminho de nossa evolução como espírito imortal. Enquanto Espírito, não existe uma preferência em encarnar como homem ou mulher, isso pouco importa ao Espírito; ele escolhe segundo as provas que deve suportar. Os Espíritos se encarnam homens ou mulheres porque eles não têm sexos. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, lhe oferece provas e deveres especiais, além da oportunidade de adquirir experiência. Aquele que fosse sempre homem não saberia senão o que sabem os homens”.(2)

A mulher, ao longo da história da humanidade, vem sendo agredida, desprezada e humilhada, por sua aparente fragilidade. No entanto, a força de caráter, a sensibilidade mais apurada e um maior aprofundamento das emoções complementam a menor força física.

Violência e subjugação são sinais de quanto estamos próximos ao primitivismo; “a emancipação da mulher acompanha o progresso da civilização; sua escravização marcha para a barbárie”.(3)

Não existem motivos perante as leis de Deus para que o homem tenha privilégios ou uma sensação de superioridade em relação à mulher. Ambos têm inteligência e a possibilidade de progredirem moralmente. Trabalhando juntos pelo progresso da humanidade, suas características serão complementadas, excessos serão aparados e caminharemos pelo tão indicado caminho do meio.

“Com a Doutrina Espírita, a igualdade da mulher não é mais uma simples teoria especulativa; já não é uma concessão de força à fraqueza, mas direito fundado nas próprias leis da Natureza. Dando a conhecer essas leis, o Espiritismo abre a era da emancipação legal da mulher, como abre a da igualdade e da fraternidade.”(4)

Essa igualdade deve estar presente nas instituições, para que possa atuar em favor a uma sociedade mais pacífica e justa.

Fontes de Referência:

(1) O Problema do Ser, do Destino e da Dor – Léon Denis - 2ª parte, Cap. XIII, As vidas sucessivas. A reencarnação e suas leis;

(2) Revista Espírita - Jornal de Estudos Psicológicos. Ano XIX – 1866 – Allan Kardec;

(3) O Livro dos Espíritos – Allan Kardec - Questão 822-a;

(4) O Livro dos Espíritos – Allan Kardec - Questão 202.

* Márcia Rodrigues nasceu em 30 de outubro de 1967, na cidade do Rio de Janeiro. Engenheira Civil, com especialização em Gestão de Projetos e Processos. É espírita e trabalhadora da Fraternidade Espírita Amor e Paz (FEAP). Colaboradora do Espiritismo.net no Serviço de Atendimento Fraterno off-line.